quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Turismo dos lugares queimados

Esta semana e por motivos profissionais tive que visitar alguns lugares da zona Oeste atingidos pelos incêndios. Encostas viradas para o mar, vales, estradas de floresta. Lugares onde tantas vezes passei de bicicleta, ou de carro, onde enchi os pulmões de ar fresco, onde fiz caminhadas, onde me deitei no chão a contemplar, onde fiz praia, onde "bebi"saberes de património histórico e natural tantas vezes despercebido. Uma paisagem que está agora quase na sua totalidade a preto e branco. Não, não é bonito, é muito doloroso de ver.
 Nesse dia em que fui a esses locais, apercebi-me de um curropio. Gente, provavelmente, sem nada que fazer. Uma multidão atípica, andavam devagar, paravam, fotografavam, alguns mesmo tiravam selfies, aqui e ali. Um transito que adivinha um fim de semana de muita afluência.
Mas afinal o que fazem ali aquelas pessoas? Porque vão a um lugar de onde só me apetece fugir... por tanto me fazer doer o coração e a alma?
Não sei se vêm de longe ou de perto, parece-me que vêm ver as ondas gigantes... não as que brotam do canhão da Nazaré e da praia do norte, mas as ondas de cinza... São turistas, ou visitantes dos lugares queimados. Talvez se junte a essa multidão a barraquinha que vende farturas, ou pipocas e com alguma música à mistura se faça uma feira. 
Irónica?! Injusta?! Cruel?!
Posso até estar a ser tudo isso, mas é o estado do meu coração e ele repele-me para não ver.

domingo, 8 de outubro de 2017

Dia de subir e descer às árvores


Assim como quem corre depressa, já estamos quase, quase.... quase no dia internacional de descer e subir às árvores, nesse tempo em que o verão chegou ao outono, onde os tremoços são substituídos pelas castanhas, que oferecem agora a sua companhia às cervejas, para agradar ao tempo que faz. Um tempo onde nem sempre somos o que parecemos e muito menos parecemos o que somos, porque parece, que ser o que os outros querem, é mais importante que ser realmente.
Confuso?!
Talvez, mas quem sabe se vivermos um pouco na incógnita, na ignorância do nosso ser, à margem dessa beleza cobiçada, que em nada tem de real, muito menos as rugas de expressão causadas por sorrisos amarelos em rostos artificiais, talvez se possa ser mais feliz... e finalmente perdoar a esse tempo, onde o tempo não perdoa... e não há nada para perdoar apenas viver.
"Ao perto ninguém é normal", Caetano Veloso "e ao longe a normalidade é uma anormalidade óptica (não confundir com óptima, mas também pode ser)" Catirolas

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Procrastinação

A palavra parece difícil de dizer, de pronunciar, mas muito fácil de entender.
Por estes dias a colocar a leitura em dia descobri que ultimamente ando com sintomas de procrastinação. Adiar para depois, fazer mais tarde, são os significados mais simples para descrever esta doença. As razões? Essas podem ser muitas e variadas: perfeccionismo, achar que nunca está bem feito e por isso partilhá-lo é sempre um desafio; não saber muitas vezes como e por onde começar, por falta de motivação momentânea, enfim... os motivos são sempre muitos e fortes, mas a consciência da inconsciência, a quem os maduros chamam a P........da vida ensina que, esse hipocondrismo de procrastinação acaba, no momento em que se percebe, que o tempo que se perdeu a pensar nisso, não volta mais.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Controlo


Hoje conheci uma pessoa extraordinária e ontem também. Todos os dias conheço alguém que o é. Um golpe de sorte? Um boletim premiado no coração? Talvez uns olhos maiores que a barriga...e a barriga parece pesar sempre um pouco mais e a tragédia do saber tem apenas três tempos: o não saber, o querer saber e o aprender a saber. 
O tempo está a mudar, mas no guarda, que guarda a roupa, no guarda roupa, os trapos parecem permanecer aguardando que os escolham sem reservas do tempo. E vontade? Se aguardarmos as melhores condições para viver fora do imprevisto, podemos chorar. Há sentimentos e adversidades no nosso ser que jamais conseguiremos controlar, a pressão exterior é como um ciclone: é imprevisível, implacável e foge continuamente ao nosso controle. O mais certo é que ter que interiorizar em 360 graus, tudo ao mesmo tempo e viver tudo, de uma vez só, esperando conseguir encontrar o amor e a sabedoria que nos faz viver apenas, um dia e um só dia, de cada vez.

Rir a fundo perdido


Hoje apetecia-me rir a fundo perdido, sem pagar impostos camuflados de rugas de expressão. Apetecia-me ser um pão que se derrete à medida que vida se manteiga e o sol aproveita para escaldar o coração, sem o incendiar com os seus raios de inveja e indiferença. E à medida que o outono chega, chegar com esses braços de amizade, que podem vir embrulhados em forma de riso, só para me roubar um sorriso a fundo perdido. Um achado difícil de achar.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Luxúria


Nesse misto de emoções incontroláveis, corremos algures por aí, esgalhando o asfalto da vida, de tal forma que os meses parecem dias e os dias... bem os dias, não se parecem com nada do que queríamos que se parecessem... talvez se por um segundo se fizesse, se se visse, luz...ou amor, o tempo parasse por ali e por ali ficasse, sem passar. 
E queremos? Queremos sequer ousar querer? Não creio.
... enquanto desejamos voltar ao sitio onde já fomos felizes, outros só querem um sitio para ser felizes. 



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O regresso às aulas dos alunos candidatos

Por mais que o queira ignorar, é impossível contorná-lo.

O inicio do mês de setembro é habitualmente marcado pelo regresso às aulas, mas este ano, o tema é dividido pelo protagonismo das eleições autárquicas.
Numa sociedade evoluída, a campanha eleitoral já não se faz tanto no porta à porta, cara a cara com os eleitores, mas mais perfil a perfil, nas redes sociais, onde não se dá propriamente a cara, mas dá-se tudo!
E tudo é mesmo tudo.
No meio desta divisão entre o regresso às aulas, encontra-se facilmente semelhanças com as eleições autárquicas.Querem ver?
Em época de eleições são todos mais ou menos alunos: uns repetentes, outros novos nestas andanças, aqueles que têm a escola toda e aqueles que aspiram ter, e depois há ainda aqueles que já andaram num estabelecimento de ensino, mas que agora já estão noutro. No meio de tudo isto, a maior diferença entre os "alunos" estudantes e os "alunos" candidatos, é que, na grande maioria, estes últimos, uma vez colocados, tudo fazem para o repetir, pelo menos de quatro em quatro anos.  

