sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dia do chimpanzé

Hoje vamos falar do dia do chimpanzé, pela lição de vida relatada numa história real, alvo de estudo e investigação por parte de vários Primatólogos, entre eles Cláudia Sousa, da Universidade Nova de Lisboa, que assistiu a parte dos acontecimentos, e que contribuiu para o trabalho publicado na revista “Current Biology”

Numa floresta da Guiné, devido a um surto de uma doença respiratória semelhante à da gripe, foram mortos 5 chimpanzés, entre eles duas crias, Jimato (com um ano e dois meses de idade) e Veve (com dois anos e seis meses.
O que esta história tem de especial é que as mães destas duas crias não queriam deixar partir os filhos mortos, transportando os seus corpos durante semanas, meses, para todo o lado.
Os corpos, durante o período em que foram transportados mumificaram, mas as mães exibiram cuidados para com eles, os mesmos cuidados que tinham com as crias vivas: cataram-nas, transportaram-nas para todo o lado nas suas actividades diárias, e levaram-nas, nos períodos de descanso, para os seus ninhos diurnos e nocturnos, como se não quisessem aceitar a sua morte.
O corpo de Jimato foi transportado durante 68 dias depois da sua morte, o de Veve foi transportado durante 19 dias.

Um caso igualmente raro foi o que aconteceu na Escócia, no parque zoológico de Blair Drummond, perto de Stirling, a resposta extraordinária dos chimpazés, Rosie; Blossom, e o filho desta, Chippie; a um dos seus parentes, Pansy, mãe de Rosie, que se encontrava a morrer de forma serena.
A dada altura Pansy começou a ficar letárgica e os chimpanzés começaram a ter um comportamento calmo e passaram a dedicar-lhe muita atenção, como se de alguma forma soubessem do seu estado: catavam-na e faziam o ninho para se deitarem perto dela.
Minutos antes de morrer cataram-na ainda mais como se estivessem a verificar os seus sinais vitais e assim que morreu afastaram-se e deixaram de o fazer, apenas Rosie permaneceu quase toda a noite junto do corpo da mãe. Nessa mesma noite os chimpanzés tiveram um sono agitado, mudando várias vezes de posição. E, de manhã, muito calmos, limparam as palhas do corpo de Pansy.
 "Silenciosamente, observaram os dois tratadores a levarem Pansy, a colocarem o corpo num saco e a carregá-lo num veículo, que depois se afastou."
Durante cinco dias consecutivos, nenhum dos chimpanzés fez o ninho perto do local onde Pansy morreu, como se quisessem deixar intocável o sítio associado à morta. "Durante semanas após a morte, permaneceram sossegados e comeram menos do que o normal", acrescenta a equipa. "Sem símbolos ou rituais relacionados com a morte, os chimpanzés exibem vários comportamentos que fazem lembrar as respostas humanas à morte de um parente próximo."

Esta história vem levantar questões relativamente à consciência da morte por parte dos chimpanzés. Este tipo de comportamento que é raro, mas que acontece, leva a crer que eles têm alguma compreensão da vida e da ausência de vida, semelhante à dos humanos.
Uma coisa é certa e real, a ligação que existe entre a mãe e as suas crias é extremamente forte, tão forte que muitas vezes ultrapassa a ligação que existe no comportamento humano, na verdade, esta história poderá servir para consciencializar os humanos para o seu próprio comportamento, e a forma como muitas vezes as mães tratam os filhos, e vice-versa. A relação parental que em alguns casos é apenas uma fachada, lembrada num único dia instituído pelo comércio para incrementar algumas vendas…
É caso para dizer: e OS MACACOS SÃO ELES?


A chimpanzee mother, Vuavua, chases away flies circling the body of her dead infant, Veve, at Bossou, Guinea. She uses her hands and a twig tool (a fly-whisk).
Veve died two days previously, of a respiratory disease. Vuavua continued to carry her dead infants body for a total of 19 days after death, during which period the corpse mummified.

Fonte da Noticia: Current Biology
Vídeo: http://www.cell.com/current-biology/Chimpanzee_movies).


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pastéis de Nata

Silêncio que os pássaros vão começar a encher o bico.
São indiscutíveis os sentimentos que nutrimos, quando o comboio da gula descarrila à nossa beira, não fosse dia de greve e tudo isso era impossível, mas como diz a publicidade (impossible is nothing).
Não entendo, juro que não entendo, a prontidão com que me queimas a língua tatuada de paladares pornográficos, com pretensões que cheiram a canela e que sabem a gostos de outro mundo, não entendo mas gosto muito.
Por isso, mais uma vez, sentei-me nos azulejos dessa casa azul, mais conhecida que o Mosteiro dos Jerónimos, e rendi-me ao perfume, ao calor, à textura, à doçura e à cremosidade únicas da tua pele.
Mordi-te vorazmente com os meus lábios, a minha língua; com todos os sentidos do meu corpo que são incapazes de te tocar, mas que ainda assim me entendem perfeitamente, não tivesse o teu sabor guardado no meu paladar; mordi-te  e entreguei-me à "Ménage à Trois"...
Entreguei-me completamente e sem remorso, culpa ou preconceito… deixei-me enrolar à primeira, conquistar à segunda, e engordar à terceira.




