segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vamos limpar sanitas?

Não há relações eternas, nem amores perfeitos... a frase até pode já vir em qualquer embalagem de comida pré-cozinhada, oferecida por um conhecido desconhecido, ou um desconhecido, desconhecido... na vida que vai e vem como o verão. E o verão, para além do aroma a sardinha assada, (deliciosas, diga-se de passagem), é propício a isso. A esses encontros mais ou menos escaldantes, a dois, a três, ou a quantos couberem na palma da mão e os pés conseguirem calcorrear pelos grãos de areia das emoções, dependendo do tamanho do coração e da capacidade de se amar. Sentimentos que vagueiam entre apeadeiros do ano e do tempo, perdidamente encontrados, ou encontrados perdidamente, entre um nascer e um pôr do sol, num espaço de tempo, temporariamente espacial, (não confundir com especial) que nunca sabe ao mesmo, mas que sabe mesmo bem, nesse suborno de palavras em que dizer sim, quer apenas significar sim e um não, apenas um não. Dizer que se gosta de alguém é fácil, difícil é convidar esse alguém, que afirma, que jura, que garante gostar de nós, convidá-lo para limpar sanitas e essa pessoa aceitar!

domingo, 18 de junho de 2017

Perfeição


Quem não assume qualquer papel na vida, por mais polémico, proibido ou apaixonado que seja. Quem vive nessa constante vontade de fazer alguma coisa, mas que não o faz, só para agradar a todos e não chatear nenhuns, então o melhor é ir ralar cenouras com uma colher de sobremesa e esperar um dia conseguir fazer uma salada. 
Nesta breve vida, onde lutamos para ser perfeitos, não cabe a perfeição. 
Não há pessoas perfeitas e nem todos os momentos são aquilo que desejamos, mas só o simples sentimento de o desejar já o torna belo e único e isso parece-me perfeito!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mãos e pés


Nesse lugar, sentindo os bagos de areia nos dedos, onde as mãos procuram outras mãos para se relacionarem com os anéis, na esperança de abafar a multidão de um só e... onde os pés permanecem descalços sem nada para calçar. Há um mundo para descobrir, num caminho de terra ou de mar, mas sempre por essa estrada que segue direita ao coração.
Na falta de capacidade de ler nas entrelinhas, há pescadores que não conseguem apanhar sardinhas e por isso procuram dias melhores e roupas, vestes que sirvam nesses corpos que nada têm para vestir, mas que ainda assim se encontram povoados de sentimento, onde dizer: Volta! Parece ser muito mais difícil que dizer: Adeus!

domingo, 11 de junho de 2017

Moment


Por vezes encontramos pessoas profusamente vazias! Perdidas nesse monte onde erguem barreiras à sua volta, vestindo cintos de teimosia, desperdiçando a vida com aquilo que não podem fazer, não podem dizer, respirar, ou sequer sentir, e encontramos essas pessoas em nós.
Dizer que se gosta de alguém é tão fácil: do pai, do filho, de um amigo, de um amante, ou até de uma pessoa mais velha que passa na rua, sem sequer a conhecer verdadeiramente, apenas adivinhando aquilo que ela pode ser. 
Lutamos o dia a dia contra nós próprios e com o tempo que temos, para concretizar um projeto, fazer uma viagem, cumprir os objetivos, com tal foco e vontade que por vezes nos esquecemos das coisas simples e do que realmente a vida tem de importante... esse momento de sentir.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

A complexidade da beleza

É quase sempre assim, um pouco antes de entrarmos na Sealy Season e mergulhar nesse desfilar de bronzes, enchem-se os ginásios e as ruas de corredores e desportistas compulsivos, tentando ascender a corpos perfeitos, de uma venustidade comum, exigida por multidões. "Agarrados", por um sentimento de beleza, derivado dessa ideia de putrescibilidade difícil de parar e de superar, quando o que é belo poderá perfeitamente perder-se entre o fragor do quotidiano e o fulgor de um olhar, vestido e despido pelo ritmos dos dias, em que rimos e choramos com as estórias surpreendentes, lidas para lá das entrelinhas, de algumas pessoas e de alguns animais também, que nos dizem uma coisa mas que sentem e acreditam noutra, as pessoas não os animais. E é nesse arroubo, algures entre o que se vê e o que não se vê, que se encontra aquilo que mais próximo se pode definir de belo.

“Talvez demasiado profundo e complexo para um dia como o amanhã”.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A moda das Barbas na perspectiva da Catirolas

Os especialistas de moda dizem: "rapazes as barbas estão ultrapassadas". 
Mais que uma questão de moda, ou de estilo, a verdade é que a maioria das mulheres não gosta de ver os "homens", em modo Talibã.
Pela quantidade de "barbudos", que actualmente coabitam por metro quadrado, Portugal parece que virou, da noite para o dia, um país do estado islâmico.  
Esta tendência masculina não faz sentido, os rostos querem-se lisos e livres de pêlos. Qual é o homem que gosta de passar a mão no pêlo de uma mulher peluda? Pois é, nenhum. No caso das mulheres é igual. Claro que há alguns homens que combinam muito mais com barba do que outros, e em que um pouco de barba, lhes dá até um certo encanto, ou charme, mas são quase sempre sexy symbol. Seja como for e porque não há verdades absolutas, gostar de alguém implica gostar das suas perfeitas imperfeições, com mais ou menos barba, ou então não é amar, é uma falsa verdade, tal como a música do Salvador Sobral, "Amar pelos Dois", pois amar pelos dois, é amar a um só e isso não é amor é solidão.