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Os direitos dos direitos

Em Melboune, na Austrália o restaurante Hadsome Her, vegan e feminista, cobra uma taxa de mais 18% aos homens em relação ao preço cobrado às mulheres, a razão, justifica a proprietária, tem a ver com a percentagem que as mulheres australianas ganham, a menos que os homens, pelo mesmo trabalho. Em Portugal o Governo, através da comissão para a Cidadania e Igualdade do Género, por recomendação do ministro adjunto recomendou a retirada dos cadernos de actividades de uma editora, por terem exercícios mais fáceis para raparigas do que para rapazes e de seguirem preconceitos discriminatórios. Não sendo a favor da discriminação seja ela qual for, a verdade é que os homens são diferentes das mulheres, existem certos trabalhos, quer sejam físicos, ou mais intelectuais, que as mulheres fazem melhor do que os homens e vice versa, infelizmente e por culpa da sociedade, acentuou-se essas diferenças, usando-as na sua maioria em favor daqueles que por uma razão, essencialmente histórica, começaram por ter um papel mais visível, mais activo, lhes foi dada essa oportunidade. A sociedade, a história, a vida vai mudando, mas ainda assim e agora mais por conveniência do que por outra coisa, por interesses económicos, não houve ainda a tal evolução para o patamar onde todos nascem iguais com os mesmos direitos...eles existem, mas não são mais do que direitos negociados, impostos, oferecidos, vizinhos de uma falsa liberdade.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Noite infernal

Foi numa noite infernal, escaldante, ardente de verão. O ar abafado convidava a uma saídas nocturnas, a umas escapadelas boémias, pelos caminhos do pecado e do prazer, contrariando o tédio da azáfama, que é o dia-a-dia. O bar do costume estava como habitualmente, apinhado de gente. O ambiente não podia ser mais agradável. Conversava-se de tudo, ouvia-se música e, claro, bebia-se muito, desde os mais exóticos cocktails até à tradicional imperial. Uns quantos copos depois, o espírito estava mais solto, mais descontraído, e a embriaguez conduzia à desinibição. Do outro lado do bar, encontravam-se uns deslumbrantes olhos castanhos, uns longos e lustrosos caracóis e umas pernas espectaculares. Enfim, uma rapariga repleta de beleza e sensualidade. Sem conseguir resistir aquela magia, um jovem aproximou-se dela. Um cigarro na boca, dois dedos de conversa e um pequeno beijo nos lábios foram os primeiros passos. Depois, as mãos entrelaçaram-se e saíram do bar, em direcção ao carro estacionado numa rua deserta. Sentados no banco de trás, começaram por se beijar. Primeiro devagar, depois cada vez mais famintos, sofregamente. As mãos, excitadas, não paravam quietas. O coração pulsava cada vez mais depressa. Os seios pareciam querer saltar para fora da blusa desabotoada. O prazer do momento contagiava e aquecia o ambiente, embaciando os vidros do carro. Minutos mais tarde, desfalecem cansados no banco de trás. As faces rubras, os olhos brilhantes, os cabelos despenteados, os corpos nus e as almas sorridentes, traduziam uma vontade de voltar a repetir tudo, outro dia qualquer.
Amor?Não! Era apenas sexo, sexo bom. E a protecção? O preservativo? Não tinha sido utilizado! Estava algures, inviolável no bolso das calças. Aconteceu tudo tão rapidamente que nem houve oportunidade.
Alguns meses depois, numa noite  infernal, fria, gelada de inverno, o ar, impregnado por partículas de pó, tinha um sabor amargo e o cheiro da morte. Na cama do hospital, um jovem pálido, doente, com os olhos rasos de água, recordava com certa dificuldade, aquele maldito episódio. Ela era boa, bonita, sensual, um autentico demónio de saias, o seu verdadeiro carrasco. Não sabia o seu nome, nunca soube. Na verdade já não sabia mais nada, perdera os amigos, a família, o trabalho, a dignidade, o respeito e até a esperança. Restava-lhe apenas a sombra negra da resignação e da revolta, por tudo o que o destino lhe traçara. "Se ao menos...", lamentava-se. Mas agora era tarde demais, a racionalidade desvanecera-se, a vida fugia-lhe das mãos. De tudo o que tinha, e que subitamente perdera, restava-lhe apenas a certeza de uma coisa, daquela maldita placa pendurada na porta do quarto, como uma corda pendurada ao seu pescoço, a anunciar: "sida. Doente em fase terminal".

Agosto de 1997.

Um dia melhor

São assim... tristes tão tristes, que as suas lágrimas parecem cachos de uvas pendurados na videira os olhos. Pobreza de casa, de trapos, de amor, ausência de pão. Vidas trazidas à praça pública em pequenos desacatos privados, raspas de promessas entoadas num timbre de voz invisível, para ninguém escutar. Gritos secos de bocas molhadas pelo vinagre da indiferença. Aí se vai ficando, cuspindo golfadas de dor no prato que se come, ainda que este se encontre ausente de comida. Ridículo?
Permanecer num lugar onde não se pertence, ou partir para outros horizontes que parecem infinitos labirintos de veredas domingueiras, onde o vazio é sempre o mesmo e até a indigência da guerra se reflecte nesse silêncio só, num colectivo de manhãs que têm o gosto de noites e de meses que aparentam anos e anos iguais. Quem sabe se amanhã o calendário nos surpreende e se não será finalmente dia de folga.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Incendios e incendiários

Hoje ouvi uma psicóloga dizer que é errado falar-se em "abertura da época dos incêndios" como se estivesse a falar da "abertura da época balnear". O pior é que infelizmente hoje não se pode considerar exactamente uma época especifica de incêndios, pois eles acontecem muito antes do inicio da época balnear e terminam também algumas vezes depois, por razões demasiadamente faladas desde que me lembro, muito antes do tempo em que a minha avó Helena, me dizia: "lá vem o avião dos fogos", uma frase que não vou explicar nem esmiuçar, muito menos pelas razões e circunstancias em que perdi a minha avó, já lá vão alguns anitos. Por isso e sem querer entrar muito neste tema concreto, ao qual, e por razões pessoais sou particularmente sensível, prefiro debruçar-me sobre outros fogos, mais ardentes ou escaldantes, como a queimura politica, que ganha outra dimensão, consoante se estivermos em épocas de grande calor politico ou não, como é o caso, ou ainda e para os mais românticos, debruçar-me sobre os incendiários do coração. Esses seres eivados de desejo, que ardem fogosamente, mas que não declaram expressivamente a sua paixão, por receio de dar ignição a vontades tardias, dessas duas mãos se entrelaçarem, na união dum projeto comum, que pode ser de amor, sem ser forçosamente amor a dois tempos, a tempo inteiro, ou até a tempo comum, mas que ainda assim... tem tudo para incendiar um faneco do coração.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Esse doce dilema

Por vezes esperamos tanto, de tanta gente e tanta coisa de gente nenhuma, que nos esquecemos do mais importante, dar! Dar um sorriso, uma palavra... oferecer a nossa presença. Num dar e estar sem cobrar, porque a vida é um doce dilema cheio de açúcar, que pode até fazer mal aos dentes, mas que faz muito bem ao coração. 