 
 
 
 
 
 
Imagem: Internet

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Hoje é assim

Depois de ter tido um choque em cadeira com dois cães raivosos, de ter lido o DN, o JN, o Público, o Expresso… e outros tantos jornais com nomes masculinos, lá enfiei “5 dropes de mentol “ pela goela abaixo e vim para aqui escrever disparates… ou talvez não.

Hoje é assim.
O Cenário para Portugal não está famoso… a bolsa entrou em queda, mas não vamos falar disso pleaseeeeeeeeeeeee.

Arte
Transformada num símbolo da sétima arte, o famoso letreiro de Hollywood corria, até ontem, risco de desaparecer devido a um projecto imobiliário, mas uma doação do fundador da Playboy, no valor de 900 mil dólares (675 mil euros) salvou o ícone do mundo do cinema.
Curiosamente, foi precisamente um projecto imobiliário criado em 1923, com o nome de Hollywoodland, que lhe deu vida. Mais tarde, em 1949, a Câmara de comércio de Hollywood assinou um contrato com a cidade de Los Angels, para restaurar as letras e retirar as 4 últimas, dando assim origem à inscrição conforme a conhecemos hoje e que ficará para sempre no nosso imaginário cinematográfico. Ainda bem que foi salvo.

Arte
Lembram-se do famoso vulcão islandês que bloqueou os céus europeus na semana passada? Pois é, parece que durante esse tempo, a famosa marca suíça Romain Jerone, foi até lá recolher pedras vulcânicas e poeira para fazer mais um dos seus famosos relógios. Esta marca é conhecida pela criação de outros relógios igualmente originais, tais como, relógios feitos de peças do navio Titanic e com poeira Lunar; agora tem mais um para juntar à lista. http://www.romainjerome.ch/
O preço ainda não foi divulgado mas presume-se que seja tão violento como as cinzas expelidas do vulcão.

Arte
Para terminar a ronda noticiosa de hoje, e porque está quase na hora do almoço.
Na eleição habitual promovida pela revista britânica, “Restaurant”, o Restaurante Nona, em Copenhaga, Dinamarca, dirigido por René Redze, foi eleito o melhor do mundo. A escolha é feita por um júri de cerca de 800 pessoas. Um corpo profissional de inspectores visita os restaurante sob o anonimato (tipo cliente mistério). Pagam as suas contas e fazem relatórios de cada visita. No caso da Restaurant, segundo a revista, "não há lista de nomeados; cada membro do painel internacional de votantes faz uma escolha pessoal de cinco restaurantes". Mais: "Podem votar num máximo de dois restaurantes da sua região, os restantes votos são atribuídos fora dela. Ninguém está autorizado a votar no seu próprio restaurante e os votantes devem ter comido nos restaurantes que escolhem nos últimos 18 meses.
E o que se come por lá? Segundo os críticos o chefe do Noma “elabora pratos muito técnicos com uma notória preponderância vegetal, presididos pelo equilíbrio, a pureza e o contraste de texturas”, "Um exemplo da sua cozinha é o bacalhau preto com pétalas de rosa e molho de mel fermentado ou a salada de raízes e rebentos vegetais com tempero de essência de terra. A comida do Noma não é parecida com qualquer outra."
Só não entendo porque é que Portugal, com uma cultura gastronómica tão rica e variada, não consta nos 50 da lista. O concurso foi viciado, só pode! 
O preço médio de refeição é uma obscenidade à nossa carteira, por isso não vou divulgá-lo, deixo penas aqui o site do restaurante se quiserem consultar http://www.noma.dk/
Depois disto fiquei com fome… acho que vou lá fora comer um carapauzinho seco.


 
Fonte das Noticias: Público

terça-feira, 27 de abril de 2010

Três segundos

Estou procurando pelos anjos na tentativa de encontrar alguma paz.

Sentada na ombreira da parede de pedra sinto o chão vibrar com o peso da responsabilidade de gente crescida com olhos de criança, porque assim sou eu.