E agora digam lá se este artigo não deu água pela barba?

Modo de sobrevivência

Gargalhadas de pés na areia perante um palco vazio invadem as parafinas dos sonhos. Ao fundo, esse cenário inóspito de um processo democrático demasiado burocrático para se esperar por ele.
Aos olhos dos Tukanos tudo é simples, social e espiritual...Estes animais frugívoros, só querem continuar a comer fruta, indiferentes ao aquecimento global, ou há desflorestação do seu habitat. Com eles tudo é natural, não entram em birras ou desavenças, do "pata aqui pata acolá".
Enquanto o mundo discute o que pode ou não continuar a poluir e a destruir, como se houvesse dúvidas em relação a isso, enquanto se aguarda pela "Lei de Trump" e tantas outras "Trumpalhadas" nada muda.
Reféns de mundo impiedoso e egoísta dessa sociedade suicida, estamos em modo de sobrevivência...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Criançada


As crianças de hoje crescem cedo demais. 
Já não há brincadeiras na rua, pernas esfoladas e roupa suja e rasgada. Mas há telemóveis, jogos de computador e distracções à mesa do jantar.
Não há sol na pele, vento na cara... muitos dias de brincadeira, nesses onde os dias passavam devagar, naturalmente. 
Agora as crianças levantam-se cedo demais, nessa longa jornada, onde cada vez menos, há espaço para brincar. 
Como podemos ensinar as crianças a serem felizes, se não conseguimos aceitar, essa felicidade de ser criança toda a vida?




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lisboa dos meus (re)cantos

Aviso à navegação bloguista: Vou escrever este "delírio", com consciência de que nos próximos dias não o vou fazer.

Sentados nos bancos do jardim a jogar à bisca, ou à sueca, indiferentes a essa agitação turística, (que passa bem perto da bainha das suas calças, feitas por medida, numa dessas alfaiatarias antigas, onde não se corta forte nem feio), ou talvez não, a avaliar pelo olhar guloso, mas sem malícia, que o senhor, ao lado das Chapelarias Azevedo, "uma das minhas lojas preferidas da baixa", lança às turistas de sotaque Inglês, de pele vermelha, olhos e cabelos claros e de perna longa, enquanto um pouco mais à frente, procuram a Ginginha do Rossio, sem reparar que fica ali mesmo, actualizada, bem diferente daquela, onde a ginginha era servida em copos de vidro, enxaguados na torneira, depois da ultima utilização, até vir a ASAE e exigir os copos de plástico, descartáveis, "mas garanto-vos que o néctar tinha outro sabor quando vinha nos tais famosos copos de vidro". O que me faz lembrar igualmente, essas noites icónicas da capital, como o Foxtrot, o Pavilhão Chinês ou o Procópio, da década de 70, e ainda de portas abertas. Lugares apaixonantes, a cheirar a aconchego, daqueles onde é possível dar beijinhos à media luz. Onde se tem que tocar à campainha para entrar, onde a música faz parte do espaço, sem o esmagar e onde nos sentimos como se estivéssemos em casa, sem lá estar, porque estamos num bar e o ambiente está lá. Re(cantos) que nasceram para serem descobertos e vividos por cada um à sua maneira... 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Esta mãe é para todos

16 dias depois do tal dia estipulado, essencialmente pelo comércio. Eis a minha homenagem às mães como sinto que deve ser, umas vezes mais ou menos declarada, mas todos os dias sentida.

Rica, pobre, branca, preta, amarela, magra, gorda e assim assim, moderna ou antiquada. Os adjetivos são "imensos", palavra que uso e abuso, não por ser tia, apesar de o ser de três belos sobrinho, mas por ser a melhor que define, o ter um coração capaz de albergar tal sentimento mastodôntico, que resumindo significa que uma mãe é  mãe em qualquer parte do mundo, apenas variando pelo perfil dos retratos e pela descrição, tão vasta quanto esse amor, que torna tudo único e verdadeiro. Uma mulher que nos recebe de braços abertos e de coração cheio, que nos enche de comida, de miminhos e que nunca nos deixa ficar tristes...que nunca nos deixa (ponto).




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Voltar a casa

Saciando paixões de histórias reais, ultrapassando todas as regras e limites. Assim me sinto quando volto a casa, ao lar onde cresci, uma casa onde o quarto ainda guarda o cheiro a juventude, a primeiros encontros e a noitadas de estudo. Onde os móveis permanecem bronzeados por essa temperatura, que tantas noites me aqueceu e arrefeceu a alma, enquanto desenhava a vida, sem saber que a estava a desenhar.
Longe da fereza da brutalidade da partida, vem-me à memória a nostalgia desses dias. E que aperto de saudade!
Não sei quando me tornei emotiva...mas é nesse lugar, longe e perto, rendida à realidade dos dias, que me veste e me despe uma necessidade pura e recatada, da doçura de um abraço.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Essa gente que encontro por aí