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Demasiado


Há dias em que nos sentimos engolidos pelo mundo, nesse cantinho, onde o cheiro a queimado não significa necessariamente que as torradinhas, para o café da manhã, viraram queimadinhas, porque nos distraímos com as aparências, que apesar de nada quererem dizer, querem dizer exatamente aquilo que mostram.
O que será que significa e qual a importância de se ser qualquer coisa na vida? Um homem demasiado bêbado de solidão e excessivamente sóbrio para amar.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Quando um não faz sentido, faz todo o sentido


Ás vezes tenho dúvidas... e se tenho tantas. Se estar na moda significa a cor de determinado item colorido fazer "pandân", com a cor de outro! Claro que não são essas as minhas duvidas, mas ainda assim são as únicas certezas sobre as quais me é permitido neste momento escrever. 
Sei que a vida não tem que ser chata ou aborrecida, não tem que ser feita de escolhas, entre o que está certo versus o que está errado... e este é um tempo, "calendariamente" falando, onde tanto teria para escrever, seguramente em anos de catirolices, no seu pleno, pseudónimo quase anonimato o faria sem filtros, mas agora é mais um exercício para quem me acompanha há tantos anos, (e eles sabem quem são) não por aqui, mas num período muito anterior. Na altura em que era uma personagem, mais ou menos com a mesma altura que hoje ainda mantenho, a brincar com as palavras, para um jornal nacional. E seis anos de brincadeira, até parece brincadeira. Alguns ainda terão algumas dessas relíquias guardadas por aí, tal como eu, mas que nem me atrevo a partilhar. Por isso e voltando ao assunto das leituras nas entrelinhas: se pensam que a vida na cidade é agitada, excitante e muito emocionante, experimentem acompanhar as eleições na santa terrinha. É de sublinhar que este post, não se refere apenas à politica, mas a todos os cactos eleitorais, incluindo fashion choices.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Reflexões sobre terrorismo

Passamos por eles, ouvimos apregoar por aí, escondidos em tendas, ou casas que parecem tendas, ou em casas que em nada se parecem tendas. Nem todos se vestem dos pés à cabeça, deixam crescer os cabelos, as barbas e os filhos e os filhos dos filhos e nem todos filhos da mesma mãe e muito menos filhos da mãe. Nem todos vivem na clandestinidade, comercializam armas, empunham armas...e se tornam armas. Nem todos atropelam pessoas com o mesmo rigor que lhes atropelam os sentimentos.
O mundo há muito que deixou de ser o que era, não apenas pelo terrorismo, muito presente, mas por culpa da visibilidade dos nossos dias. Somos vaidosos, tudo exibimos, tudo mostramos. Podemos não ser terroristas mas somos repórteres da morte. Usamos fechaduras para segurar os nosso bens, mas não hesitamos em expor as nossas vidas.

domingo, 30 de julho de 2017

Vaiar as vaidades


E o que fazer!!Hoje deu-me para isto!
Se tomamos comprimidos para dormir, pílulas para acordar, vitaminas para andar, cremes para acabar com as rugas, pastilhas para as dores nas costas, cogumelos para o envelhecimento, chás para emagrecer e tantas outras fórmulas milagrosas que nos tornará... mais qualquer coisa, que não percebo bem o quê, será que ainda temos tempo para viver com todas essas perfeitas imperfeições que a vida nos dá?

Vaidades!
Seres correctos no âmago da rua da soberba. Desejos emoldurados na sala de "estares" tu, eu e uma multidão, nas vestes pomposas, dessas linhas traçadas na palma da mão. E é fechando os olhos meus, que te vejo ocultar! E é silabando na vida que te julgo encontrar, diante do espelho, ou do reflexo regressivo, progressivo espampanante de qualquer outro lugar.
Vaias!
Navegações epopeias em barcos de muitos pontos e algumas virgulas, formas de olhar, sentir ou até de pensar, por breves momentos, a vida ávida de desejo por um rasgo de beleza eterna, onde as chicotadas psicológicas acontecem, momento após momento, no mundo pedestre, porque raras são aquelas
pessoas que usam os pés para andar e aquelas que usam o espelho para se olharem, realmente.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Vamos clonar a Catirolas?

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...quando as noticias ... são exactamente o que precisamos.
Li há dias que os chineses criaram o primeiro cão clonado com manipulação genética. Sinceramente não sei bem o que pensar sobre o assunto, mas parece-me que hoje em dia, a exigência é tão grande que, a simples clonagem, já não chega. Agora o que queremos é um cão com mais músculos, melhor olfacto e mais capacidade para correr, é este o objectivo da clonagem com manipulação genética: escolher.
Por mais que pense o quanto me daria jeito ter mais de mim, a realidade é que tenho consciência que, ter mais de mim, não seria assim tão bom, nem para mim, nem para os outros. Muito menos se tivesse a oportunidade de escolher ser alta, bela,... entre outros atributos físicos e psíquicos que não interessam nada, muito menos revelar.
São as imperfeições que nos tornam únicos e não há nada mais perfeito que essa realidade.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Meninos homens



Há dias em que me demoro a pensar mais do que me devia naquilo que vou escrever, com a consciência de ter que o fazer, por vezes de forma indirecta, apenas para aqueles que me conhecem e “me” conseguem ler nas entrelinhas, onde tudo o resto são palavras apenas, com o significado que o dicionário lhes deu

Um dia não muito distante entrei num lugar cheio de promessas, onde as flores rompiam os telhados de zinco e o mar entrelaçava-se entre as rochas, fundindo-se com o céu, em momentos de ondulação quase perfeita, tal como a simplicidade de quem oferece um sorriso e apenas isso e nada mais. Um sorriso e «chãos», onde os rostos negros se misturam com a areia quente de um abraço apertado, em crianças que não tiveram tempo de o ser. Um mundo onde a humildade não aumenta proporcionalmente ao envelhecimento, um mundo muito perto daquele por onde passamos diariamente e nada fazemos e eu também. Prisioneiros de uma sociedade que construímos, escondidos atrás dessa janela onde os meninos homens, olham os homens, os homens, olham para os meninos e nesse cruzar e descruzar de gerações é impossível distingui-los uns dos outros. 
As crianças também precisam de fotografias que não se imprimem ou publicam em lugar algum, amor!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Saudades


Quando não sabemos como nem onde o que procurar, mas sabemos o que procurar... não andamos perdidos? Talvez porque a vida, ao contrário de muitos acordares, remelosos, preguiçosos, ou mais enérgicos ou alegres...Não! A vida não é hostil logo pela manhã, basta olhar para os lábios dessa boca, o ex-líbris do corpo, em que parecem escorrer beijos proibidos... e não sempre esses os melhores e os piores? Tal como um olhar, esse cartão-de-visita, onde se pode ver e sentir tudo e ainda assim nada revelar.
Uma ilusão que matou milhões de corações, libertinos libertadores, tal como estar diante de uma pessoa que queria ir dormir sem adormecer, na impertinência de um fogo incompleto, escondido no saiote dessa saia, que à mínima brisa sacode uma pessoa fascinante, nem sempre fascinável à primeira vista, mas facilmente detectável pelo barómetro do coração.
É tão difícil conjugar uma alma sensível, com a beleza de alguém, porque não há maneira de saber o que se fazer com essa beleza, esconder-lhe ou dizer-lhe? Para os mais sonhadores, provar! Degustar esses lábios que parecem escorrer beijos, adormecer nesses olhos pintados de mel, sem pensar em tocar... podendo os dedos começarem a arder, (in) suficiente para um ancorar de saudades, nascidas nesse acaso, que persiste em tornar-se num para sempre.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Onde os caminhos de cabra começam...

Onde as auto estradas acabam e os caminhos de cabras começam já não zumbem as abelhas. Perderam o seu lar, o lugar onde poisar e o ar puro para respirar.
Há mais de duas semanas que só se houve falar em tragédia, morte, flagelo e fogo. FOGO! Que começa e acaba quase sempre da mesma maneira, uma ignição que depressa inflama com teorias, análises, comentários, criticas, debates e outros blá, blá blás. Dias mais tarde extinto na inércia de muitas palavras e poucas acções, repetindo-se o ciclo, anos após ano, seja em Pedrogão, Vila de Rei, ou Monchique.Ainda se lembram?
O que fazemos na terra, fica na terra. E essas gentes que vivem nesses lugares por onde agora, nem as cabras podem calcorrear. Por mais ajuda, mais solidariedade que recebam, não chega... pois não há quem apague esse negro da alma e lhes una as cinzas do coração.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vamos limpar sanitas?

Não há relações eternas, nem amores perfeitos... a frase até pode já vir em qualquer embalagem de comida pré-cozinhada, oferecida por um conhecido desconhecido, ou um desconhecido, desconhecido... na vida que vai e vem como o verão. E o verão, para além do aroma a sardinha assada, (deliciosas, diga-se de passagem), é propício a isso. A esses encontros mais ou menos escaldantes, a dois, a três, ou a quantos couberem na palma da mão e os pés conseguirem calcorrear pelos grãos de areia das emoções, dependendo do tamanho do coração e da capacidade de se amar. Sentimentos que vagueiam entre apeadeiros do ano e do tempo, perdidamente encontrados, ou encontrados perdidamente, entre um nascer e um pôr do sol, num espaço de tempo, temporariamente espacial, (não confundir com especial) que nunca sabe ao mesmo, mas que sabe mesmo bem, nesse suborno de palavras em que dizer sim, quer apenas significar sim e um não, apenas um não. Dizer que se gosta de alguém é fácil, difícil é convidar esse alguém, que afirma, que jura, que garante gostar de nós, convidá-lo para limpar sanitas e essa pessoa aceitar!

domingo, 18 de junho de 2017

Perfeição


Quem não assume qualquer papel na vida, por mais polémico, proibido ou apaixonado que seja. Quem vive nessa constante vontade de fazer alguma coisa, mas que não o faz, só para agradar a todos e não chatear nenhuns, então o melhor é ir ralar cenouras com uma colher de sobremesa e esperar um dia conseguir fazer uma salada. 
Nesta breve vida, onde lutamos para ser perfeitos, não cabe a perfeição. 
Não há pessoas perfeitas e nem todos os momentos são aquilo que desejamos, mas só o simples sentimento de o desejar já o torna belo e único e isso parece-me perfeito!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mãos e pés


Nesse lugar, sentindo os bagos de areia nos dedos, onde as mãos procuram outras mãos para se relacionarem com os anéis, na esperança de abafar a multidão de um só e... onde os pés permanecem descalços sem nada para calçar. Há um mundo para descobrir, num caminho de terra ou de mar, mas sempre por essa estrada que segue direita ao coração.
Na falta de capacidade de ler nas entrelinhas, há pescadores que não conseguem apanhar sardinhas e por isso procuram dias melhores e roupas, vestes que sirvam nesses corpos que nada têm para vestir, mas que ainda assim se encontram povoados de sentimento, onde dizer: Volta! Parece ser muito mais difícil que dizer: Adeus!

domingo, 11 de junho de 2017

Moment


Por vezes encontramos pessoas profusamente vazias! Perdidas nesse monte onde erguem barreiras à sua volta, vestindo cintos de teimosia, desperdiçando a vida com aquilo que não podem fazer, não podem dizer, respirar, ou sequer sentir, e encontramos essas pessoas em nós.
Dizer que se gosta de alguém é tão fácil: do pai, do filho, de um amigo, de um amante, ou até de uma pessoa mais velha que passa na rua, sem sequer a conhecer verdadeiramente, apenas adivinhando aquilo que ela pode ser. 
Lutamos o dia a dia contra nós próprios e com o tempo que temos, para concretizar um projeto, fazer uma viagem, cumprir os objetivos, com tal foco e vontade que por vezes nos esquecemos das coisas simples e do que realmente a vida tem de importante... esse momento de sentir.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

A complexidade da beleza

É quase sempre assim, um pouco antes de entrarmos na Sealy Season e mergulhar nesse desfilar de bronzes, enchem-se os ginásios e as ruas de corredores e desportistas compulsivos, tentando ascender a corpos perfeitos, de uma venustidade comum, exigida por multidões. "Agarrados", por um sentimento de beleza, derivado dessa ideia de putrescibilidade difícil de parar e de superar, quando o que é belo poderá perfeitamente perder-se entre o fragor do quotidiano e o fulgor de um olhar, vestido e despido pelo ritmos dos dias, em que rimos e choramos com as estórias surpreendentes, lidas para lá das entrelinhas, de algumas pessoas e de alguns animais também, que nos dizem uma coisa mas que sentem e acreditam noutra, as pessoas não os animais. E é nesse arroubo, algures entre o que se vê e o que não se vê, que se encontra aquilo que mais próximo se pode definir de belo.

“Talvez demasiado profundo e complexo para um dia como o amanhã”.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A moda das Barbas na perspectiva da Catirolas

Os especialistas de moda dizem: "rapazes as barbas estão ultrapassadas". 
Mais que uma questão de moda, ou de estilo, a verdade é que a maioria das mulheres não gosta de ver os "homens", em modo Talibã.
Pela quantidade de "barbudos", que actualmente coabitam por metro quadrado, Portugal parece que virou, da noite para o dia, um país do estado islâmico.  
Esta tendência masculina não faz sentido, os rostos querem-se lisos e livres de pêlos. Qual é o homem que gosta de passar a mão no pêlo de uma mulher peluda? Pois é, nenhum. No caso das mulheres é igual. Claro que há alguns homens que combinam muito mais com barba do que outros, e em que um pouco de barba, lhes dá até um certo encanto, ou charme, mas são quase sempre sexy symbol. Seja como for e porque não há verdades absolutas, gostar de alguém implica gostar das suas perfeitas imperfeições, com mais ou menos barba, ou então não é amar, é uma falsa verdade, tal como a música do Salvador Sobral, "Amar pelos Dois", pois amar pelos dois, é amar a um só e isso não é amor é solidão.

E agora digam lá se este artigo não deu água pela barba?