Há dias em que os apertos de mão sabem a rododendros e as emoções se misturam com: "essa não é a minha tarefa" ou um "não tomo conta de ti".
Nesse mundo de tantos desafectos, desapegos e intolerância, estamos mais preocupados com os vírus que invadem os nossos mundos informáticos, que os que invadem a nossa vida real.
Não conheço nenhuma vida, e já tenho conhecido algumas, que viva sem a amizade, o amor, ou carinho de alguém, um só que seja. E há tantas vidas assim. Histórias de abandono, de malvadez, de não vidas e de mundos cintilantes, daqueles que parecem feitos de estrelas, mas que desaparecem no céu, mal nasce o sol e o sol nasce todos os dias.
Qual é a dúvida?
Se alguém contigo fala, é porque tem algo para dizer... sentimentos perdidos nesse mundo, onde saber escutar, pedir desculpa, ou preocupar-se realmente com alguém, honesta e sinceramente, parece ser cada vez mais uma quimera... e ainda jogamos no euromilhões, ou na raspadinha, quando o verdadeiro tesouro está no cruzar de um olhar, de um sorriso, ou apenas na capacidade de se dizer bom dia e obrigado... É tão simples não é?




quarta-feira, 17 de maio de 2017

A declaração do dia


Bruno Carvalho, presidente do Sporting Clube de Portugal veio ao facebook dizer que: "não vem mais ao facebook". Uma declaração que lhe valeu mais seguidores e gostos, que toda a época de jogos e resultados do sporting, convenhamos que isso também não foi muito difícil.
Apesar de o episódio ser muito engraçado, desenganem-se aqueles que pensam que isto não é um assunto sério.
Nas eleições presidenciais americanas, Donald Trump, utilizou de forma eficaz o FB, o Twitter e o Instragam com publicações diárias, mantendo e reforçando a força dos seus discursos e a ligação a todos os que o seguiam, e agora que foi eleito como presidente continua a fazê-lo. Claro com a ajuda de uma grande máquina de comunicação, uma equipa de profissionais que capta imagens e escreve o que convém, apesar de Donald ser também um "tubarão" do assunto, nada comparado com o que se vive em Portugal, onde muitas figuras publicas, mantêm perfis, muitas vezes pessoais, com "amigos" em vez de fãs ou seguidores, caminhando nesse terreno pantanoso e incontrolável, onde as emoções tornam-se difíceis de gerir.
No mundo virtual é muito complicado discernir quando a fronteira do pessoal, passa para a praça publica, que é no imediato.
No meio de toda esta reflexão a pergunta que importa...
Quanto tempo será que Bruno Carvalho vai demorar até regressar ao único campo em que teve mais gostos?








...e seja o que a noite quiser


À porta da taberna, nessa aldeia onde o betão parece adormecido e a tarde já vai alta, não se vai à missa, não se canta o fado, nem se veste a camisa do capitalismo, mas bebe-se um copo de vinho, ou dois, ou quantos se conseguir, enquanto se mordisca umas iscas com elas, mas sem elas e se comenta o jogo da bola.
Por detrás do balcão está um homem, com idade para não ser pai, nem filho da mãe, mas que o é, literalmente, por tanto mal ter feito a tanta gente. 
A realidade parece ser demasiado violenta, mas é o que é. Aqui não há cenários burlescos, nem vidas cosmopolitas e as cadeiras não estão forradas de cetim vermelho perfumado, mas a esse forte odor a masculinidades, que a ténue luz não deixa escapar. 
O tempo vai passando, enquanto a maior parte da acção se desenrola num dançar de copos: ora cheios, ora vazios e entra nesses corpos: ora soltos, ora apertados de almas: ora vestidas, ora despidas de preconceitos e de dinheiro, a respirar o chão e a amparar candeeiros que não existem, tal não é o tamanho da bebedeira. 
Quando a embriaguez se transforma nessa personagem libertina que não consegue chegar a tempo à casa de banho, é hora de sair porta fora e enfrentar a noite... e seja o que a noite quiser. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

A fé dos carteiristas


É um assunto incontornável, Portugal prepara-se para receber o Papa Francisco e subitamente passamos de uma população maioritariamente católica, para outra esmagadoramente católica. Poderá ser apenas uma questão de semântica, mas a verdade é que se a fé de cada um, é inquestionável, questionável é no entanto o negócio que se vive à volta dos que acreditam, e eu acredito que Fátima vai encher-se de uma multidão movida pelo carisma do Papa Chico, pela força da fé e de toda esse mistério em torno de um amor gigante, difícil de explicar, muito complicado de desmontar, mas estrondosamente forte de sentir.
Fátima vai vestir-se de fé mas também de carteiristas: os carteiristas dos hotéis, dos restaurantes, dos pagadores de promessas, dos comerciantes de objectos de fé... e de tantos outros, vendidos como necessidades, que necessitamos necessariamente de saciar, enquanto saciamos essa outra vontade de amor, que o Santuário de Fátima encerra, porque seja fácil ou difícil de acreditar, já não é a ocasião que faz o ladrão, mas sim o espertalhão!

Imagem: Internet

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Redutores de velocidade para pedestres


Numa semana em que peregrinação ou caminhada, será provavelmente uma das palavras mais ditas, ou escutadas, se ainda não meteu os pés na estrada, o melhor é fazê-lo de forma consciente e já agora não em passo muito acelerado, não vá alguém lembrar-se de trazer mais um negócio da China para Portugal, é que esta semana e segundo o jornal inglês The Telegraph, foram colocados, numa zona bela e histórica do país, a cidade antiga de Taierzhuang, mais de 50 redutores de velocidade, não para automóveis, mas para pedestres. Sim. Para quem anda a pé. Uma espécie de lombas amarelo e preto baptizadas por "estrada da tábua de lavar", com o propósito, dizem as autoridades chinesas, de levar os turistas a passear de forma mais ordeira respeitando e apreciando o local, "abrandando-os".
Independentemente do efeito das lombas, uma coisa é certa, com tal ruído visual, aquele que é conhecido como um local de beleza do país, passa a ser agora e por tal aberração, seguramente um local a evitar.