Modo de sobrevivência

Gargalhadas de pés na areia perante um palco vazio invadem as parafinas dos sonhos. Ao fundo, esse cenário inóspito de um processo democrático demasiado burocrático para se esperar por ele.
Aos olhos dos Tukanos tudo é simples, social e espiritual...Estes animais frugívoros, só querem continuar a comer fruta, indiferentes ao aquecimento global, ou há desflorestação do seu habitat. Com eles tudo é natural, não entram em birras ou desavenças, do "pata aqui pata acolá".
Enquanto o mundo discute o que pode ou não continuar a poluir e a destruir, como se houvesse dúvidas em relação a isso, enquanto se aguarda pela "Lei de Trump" e tantas outras "Trumpalhadas" nada muda.
Reféns de mundo impiedoso e egoísta dessa sociedade suicida, estamos em modo de sobrevivência...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Criançada


As crianças de hoje crescem cedo demais. 
Já não há brincadeiras na rua, pernas esfoladas e roupa suja e rasgada. Mas há telemóveis, jogos de computador e distracções à mesa do jantar.
Não há sol na pele, vento na cara... muitos dias de brincadeira, nesses onde os dias passavam devagar, naturalmente. 
Agora as crianças levantam-se cedo demais, nessa longa jornada, onde cada vez menos, há espaço para brincar. 
Como podemos ensinar as crianças a serem felizes, se não conseguimos aceitar, essa felicidade de ser criança toda a vida?




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lisboa dos meus (re)cantos

Aviso à navegação bloguista: Vou escrever este "delírio", com consciência de que nos próximos dias não o vou fazer.

Sentados nos bancos do jardim a jogar à bisca, ou à sueca, indiferentes a essa agitação turística, (que passa bem perto da bainha das suas calças, feitas por medida, numa dessas alfaiatarias antigas, onde não se corta forte nem feio), ou talvez não, a avaliar pelo olhar guloso, mas sem malícia, que o senhor, ao lado das Chapelarias Azevedo, "uma das minhas lojas preferidas da baixa", lança às turistas de sotaque Inglês, de pele vermelha, olhos e cabelos claros e de perna longa, enquanto um pouco mais à frente, procuram a Ginginha do Rossio, sem reparar que fica ali mesmo, actualizada, bem diferente daquela, onde a ginginha era servida em copos de vidro, enxaguados na torneira, depois da ultima utilização, até vir a ASAE e exigir os copos de plástico, descartáveis, "mas garanto-vos que o néctar tinha outro sabor quando vinha nos tais famosos copos de vidro". O que me faz lembrar igualmente, essas noites icónicas da capital, como o Foxtrot, o Pavilhão Chinês ou o Procópio, da década de 70, e ainda de portas abertas. Lugares apaixonantes, a cheirar a aconchego, daqueles onde é possível dar beijinhos à media luz. Onde se tem que tocar à campainha para entrar, onde a música faz parte do espaço, sem o esmagar e onde nos sentimos como se estivéssemos em casa, sem lá estar, porque estamos num bar e o ambiente está lá. Re(cantos) que nasceram para serem descobertos e vividos por cada um à sua maneira... 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Esta mãe é para todos

16 dias depois do tal dia estipulado, essencialmente pelo comércio. Eis a minha homenagem às mães como sinto que deve ser, umas vezes mais ou menos declarada, mas todos os dias sentida.

Rica, pobre, branca, preta, amarela, magra, gorda e assim assim, moderna ou antiquada. Os adjetivos são "imensos", palavra que uso e abuso, não por ser tia, apesar de o ser de três belos sobrinho, mas por ser a melhor que define, o ter um coração capaz de albergar tal sentimento mastodôntico, que resumindo significa que uma mãe é  mãe em qualquer parte do mundo, apenas variando pelo perfil dos retratos e pela descrição, tão vasta quanto esse amor, que torna tudo único e verdadeiro. Uma mulher que nos recebe de braços abertos e de coração cheio, que nos enche de comida, de miminhos e que nunca nos deixa ficar tristes...que nunca nos deixa (ponto).




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Voltar a casa

Saciando paixões de histórias reais, ultrapassando todas as regras e limites. Assim me sinto quando volto a casa, ao lar onde cresci, uma casa onde o quarto ainda guarda o cheiro a juventude, a primeiros encontros e a noitadas de estudo. Onde os móveis permanecem bronzeados por essa temperatura, que tantas noites me aqueceu e arrefeceu a alma, enquanto desenhava a vida, sem saber que a estava a desenhar.
Longe da fereza da brutalidade da partida, vem-me à memória a nostalgia desses dias. E que aperto de saudade!
Não sei quando me tornei emotiva...mas é nesse lugar, longe e perto, rendida à realidade dos dias, que me veste e me despe uma necessidade pura e recatada, da doçura de um abraço.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Essa gente que encontro por aí


Há dias em que os apertos de mão sabem a rododendros e as emoções se misturam com: "essa não é a minha tarefa" ou um "não tomo conta de ti".
Nesse mundo de tantos desafectos, desapegos e intolerância, estamos mais preocupados com os vírus que invadem os nossos mundos informáticos, que os que invadem a nossa vida real.
Não conheço nenhuma vida, e já tenho conhecido algumas, que viva sem a amizade, o amor, ou carinho de alguém, um só que seja. E há tantas vidas assim. Histórias de abandono, de malvadez, de não vidas e de mundos cintilantes, daqueles que parecem feitos de estrelas, mas que desaparecem no céu, mal nasce o sol e o sol nasce todos os dias.
Qual é a dúvida?
Se alguém contigo fala, é porque tem algo para dizer... sentimentos perdidos nesse mundo, onde saber escutar, pedir desculpa, ou preocupar-se realmente com alguém, honesta e sinceramente, parece ser cada vez mais uma quimera... e ainda jogamos no euromilhões, ou na raspadinha, quando o verdadeiro tesouro está no cruzar de um olhar, de um sorriso, ou apenas na capacidade de se dizer bom dia e obrigado... É tão simples não é?




quarta-feira, 17 de maio de 2017

A declaração do dia


Bruno Carvalho, presidente do Sporting Clube de Portugal veio ao facebook dizer que: "não vem mais ao facebook". Uma declaração que lhe valeu mais seguidores e gostos, que toda a época de jogos e resultados do sporting, convenhamos que isso também não foi muito difícil.
Apesar de o episódio ser muito engraçado, desenganem-se aqueles que pensam que isto não é um assunto sério.
Nas eleições presidenciais americanas, Donald Trump, utilizou de forma eficaz o FB, o Twitter e o Instragam com publicações diárias, mantendo e reforçando a força dos seus discursos e a ligação a todos os que o seguiam, e agora que foi eleito como presidente continua a fazê-lo. Claro com a ajuda de uma grande máquina de comunicação, uma equipa de profissionais que capta imagens e escreve o que convém, apesar de Donald ser também um "tubarão" do assunto, nada comparado com o que se vive em Portugal, onde muitas figuras publicas, mantêm perfis, muitas vezes pessoais, com "amigos" em vez de fãs ou seguidores, caminhando nesse terreno pantanoso e incontrolável, onde as emoções tornam-se difíceis de gerir.
No mundo virtual é muito complicado discernir quando a fronteira do pessoal, passa para a praça publica, que é no imediato.
No meio de toda esta reflexão a pergunta que importa...
Quanto tempo será que Bruno Carvalho vai demorar até regressar ao único campo em que teve mais gostos?