Créditos: People's Daily China


domingo, 7 de maio de 2017

Mãe da vida / Vida de mãe

Era ela, tinha a certeza a mulher mais bela que alguma vez tinha visto. Olhos claros, pele enrugada, barriga flácida e umas pernas esguias que não escondiam a passagem da idade, apesar do bom estado de conservação. Retratos de um caminho percorrido, nem sempre brando no passeio da idade, como um carrossel que anda às voltas, às voltas, e que ao contrário do que se pensa, nem sempre acaba no mesmo lugar. A sua vida era aquela, correndo e parando ora num lado ora noutro, tendo apenas como porto de abrigo, o quartinho no número vinte e sete, do sexto andar, da Pensão do Martim Moniz, sem elevador e aquela cama que nunca fora apenas sua. Tanto tempo à sua procura e agora ali estava ela, seria possível?!
Meio receoso e com o rosto suado de tanta emoção dirigiu-se a ela, e, com a coragem que o momento requer, lá disse a palavra de três letras, MÃE!
Ela, espantada, olhou para ele inicialmente num silêncio abrupto, mas logo prontamente lhe disse que estava enganado, que nunca tinha tido filhos e que não era a mulher que procurava.
Afinal como poderia ser? Tanto sofrimento ultrapassado, e agora ali estava ele, fruto do único homem que amou na vida e que cedo a desgraçou, como se atreveria a querer estragar-lhe a vida.
Desanimado, pouco convencido mas rendido à sua repulsa, virou-lhe costas e continuou o seu caminho.
Era ela a mulher mais bela que alguma vez tinha visto, mas na dúvida… não podia ser, afinal, a única semelhança entre eles era a tonalidade de olhos, a rugosidade da pele, a barriga flácida, as pernas esguias e até o bar onde trabalhava todas as noites, vendendo o corpo a copos de prazer, não era muito diferente da esquina onde ela parava, por isso tinha a certeza que não era ela, mas na dúvida... como poderia não ser?



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Desligar

Brincar na rua, jogar à bola, andar de bicicleta, saltar à corda, esfolar os joelhos, cair na rede... da baliza.
As brincadeiras de ontem parecem muito mais perigosas que as de hoje? Mas não são.
Nestes tempos onde se passa a mensagem de que andar na rua é perigoso e violento. Onde se controla tudo e todos, como quem entra e sai de algum lugar, com uma hipervigilância que não se consegue isolar. Onde se deixou de sair de casa para "sair dentro de casa". Onde gerámos outro tipo de rua, paralela, mas mais perigosa e mais violenta. Um lugar onde e apesar de não se estar fisicamente, tudo se controla virtualmente: as coisas, as pessoas, as coisas pessoas e as pessoas coisas. Uma dimensão desmesurável e assustadora, que nos faz esquecer que o maior perigo se encontra dentro dessas quatro paredes que "blindámos".
O progresso tal como os avanços e acessos virtuais fazem parte da vida e não é fácil sair desse universo paralelo, deslumbrante e acessível a todos, mas há dias e há momentos em que se quiséssemos poderíamos simplesmente desligar, mas será que queremos?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Fim da Linha


Ela há muito que sabe disso, perdida nessa experiência de apanhar um comboio que já não pára naquele lugar. Tem marido, filhos, amigos, vizinhos, cuscos... Num bairro onde há de tudo, até homens de gravata e pêlos no peito mal depilados, que acendem debruçados sobre a varanda, um cigarro, ou talvez um charro, a avaliar pelo "smell" que atravessa metade desses andares, naquele prédio sem elevador, que tão bem conhece, ou não fosse ter subido e descido esse lance de escadas, milhares de vezes, depois de contornar as esquinas e atravessar essa porta, em busca de um aconchego que nunca chegou. "Foi o acaso primeiro, o vicio veio depois".
A chegar aos sessenta, muito há para revelar, mas o silêncio, é ainda assim, as palavras que melhor sabe expressar e tanto se pode saber através daquilo que não se diz verbalmente! Em casa, a comida já não mora no frigorífico, tal como os filhos que partiram, o marido que fugiu com outra, ou os moveis que foram amputados numa vida feita de cacos. Tudo coisas, tudo descartáveis, mas ela não.
Sentada nesse apeadeiro num comboio que passará um dia para a levar até ao fim da linha, espera, espera e sorri. Primeiro num rasgo e tímido frisar de lábios, que finalmente se transforma em sonoras gargalhadas, antes mesmo de vomitar um palavrão. "Merda! No fim da linha já eu estou há muito tempo"