...e seja o que a noite quiser


À porta da taberna, nessa aldeia onde o betão parece adormecido e a tarde já vai alta, não se vai à missa, não se canta o fado, nem se veste a camisa do capitalismo, mas bebe-se um copo de vinho, ou dois, ou quantos se conseguir, enquanto se mordisca umas iscas com elas, mas sem elas e se comenta o jogo da bola.
Por detrás do balcão está um homem, com idade para não ser pai, nem filho da mãe, mas que o é, literalmente, por tanto mal ter feito a tanta gente. 
A realidade parece ser demasiado violenta, mas é o que é. Aqui não há cenários burlescos, nem vidas cosmopolitas e as cadeiras não estão forradas de cetim vermelho perfumado, mas a esse forte odor a masculinidades, que a ténue luz não deixa escapar. 
O tempo vai passando, enquanto a maior parte da acção se desenrola num dançar de copos: ora cheios, ora vazios e entra nesses corpos: ora soltos, ora apertados de almas: ora vestidas, ora despidas de preconceitos e de dinheiro, a respirar o chão e a amparar candeeiros que não existem, tal não é o tamanho da bebedeira. 
Quando a embriaguez se transforma nessa personagem libertina que não consegue chegar a tempo à casa de banho, é hora de sair porta fora e enfrentar a noite... e seja o que a noite quiser. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

A fé dos carteiristas


É um assunto incontornável, Portugal prepara-se para receber o Papa Francisco e subitamente passamos de uma população maioritariamente católica, para outra esmagadoramente católica. Poderá ser apenas uma questão de semântica, mas a verdade é que se a fé de cada um, é inquestionável, questionável é no entanto o negócio que se vive à volta dos que acreditam, e eu acredito que Fátima vai encher-se de uma multidão movida pelo carisma do Papa Chico, pela força da fé e de toda esse mistério em torno de um amor gigante, difícil de explicar, muito complicado de desmontar, mas estrondosamente forte de sentir.
Fátima vai vestir-se de fé mas também de carteiristas: os carteiristas dos hotéis, dos restaurantes, dos pagadores de promessas, dos comerciantes de objectos de fé... e de tantos outros, vendidos como necessidades, que necessitamos necessariamente de saciar, enquanto saciamos essa outra vontade de amor, que o Santuário de Fátima encerra, porque seja fácil ou difícil de acreditar, já não é a ocasião que faz o ladrão, mas sim o espertalhão!

Imagem: Internet

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Redutores de velocidade para pedestres


Numa semana em que peregrinação ou caminhada, será provavelmente uma das palavras mais ditas, ou escutadas, se ainda não meteu os pés na estrada, o melhor é fazê-lo de forma consciente e já agora não em passo muito acelerado, não vá alguém lembrar-se de trazer mais um negócio da China para Portugal, é que esta semana e segundo o jornal inglês The Telegraph, foram colocados, numa zona bela e histórica do país, a cidade antiga de Taierzhuang, mais de 50 redutores de velocidade, não para automóveis, mas para pedestres. Sim. Para quem anda a pé. Uma espécie de lombas amarelo e preto baptizadas por "estrada da tábua de lavar", com o propósito, dizem as autoridades chinesas, de levar os turistas a passear de forma mais ordeira respeitando e apreciando o local, "abrandando-os".
Independentemente do efeito das lombas, uma coisa é certa, com tal ruído visual, aquele que é conhecido como um local de beleza do país, passa a ser agora e por tal aberração, seguramente um local a evitar.



Créditos: People's Daily China


domingo, 7 de maio de 2017

Mãe da vida / Vida de mãe

Era ela, tinha a certeza a mulher mais bela que alguma vez tinha visto. Olhos claros, pele enrugada, barriga flácida e umas pernas esguias que não escondiam a passagem da idade, apesar do bom estado de conservação. Retratos de um caminho percorrido, nem sempre brando no passeio da idade, como um carrossel que anda às voltas, às voltas, e que ao contrário do que se pensa, nem sempre acaba no mesmo lugar. A sua vida era aquela, correndo e parando ora num lado ora noutro, tendo apenas como porto de abrigo, o quartinho no número vinte e sete, do sexto andar, da Pensão do Martim Moniz, sem elevador e aquela cama que nunca fora apenas sua. Tanto tempo à sua procura e agora ali estava ela, seria possível?!
Meio receoso e com o rosto suado de tanta emoção dirigiu-se a ela, e, com a coragem que o momento requer, lá disse a palavra de três letras, MÃE!
Ela, espantada, olhou para ele inicialmente num silêncio abrupto, mas logo prontamente lhe disse que estava enganado, que nunca tinha tido filhos e que não era a mulher que procurava.
Afinal como poderia ser? Tanto sofrimento ultrapassado, e agora ali estava ele, fruto do único homem que amou na vida e que cedo a desgraçou, como se atreveria a querer estragar-lhe a vida.
Desanimado, pouco convencido mas rendido à sua repulsa, virou-lhe costas e continuou o seu caminho.
Era ela a mulher mais bela que alguma vez tinha visto, mas na dúvida… não podia ser, afinal, a única semelhança entre eles era a tonalidade de olhos, a rugosidade da pele, a barriga flácida, as pernas esguias e até o bar onde trabalhava todas as noites, vendendo o corpo a copos de prazer, não era muito diferente da esquina onde ela parava, por isso tinha a certeza que não era ela, mas na dúvida... como poderia não ser?



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Desligar

Brincar na rua, jogar à bola, andar de bicicleta, saltar à corda, esfolar os joelhos, cair na rede... da baliza.
As brincadeiras de ontem parecem muito mais perigosas que as de hoje? Mas não são.
Nestes tempos onde se passa a mensagem de que andar na rua é perigoso e violento. Onde se controla tudo e todos, como quem entra e sai de algum lugar, com uma hipervigilância que não se consegue isolar. Onde se deixou de sair de casa para "sair dentro de casa". Onde gerámos outro tipo de rua, paralela, mas mais perigosa e mais violenta. Um lugar onde e apesar de não se estar fisicamente, tudo se controla virtualmente: as coisas, as pessoas, as coisas pessoas e as pessoas coisas. Uma dimensão desmesurável e assustadora, que nos faz esquecer que o maior perigo se encontra dentro dessas quatro paredes que "blindámos".
O progresso tal como os avanços e acessos virtuais fazem parte da vida e não é fácil sair desse universo paralelo, deslumbrante e acessível a todos, mas há dias e há momentos em que se quiséssemos poderíamos simplesmente desligar, mas será que queremos?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Fim da Linha