sábado, 29 de abril de 2017

Para os meus amigos em Menopausa Relacional parte 2

O tempo passa.... como o tempo passa. Mas parece que a partir de uma certa idade passa cada vez mais apressado, ou será que somos nós que o garantimos, presos nessa loucura em que queremos que os dias se transformem em noites, para irmos para a cama descansar mas quando estamos deitados não conseguimos dormir a pensar no que temos que fazer quando tivermos que acordar. O que se passa afinal? 
Porque ligo para esses números, que ainda guardo na agenda em formato papel, pensando que os números que lá estão escritos me encaminham para vocês, que primeiro eram um, que depois passaram a dois e quando estavam quase a ser três, voltaram a ser só um numa casa feita para três. Almas perdidas nesse sentimento que amuou, se desuniu e desentrelaçou perante essa ausência de cabeceira física, lembrando que a psíquica já há muito se mudou de malas e bagagens, para outras paragens, que não pararam por ali. 
Ficar ou partir nem sempre é uma decisão fácil, mas a felicidade começa nesse ponto em que assume que a vida é apenas de quem a vive, e isso não é um acto de egoísmo ou egocentrismo, mas sim um principio de sobrevivência...e eu, bem eu cá estou e estarei de braços abertos para abraçar quem escolha o calor dos meus abraços de braços pequenos, mas por favor, só para não complicar, apareçam um de cada vez.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Vítima


Ilusão de quem vive pensando que a Internet é uma USB para relações, apesar das conexões, mais ou menos vibrantes, falta-lhe o cheiro, o sentimento... falta-lhe a humanização. 

Mudar a vida de alguém contando a sua história, num combate ao esquecimento, nesse testemunho comum com tanto valor, não é fácil, pois não se trata apenas de contar mais uma história na forma escrita, mas de uma forma honesta, como a sentiu no momento em que a registou. Como o episódio daquela mulher, que desde que aqui cheguei, nunca cheguei a ver,  chamava-se Vitima. Dizem as más línguas, que a Vítima, um dia resolveu colocar dez ganchos de borboletas no cabelo e voar para outras paragens, foi encontrar-se com a estátua do veado, na descida para o Farol da Nazaré e..., nada aconteceu. Segundo relatos de quem ouviu dizer, de alguém que viu, mas que não tem a certeza, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha. Reza a lenda, que a partir daí nunca mais ninguém viu a Vítima. Diz o pai, do primo, que é tio avô, de alguém que partiu há muito tempo para a pesca do bacalhau que a tal senhora, a Vítima dos ganchos de borboleta, terá sobrevivido à queda, presa na tal rocha pela originalidade e graciosidade das suas sete saias, mas que terá então morrido de vergonha.

Imagem: Internet


terça-feira, 11 de abril de 2017

O colo

Até parece que estamos no verão, não por causa desse tempo fora do tempo, mas porque toda a gente está de férias! Um privilégio que pelo que vou testemunhando, aqui e ali, muitos parecem estar a usufruir. Todos, menos a Catirolas. Bem se querem mesmo saber, as minhas férias são quase diárias (agora roam-se de inveja!): uma estrada sem transito, tirando os tractores e os papa reformas, claramente em excesso de velocidade; beber uma "birra" na praia, na serra, ou no centro histórico, já que o melhor dos 3 mundos fica a 6 de distância e principalmente ter a melhor companhia do mundo, todos os dias, aquela que me espera de olhos esbugalhados, como se quisesse dizer num só miado, essa linguagem que poucos conseguem entender e muito menos decifrar. Então quando é que desligas da corrente e me dás esse colo merecido?
"Kikinha é já depois deste "delírio"!



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sentir

Como um órgão de reprodução de um texto, que nasce da tecelagem feita pelas aranhas, as palavras! As certas ou as erradas, nem sempre é fácil acertar com elas, dar-lhes um ritmo, vesti-las de sentimentos, senti-las. 
Umas carregadas de tristeza, outras de alegria, tantas de ternura, na verdade tudo depende, tal como a vida, do que fazemos com elas e esse texto em reprodução, vai depender muito da forma como a caneta se enrola no papel através dos dedos, colados à mão. Depende muito da forma e cor da escrita, da leitura e uma vez mais, do sentimento que se coloca quando se escreve. 
Mais ou menos diretas, podem estar repletas de significados e/ou de nadas, podendo dizer pouco com tanto e tanto com nada e para complicar ainda há as letras, que se envolvem e desenvolvem para fazer sentido, nesse amor que nasce do coração nem sempre compreendido, muito menos decifrável, mas que é o que é, porque é real e é ele que dá verdade a essas palavras originando esse texto que muitos ou poucos hão de ler… mas os que o fizerem seguramente terão o privilégio de experimentar um valioso tesouro dos nossos dias, sentir!  


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Futebo(to)lices

Hoje vou recuperar uma crónica que escrevei para um jornal nacional em 1999,  (assim depressa só se passaram 18 anos), o que é mais surpreendente é que depois de o reler, parece que foi escrito sobre os acontecimentos de hoje.

Futebo(to)lices

Os jogos de futebol de domingo à tarde lembram caracóis a pastar num prado viçoso sem grama.
Mundo difícil esse que se enfrenta, frágil como o discurso caótico de um homem vestido de negro, tentando justificar o injustificável perante uma multidão que já o condenou. Será que estamos todos corrompidos? Políticos, carpinteiros, crianças, cidadãos comuns, árbitros (por amor de Deus carpinteiros e crianças???), (...), ninguém parece realmente escapar. Tudo se compra, todos se vendem, e depois esquece-se o que se estava ali a fazer. E para quê?!
No fundo, a vida é como esse jogo de futebol, onde se quer tanto ganhar, seja a que preço for, que se esquece o verdadeiro sentido da disputa, metido nos balneários, ao lado da roupa suja, à espera que venha alguém tirá-lo de lá.
Decididamente a tradição já não é o que era. O futebol de hoje lembra muito mais que uma porção considerável de atletas a correr atrás de uma bola, com as pernas musculadas, algumas depiladas, bem visíveis a olho nu. Agora, o verdadeiro jogo é feito fora das quatro linhas, entre os dirigentes, (ir)responsáveis por esta modalidade e adeptos. De facto, luta-se não pela cor do clube, ou pelo amor à camisola, mas pela cor do dinheiro e pelo amor ao poder, muito mais frutuoso e emocionante.
No meio de toda esta salada mística, sem sabor definido, estão os árbitros, que são normalmente os culpados da polémica que assombra os estádios de futebol; amaldiçoados pela falta mal assinalada, pelo golo anulado, pela grande penalidade inexistente, pela agressão ignorada, enfim... por uma batelada de lances duvidosos. Erros que até poderão ter sido cometidos de forma inocente, mas que nem vale a pena fundamentar, porque os adeptos já estão em fúria, os dirigentes indignados, os jogadores apoquentados e os jornalistas contentíssimos, por terem noticias para mais umas quantas semanas.
Enquanto isso, os pobres homens de negro poderão ter as suas razões, poderão até excogitar provas fortes, mas ninguém quer saber. Para quê, não é noticia!? São o conflito e a polémica que dão vida e revigoram a alma. É disso que muitos gostam neste desporto-rei, sem rei nem roque, nesse reinado cada vez mais duvidoso, "porque afinal ser filho de um homem ilustre não é bem a mesma coisa que se ser ilustre"... Ou será que é?

quinta-feira, 30 de março de 2017

A verdade nas palavras

A ver uma reportagem na SIC, por sinal bastante interessante,sobre Imprensa Falsa e os "sitio" de imprensa falsa, 
A mentira, a forma como circula, os fins a que se destina e a velocidade com que se propaga é absolutamente arrepiante, tão assustador como a quantidade de "nós" que utiliza o verbo aquinhoar em todas as suas conjugações possíveis. Tão agressivo como a realidade de que há sempre alguém a criticar, quando alguém erra e esse erro gera de forma involuntária, uma não verdade, e a partilhar efusivamente, no segundo seguinte, uma mentira sem sequer parar para pensar ou questionar.
Todos os dias sou confrontada com tanta (des)informação: boa, má verdadeira ou falsa, e todos os dias, com essa sentido de critica que domina o meu ser, as dúvidas me assombram: se escutei com clareza, se expressei de forma correta os sentimentos de alguém, são apenas algumas. 
Tantas  e tantas vezes adormeço e acordo sobre "o assunto", para que os erros não assumam a forma de verdade e essa verdade se transforme em mentira, nessa sinceridade que vem do coração e que me ensina a ser verdadeira, não com o outro, mas comigo própria. 


quarta-feira, 29 de março de 2017

Tributo

A poesia em que acredito é aquela que transforma os sonhos em realidade e a realidade em sonhos.
O teatro que me faz vibrar é aquele que usa o palco da vida, para colocar a vida em palco.
A música que quero ouvir, é aquela que me faz sentir estar em casa... e como é bom ter uma casa,...uma casa de sonhos no teatro da realidade|

terça-feira, 28 de março de 2017

O lixo e o mexilhão


Há dias em que me apetecia interiorizar, não confundir com exteriorizar ou teorizar sobre um local que guarda todo o tipo de transacções, vulgarmente conhecido por caixote do lixo, não confundir com banco. 
Está cientificamente provado que o lixo que produzimos diz muito sobre cada um de nós, mas muito de nós diz também sobre o que fazemos com o lixo. Há quem o guarde só para si, por todos cantos e divisões da casa, quem o partilhe com os outros, nos actos e verbalização dos gestos e das palavras, mas há também quem o atire pela janela virtual, pessoal, individual, em grupo,..., numa infinidade de possibilidades, apenas barradas por outra pérola metafórica, o mexilhão. Foquemos então o assunto nesse complexo emaranhado de relações entre um bivalve agarrado às rochas e os seus predadores, que podem ser o pescador, a estrela do mar, ou simplesmente as ondas do mar,..., uma infinidade de possibilidades, a súmula dessa vulgar asserção de quem se lixa é o mexilhão...e não é que é quase quase verdade!

Nota: às vezes o que não faz sentido à primeira faz menos sentido à segunda.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Permissão

Porque as segundas também podem parecer terceiras mal metidas, mesmo naquele ponto onde o ponto de embraiagem roça para o obsceno, nesse segundo que pode durar uma eternidade de reflexão inflectida num universo invertido, paralelo a essa mala onde cabe um minuto de ensaio sobre a vida, mas nada sobre a morte, teorizando sobre o tempo que faz, apesar do tempo que não faz mas que devia fazer, como se o homem mandasse no tempo, e manda! 
Voltando então ao problema mecânico, e ás segundas que parecem sextas, pela velocidade da vida, que não esperou passar mais devagar, nesse lugar onde as horas parecem durar segundos, os anos meses, os meses dias e a vida uma falsa eternidade, nesse quintal que me faz correr sem saber o que vou encontrar, tirando o céu que não existe, ou o chão que os meus passos insiste carregar, onde os aromas marítimos se confundem com "quentes e boas" e o coração é esse insigne espaço onde a mais pesada das criaturas pode levitar. Será que posso esperar pela próxima segunda para acordar?