Ela há muito que sabe disso, perdida nessa experiência de apanhar um comboio que já não pára naquele lugar. Tem marido, filhos, amigos, vizinhos, cuscos... Num bairro onde há de tudo, até homens de gravata e pêlos no peito mal depilados, que acendem debruçados sobre a varanda, um cigarro, ou talvez um charro, a avaliar pelo "smell" que atravessa metade desses andares, naquele prédio sem elevador, que tão bem conhece, ou não fosse ter subido e descido esse lance de escadas, milhares de vezes, depois de contornar as esquinas e atravessar essa porta, em busca de um aconchego que nunca chegou. "Foi o acaso primeiro, o vicio veio depois".
A chegar aos sessenta, muito há para revelar, mas o silêncio, é ainda assim, as palavras que melhor sabe expressar e tanto se pode saber através daquilo que não se diz verbalmente! Em casa, a comida já não mora no frigorífico, tal como os filhos que partiram, o marido que fugiu com outra, ou os moveis que foram amputados numa vida feita de cacos. Tudo coisas, tudo descartáveis, mas ela não.
Sentada nesse apeadeiro num comboio que passará um dia para a levar até ao fim da linha, espera, espera e sorri. Primeiro num rasgo e tímido frisar de lábios, que finalmente se transforma em sonoras gargalhadas, antes mesmo de vomitar um palavrão. "Merda! No fim da linha já eu estou há muito tempo"

sábado, 29 de abril de 2017

Para os meus amigos em Menopausa Relacional parte 2

O tempo passa.... como o tempo passa. Mas parece que a partir de uma certa idade passa cada vez mais apressado, ou será que somos nós que o garantimos, presos nessa loucura em que queremos que os dias se transformem em noites, para irmos para a cama descansar mas quando estamos deitados não conseguimos dormir a pensar no que temos que fazer quando tivermos que acordar. O que se passa afinal? 
Porque ligo para esses números, que ainda guardo na agenda em formato papel, pensando que os números que lá estão escritos me encaminham para vocês, que primeiro eram um, que depois passaram a dois e quando estavam quase a ser três, voltaram a ser só um numa casa feita para três. Almas perdidas nesse sentimento que amuou, se desuniu e desentrelaçou perante essa ausência de cabeceira física, lembrando que a psíquica já há muito se mudou de malas e bagagens, para outras paragens, que não pararam por ali. 
Ficar ou partir nem sempre é uma decisão fácil, mas a felicidade começa nesse ponto em que assume que a vida é apenas de quem a vive, e isso não é um acto de egoísmo ou egocentrismo, mas sim um principio de sobrevivência...e eu, bem eu cá estou e estarei de braços abertos para abraçar quem escolha o calor dos meus abraços de braços pequenos, mas por favor, só para não complicar, apareçam um de cada vez.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Vítima


Ilusão de quem vive pensando que a Internet é uma USB para relações, apesar das conexões, mais ou menos vibrantes, falta-lhe o cheiro, o sentimento... falta-lhe a humanização. 

Mudar a vida de alguém contando a sua história, num combate ao esquecimento, nesse testemunho comum com tanto valor, não é fácil, pois não se trata apenas de contar mais uma história na forma escrita, mas de uma forma honesta, como a sentiu no momento em que a registou. Como o episódio daquela mulher, que desde que aqui cheguei, nunca cheguei a ver,  chamava-se Vitima. Dizem as más línguas, que a Vítima, um dia resolveu colocar dez ganchos de borboletas no cabelo e voar para outras paragens, foi encontrar-se com a estátua do veado, na descida para o Farol da Nazaré e..., nada aconteceu. Segundo relatos de quem ouviu dizer, de alguém que viu, mas que não tem a certeza, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha. Reza a lenda, que a partir daí nunca mais ninguém viu a Vítima. Diz o pai, do primo, que é tio avô, de alguém que partiu há muito tempo para a pesca do bacalhau que a tal senhora, a Vítima dos ganchos de borboleta, terá sobrevivido à queda, presa na tal rocha pela originalidade e graciosidade das suas sete saias, mas que terá então morrido de vergonha.

Imagem: Internet


terça-feira, 11 de abril de 2017

O colo

Até parece que estamos no verão, não por causa desse tempo fora do tempo, mas porque toda a gente está de férias! Um privilégio que pelo que vou testemunhando, aqui e ali, muitos parecem estar a usufruir. Todos, menos a Catirolas. Bem se querem mesmo saber, as minhas férias são quase diárias (agora roam-se de inveja!): uma estrada sem transito, tirando os tractores e os papa reformas, claramente em excesso de velocidade; beber uma "birra" na praia, na serra, ou no centro histórico, já que o melhor dos 3 mundos fica a 6 de distância e principalmente ter a melhor companhia do mundo, todos os dias, aquela que me espera de olhos esbugalhados, como se quisesse dizer num só miado, essa linguagem que poucos conseguem entender e muito menos decifrar. Então quando é que desligas da corrente e me dás esse colo merecido?
"Kikinha é já depois deste "delírio"!



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sentir

Como um órgão de reprodução de um texto, que nasce da tecelagem feita pelas aranhas, as palavras! As certas ou as erradas, nem sempre é fácil acertar com elas, dar-lhes um ritmo, vesti-las de sentimentos, senti-las. 
Umas carregadas de tristeza, outras de alegria, tantas de ternura, na verdade tudo depende, tal como a vida, do que fazemos com elas e esse texto em reprodução, vai depender muito da forma como a caneta se enrola no papel através dos dedos, colados à mão. Depende muito da forma e cor da escrita, da leitura e uma vez mais, do sentimento que se coloca quando se escreve. 
Mais ou menos diretas, podem estar repletas de significados e/ou de nadas, podendo dizer pouco com tanto e tanto com nada e para complicar ainda há as letras, que se envolvem e desenvolvem para fazer sentido, nesse amor que nasce do coração nem sempre compreendido, muito menos decifrável, mas que é o que é, porque é real e é ele que dá verdade a essas palavras originando esse texto que muitos ou poucos hão de ler… mas os que o fizerem seguramente terão o privilégio de experimentar um valioso tesouro dos nossos dias, sentir!  


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Futebo(to)lices

Hoje vou recuperar uma crónica que escrevei para um jornal nacional em 1999,  (assim depressa só se passaram 18 anos), o que é mais surpreendente é que depois de o reler, parece que foi escrito sobre os acontecimentos de hoje.

Futebo(to)lices

Os jogos de futebol de domingo à tarde lembram caracóis a pastar num prado viçoso sem grama.
Mundo difícil esse que se enfrenta, frágil como o discurso caótico de um homem vestido de negro, tentando justificar o injustificável perante uma multidão que já o condenou. Será que estamos todos corrompidos? Políticos, carpinteiros, crianças, cidadãos comuns, árbitros (por amor de Deus carpinteiros e crianças???), (...), ninguém parece realmente escapar. Tudo se compra, todos se vendem, e depois esquece-se o que se estava ali a fazer. E para quê?!
No fundo, a vida é como esse jogo de futebol, onde se quer tanto ganhar, seja a que preço for, que se esquece o verdadeiro sentido da disputa, metido nos balneários, ao lado da roupa suja, à espera que venha alguém tirá-lo de lá.
Decididamente a tradição já não é o que era. O futebol de hoje lembra muito mais que uma porção considerável de atletas a correr atrás de uma bola, com as pernas musculadas, algumas depiladas, bem visíveis a olho nu. Agora, o verdadeiro jogo é feito fora das quatro linhas, entre os dirigentes, (ir)responsáveis por esta modalidade e adeptos. De facto, luta-se não pela cor do clube, ou pelo amor à camisola, mas pela cor do dinheiro e pelo amor ao poder, muito mais frutuoso e emocionante.
No meio de toda esta salada mística, sem sabor definido, estão os árbitros, que são normalmente os culpados da polémica que assombra os estádios de futebol; amaldiçoados pela falta mal assinalada, pelo golo anulado, pela grande penalidade inexistente, pela agressão ignorada, enfim... por uma batelada de lances duvidosos. Erros que até poderão ter sido cometidos de forma inocente, mas que nem vale a pena fundamentar, porque os adeptos já estão em fúria, os dirigentes indignados, os jogadores apoquentados e os jornalistas contentíssimos, por terem noticias para mais umas quantas semanas.
Enquanto isso, os pobres homens de negro poderão ter as suas razões, poderão até excogitar provas fortes, mas ninguém quer saber. Para quê, não é noticia!? São o conflito e a polémica que dão vida e revigoram a alma. É disso que muitos gostam neste desporto-rei, sem rei nem roque, nesse reinado cada vez mais duvidoso, "porque afinal ser filho de um homem ilustre não é bem a mesma coisa que se ser ilustre"... Ou será que é?

quinta-feira, 30 de março de 2017

A verdade nas palavras

A ver uma reportagem na SIC, por sinal bastante interessante,sobre Imprensa Falsa e os "sitio" de imprensa falsa, 
A mentira, a forma como circula, os fins a que se destina e a velocidade com que se propaga é absolutamente arrepiante, tão assustador como a quantidade de "nós" que utiliza o verbo aquinhoar em todas as suas conjugações possíveis. Tão agressivo como a realidade de que há sempre alguém a criticar, quando alguém erra e esse erro gera de forma involuntária, uma não verdade, e a partilhar efusivamente, no segundo seguinte, uma mentira sem sequer parar para pensar ou questionar.
Todos os dias sou confrontada com tanta (des)informação: boa, má verdadeira ou falsa, e todos os dias, com essa sentido de critica que domina o meu ser, as dúvidas me assombram: se escutei com clareza, se expressei de forma correta os sentimentos de alguém, são apenas algumas. 
Tantas  e tantas vezes adormeço e acordo sobre "o assunto", para que os erros não assumam a forma de verdade e essa verdade se transforme em mentira, nessa sinceridade que vem do coração e que me ensina a ser verdadeira, não com o outro, mas comigo própria. 


quarta-feira, 29 de março de 2017

Tributo

A poesia em que acredito é aquela que transforma os sonhos em realidade e a realidade em sonhos.
O teatro que me faz vibrar é aquele que usa o palco da vida, para colocar a vida em palco.
A música que quero ouvir, é aquela que me faz sentir estar em casa... e como é bom ter uma casa,...uma casa de sonhos no teatro da realidade|

terça-feira, 28 de março de 2017

O lixo e o mexilhão


Há dias em que me apetecia interiorizar, não confundir com exteriorizar ou teorizar sobre um local que guarda todo o tipo de transacções, vulgarmente conhecido por caixote do lixo, não confundir com banco. 
Está cientificamente provado que o lixo que produzimos diz muito sobre cada um de nós, mas muito de nós diz também sobre o que fazemos com o lixo. Há quem o guarde só para si, por todos cantos e divisões da casa, quem o partilhe com os outros, nos actos e verbalização dos gestos e das palavras, mas há também quem o atire pela janela virtual, pessoal, individual, em grupo,..., numa infinidade de possibilidades, apenas barradas por outra pérola metafórica, o mexilhão. Foquemos então o assunto nesse complexo emaranhado de relações entre um bivalve agarrado às rochas e os seus predadores, que podem ser o pescador, a estrela do mar, ou simplesmente as ondas do mar,..., uma infinidade de possibilidades, a súmula dessa vulgar asserção de quem se lixa é o mexilhão...e não é que é quase quase verdade!

Nota: às vezes o que não faz sentido à primeira faz menos sentido à segunda.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Permissão

Porque as segundas também podem parecer terceiras mal metidas, mesmo naquele ponto onde o ponto de embraiagem roça para o obsceno, nesse segundo que pode durar uma eternidade de reflexão inflectida num universo invertido, paralelo a essa mala onde cabe um minuto de ensaio sobre a vida, mas nada sobre a morte, teorizando sobre o tempo que faz, apesar do tempo que não faz mas que devia fazer, como se o homem mandasse no tempo, e manda! 
Voltando então ao problema mecânico, e ás segundas que parecem sextas, pela velocidade da vida, que não esperou passar mais devagar, nesse lugar onde as horas parecem durar segundos, os anos meses, os meses dias e a vida uma falsa eternidade, nesse quintal que me faz correr sem saber o que vou encontrar, tirando o céu que não existe, ou o chão que os meus passos insiste carregar, onde os aromas marítimos se confundem com "quentes e boas" e o coração é esse insigne espaço onde a mais pesada das criaturas pode levitar. Será que posso esperar pela próxima segunda para acordar?

domingo, 26 de março de 2017

O apagão da Catirolas




Há dias em que as palavras não parecem fazer qualquer sentido, nesse jogo do gato e do rato (em que o rato é que apanha o gato), numa noite de prime time, onde o que fazes é sempre mau, mas o que não fazes é igualmente aterrador. Já houve tempos em que acreditava nas formigas nocturnas, nos seus gestos, na sua boa vontade. Tempos em que a casualidade era tão real, como escrever este post em Trikini, com uma touca na cabeça e chinelos no dedo, num dia semelhante ao de hoje, sem grandes gestos e num silêncio de palavras desconfortantes, em que faz falta tanta coisa, mas ainda mais essa taça de chá de folhas verdes, e muito mais esse amigo, que coloca a água ao lume e nos aconchega, sem questionar.
Por vezes sinto falta de olhar para trás e de ficar por lá algum tempo. Saudades de ouvir musicas de antigamente, ainda que numa versão espanhola, depois da portuguesa ter sido censurada, escrutinada e amplamente criticada...Aglutinada por esse conjunto de actos, que confundimos muitas vezes por "valores", mas que parecem ser, cada vez mais, uma modernice da nossa era, vou então ouvir essa música e suspender a actividade eléctrica, ou se preferirem, desligar!

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...