domingo, 26 de março de 2017

O apagão da Catirolas




Há dias em que as palavras não parecem fazer qualquer sentido, nesse jogo do gato e do rato (em que o rato é que apanha o gato), numa noite de prime time, onde o que fazes é sempre mau, mas o que não fazes é igualmente aterrador. Já houve tempos em que acreditava nas formigas nocturnas, nos seus gestos, na sua boa vontade. Tempos em que a casualidade era tão real, como escrever este post em Trikini, com uma touca na cabeça e chinelos no dedo, num dia semelhante ao de hoje, sem grandes gestos e num silêncio de palavras desconfortantes, em que faz falta tanta coisa, mas ainda mais essa taça de chá de folhas verdes, e muito mais esse amigo, que coloca a água ao lume e nos aconchega, sem questionar.
Por vezes sinto falta de olhar para trás e de ficar por lá algum tempo. Saudades de ouvir musicas de antigamente, ainda que numa versão espanhola, depois da portuguesa ter sido censurada, escrutinada e amplamente criticada...Aglutinada por esse conjunto de actos, que confundimos muitas vezes por "valores", mas que parecem ser, cada vez mais, uma modernice da nossa era, vou então ouvir essa música e suspender a actividade eléctrica, ou se preferirem, desligar!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Parar, escutar... ficar ou partir



Nas catirolices de hoje pensei em escrever uma autobiografia, já que está tanto na moda, mas depois ponderei…Oh Catirolas tu não és expresidente de coisa alguma, na verdade não és coisa alguma, por isso deixa-te disso e faz o que fazes pior, mas tão bem….


Às vezes basta parar e escutar! O eco da cidadania, o cantarolar da critica… a voz daqueles a quem todos dão razão, sem questionar. Nessa sabedoria cega, que me faz ter medo do mundo. 
Depois há que correr, correr bem e depressa, sem fazer aquecimento, preparação, descalça,… assim me sinto e me vejo por estes dias, onde dar o melhor de consciência e coração, já não basta. Não há caminho que nos leve à nascente se não tivermos o mapa da intuição no bolso dessas calças de ganga, que miraculosamente ainda nos serve (o bolso não as calças). O modo como governamos e somos governados, no dia a dia, sem qualquer conotação politica ou ideológica, faz-me pensar na vida.
Nas linhas das mãos e nos traços dos pés, vagueiam vagões de comboios a vapor, desses tempos em que era impossível descarrilar e há tanta coisa que gostava de mudar… mudar em mim, nos gestos, nas palavras, no absurdo…  mas mudar o quê? Se as linhas se mantém apesar dos comboios agora serem outros, ou não existirem comboios sequer. Fazer de consciência e  de coração, oferecer o melhor de nós, para nós e para os outros, é hoje, quer se acredite ou não, uma quimera e a grande diferença entre o ficar e o partir e eu não sei bem porque ainda estou por aqui.Às vezes basta parar e escutar! 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dia de conhecer os pais


O mais curioso, o mais enigmático, o mais pitoresco,..., o mais curtido de mais um Dia do Pai é que graças ao mundo virtual, não só fiquei a saber como muitos partilharam os seus dias, as lembranças que ofereceram, ou as memórias que revisitaram, como conheci o rostos de muitos pais até então desconhecidos para mim... e isso tem muito de ternura e um gosto de Primavera.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Aquilo que juntamos, nós somos

Somos aquilo que juntamos, a frase parece demasiado feita para ser real, mas o que está para lá do que se lê nas linhas parece, parece-me, não com demasiada ironia, que há por aí uma forte obsessão de "conquista". E há tanta coisa que se perde.
A julgar por tantas atitudes e vontades parece, parece-me que o conta, não é bem a qualidade, o que importa, não é exactamente a forma ou o conteúdo, mas sim a velocidade com que se produz e mais importante, se mostra ao mundo primeiro. Será possível desbravar outros territórios? Podemos ao menos respirar um pouco?
Longe de uma memória colectiva e num entendimento mais perto da loucura do que de um sofismo., somos garantidamente..., não no sentido físico das palavras, como o entrelaçar de duas mãos, ou, no sentido poético, de um belo versar de palavras, aquilo que juntamos.
Quando conseguimos olhar para além da comida que nos servem à mesa, percebendo quem colocou a semente na terra, colheu, descascou, cozinhou, serviu à mesa e ainda teve tempo para limpar a cozinha..., um ilustre desconhecido a dar o máximo ganhando o mínimo num restaurante estrelado. Quando nos importamos, somos garantidamente aquilo que juntamos e aquilo que juntamos é amor.


quinta-feira, 9 de março de 2017

Leituras Motivacionais / "Mutilacionais"


No outro dia dei por mim na biblioteca, que habita no piso abaixo do chão da minha casa, a folhear (diferente de desfolhar, tantas vezes erradamente usada no nosso vocabulário), livros que ensinam a ser rico depressa, (não confundir com procedimentos de algumas figuras, no sentido figurativo e idealmente tóxico da palavra), que nos direccionam por caminhos curtos de ascensão rápida, que nos instruem a ser bons, o máximo, os melhores, The Best e tantas outras preciosidades, que não convém revelar, pois não queremos fazer diminuir os hábitos de leitura, pelo menos não deste blogue. Mas alguém o lê?!! Sem querer generalizar e admitindo que se os tenho na biblioteca, é porque provavelmente existe um lugar para eles, e que naturalmente isso me obriga a reflectir...Cá vai disto: Os livros de auto motivação ensinam-nos a saber aproveitar as oportunidades, mas o que os livros de auto motivação não nos ensinam é que as oportunidades não nos caem no colo, que é preciso criar oportunidades para que elas realmente surjam e para que isso aconteça e sem nos darmos conta estamos a ler livros de AUTO MUTILAÇÃO|

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia da Mulher - Aqui vai disto com humor

Ler a receita e não segui-la, amassar a massa, fazer o bolo e comê-lo numa só dentada, sem ter medo de ficar engasgado e de cuspir as migalhas para o mundo em forma de palavras... aqui vai disto...

As mulheres actuais lutam pelo sofá da sala, por carros com maior cilindrada, pelo direito ao orgasmo, pela sua masculina feminilidade… 
Para assinalar esta data o "Catirolas" escolheu cinco das mulheres mais influentes de Portugal. 
As nossas mães, pelo carinho de estarem sempre presentes.
As nossas avós, pela sabedoria, por nos guardarem os ovos caseiros e queijinhos de cabra, e nos matarem de beijos sempre quando as vamos visitar. 
As nossas amigas, pelo companheirismo e cumplicidade, por nos darem a roupas que já não lhes serve, por nos dizerem que estamos mais magras e belas, (mesmo que não seja verdade). 
As outras mulheres do mundo laboral, por nos fazerem manter os níveis elevados de desempenho e rigor, e nos despertam a ambição e por fim...
As EX dos nossos homens, por lhes terem dado motivo de comparação e por lhes terem ensinado que este amor, é algo que só nós lhes podemos dar.

No dia 8 de Março comemora-se o dia das Nações Unidas para os direitos da Mulher. A data foi adoptada em 1975, e visa lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas ainda estão sujeitas por este mundo.
Este dia tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. 
Actualmente essa luta continua a existir, luta diária contra o “machismo” económico, politico e social, que ainda está muito enraizado no "homem", como ser humano, independentemente do sexo, ainda que com uma melhoria significativa.
Cartaz soviético de 1932.
 Em vermelho, lê-se: "8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha."
 Em cinza: "Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho doméstico!"





domingo, 5 de março de 2017

Humor negro

Amanhã é segunda feira, a primeira depois do Carnaval.
Agora que já despimos as máscaras, ou em muitos casos, as voltámos a vestir.
Concordem ou não... vale a pena refletir.

Ninguém é completamente inútil... pelo menos serve de mau exemplo.
Errar é humano, mas achar de quem é a culpa parece ser mais humano ainda.
O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.
Quem sabe, sabe e quem não sabe é provavelmente chefe de alguma coisa.
Deixar a bebida é bom, mas é bom lembrar também onde a deixou.
Existe um mundo melhor, mas é caríssimo. 
Existem três palavras que abrem e fecham muitas portas. Puxe, Empurre e (des)honestidade.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Bate-me todos os dias mas ama-me uma vez por ano.


Considerações sobre o dia dos namorados.
Bate-me todos os dias mas ama-me uma vez por ano!!!
O amor não necessita de dias específicos, quando se gosta, gosta-se todos os dias. Não vale a pena celebrar o amor num dia, quando se passa o resto do ano com intenções e acções que em nada o dignificam e não é um presente ou uma saída, naquele que é para mim, um dos piores dias do ano para comemorar o que quer que seja a dois, onde tudo é melancolicamente meloso, onde os restaurantes estão atulhados de pares, e tudo parece fútil, demasiado comercial e desinteressante, que vai colmatar uma ausência de vários dias, meses, anos de vazio, de indiferença...
Um romantismo que nada tem de genuíno e único, como o amor deve ser.
Se sou romântica? Sou.
De tal forma que comemoro o dia dos namorados todos os dias, seja 14, 21, ou 31 de fevereiro, com aqueles que residem no meu coração, longe ou perto, com aquilo que me ensinaram e que ainda estou a aprender sobre o amor e o verbo amar.

Foto: Catirolas a celebrar o dia dos namorados fora do dia dos namorados

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Ladeira

Ladeira após ladeira sem olhar para trás, sem pressentir o sol que tapava momentaneamente a lua como se quisesse deixar uma mensagem, levantou-se um ar... talvez o vento. 

Todos os dias sentimos dúvidas e pregamos certezas.
É preciso muita coragem para enfrentar as imperfeições e as desilusões. 
Porque somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo? De madrugada somos zombies, de manhã profissionais (in)competentes, ao crepúsculo queremos chegar a casa para sermos amantes e cuidar dos nossos filhos, um pouco antes de voltarmos a ser zombies novamente.
Porque não somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo? Avaliados diariamente com inveja, crítica, carinho ou curiosidade mórbida, vítimas e criminosos de um constante big brother, que pode ou não atingir-nos. Felizmente, a maior parte das vezes, tudo isso faz parte da nossa cadeia alimentar, onde podemos comer e vomitar a seguir, ou então optar simplesmente por fazer dieta, a diferença está naquilo que damos importância e que nos pode ou não realmente afetar. Aconteça o que acontecer, seguir em frente é sempre opção, seguir caminho sem esquecer que os "pés" também podem pedir desculpa e dizer obrigado. 
Desculpem esta ausência, obrigada por ainda estarem aí. 

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...