A cada canto, um recanto. Em cada recanto, um canto amargurado de pessoas que sonham, mas que em vez de lutarem pelos sonhos, compram um seguro de vida para assustar a morte, tendo como prémio extra, um computador com ligação directa ao inferno.
Numa montra irracional, uma pilha de sandálias com etiquetas perdidas entre vários zeros, acena com provocação, a uma garota que procura um par de ténis para jogar à bola com o irmão, mas que a imaginação e a pobreza, a levam a jogar sempre descalça.
Mudanças inoportunas obrigam a fazer a corte ao cabelo ondulado, com gestos demasiado radicais para o tempo e para a época, mas que ainda assim a uma só voz gritam: “Cavalheiro procura donzela para relação séria”.
Do outro lado do mundo a mensagem é interceptada. “Vamos marcar um encontro”.
A dança começa com um passo pequeno, aumentando de intensidade conforme a música e a intimidade corporal. De um lado, um homem apessoado na casa dos 50. Do outro, uma criança, menina, mulher a atirar para os 16 anos, mas que ainda não saiu dos 12.
Socorro! Alguém grita! Qual é o cabo?
Onde se pode desligar a corrente do horror?
Não pode!
Tardiamente cedo, a percepção do que acontece, é sempre um segundo a menos, do minuto a mais que a hora gerou… e a criança imaginativa, que queria uns ténis para jogar com o irmão, compra uma dúzia de pares de sandálias de salto alto, com o dinheiro que o “Cavalheiro”gentilmente lhe deu, incluído no pacote do seguro de vida e do computador, com ligação ao inferno, para a sua mãe, que aceitou o negócio sem remorsos ou hesitação, assim que enfiou numa caixa preta com um laço cor-de-rosa, os sonhos, e esqueceu que um dia teve nas suas mãos a pureza de um vida… 3 segundos.

Imagem: Internet

segunda-feira, 26 de abril de 2010

30 linhas

Vim esta manhã em sacrifício procurando não falhar com as palavras.

Enquanto o meu amigo calázio, já quase a desaparecer, me olha de soslaio por cima da pálpebra direita, desconfiado daquilo que eu vou dizer sobre ele, eis que este fim-de-semana recebi a visita de uma ruptura de ligamentos, veio discreta, mas muito segura complicar-me a vida de atleta das horas vagas, felizmente que já não vejo o filme “transportes públicos hora de ponta 3", que pioram substancialmente em dias de greve.
Sou uma privilegiada, não só porque vejo o mar todos os dias, e hoje está “maravilhásticamente” blue, mas porque demoro oito minutos, a percorrer de carro, os cinco quilómetros que me separam o trabalho do lar.

A coxear e com a dificuldade própria da falta de cafeína, cheguei e coloquei os óculos de sol, para não perder pitada dos acontecimentos que fazem a ordem do dia, mas, lamentavelmente, não parece que suceda algo que valha a pena incentivar à leitura deste blogue, na verdade nem sei porque o fazem, creio que não vos pago, nem  escrevo assim tão bem... mas na dúvida, não vão vocês não ter nada para fazer hoje, aqui vai uma notícia que me proporcionou o único exercício que me é possível fazer, nos próximos 15 dias, RIR.

Os policias da Índia acusam as formigas de terem feito evaporar 24 quilos de haxixe que se encontravam apreendidos na esquadra de Goa.
Os agentes da esquadra da polícia não conseguiram arranjar melhor desculpa para o desaparecimento de tão grande quantidade de droga, justificando-se com as formigas.
Segundo fontes pouco fidedignas, algumas foram mesmo apanhadas a enrolar as brocas para as fumar logo de seguida.
Claro que esta desculpa ridícula não convenceu as autoridades da Índia, que abriram um inquérito para apurar o que realmente aconteceu e se existe corrupção e contrabando por parte de alguns agentes, até porque ao que parece a droga foi vista a circular novamente no mercado negro.
…30 linhas depois…
Notícia de última hora: As formigas foram ilibadas, mas a minha ruptura de ligamentos não.




Fonte da Noticia: TVI 24 (quem mais?)
Imagem: Internet

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pedido

Se me amas...

Eu bem queria trazer um travesseiro nos braços e viajar para o país dos sonhos… mas fui acordado abruptamente pelo pesadelo de te ter e de não te ter…

Percorrendo um trilho sem sentido, os meus pés queixam-se porque fui longe demais e agora estou num lugar onde não posso voltar.
Perdi-me.
Desorientei-me nos caminhos que o destino me colocou nas mãos e que eu troquei pelos lugares e os sabores diabólicos num dia de sol, convencido que eram tesouros preciosos, agora, são apenas dores dilacerantes que me fazem chorar mas que não me fazem mudar. Mordo os lábios silenciosamente, sabes? Sabem a tequilha, frutos silvestres, tabaco e sexo. Tenho um orgasmo logo ali… e fico envergonhado porque na rua, os pássaros livres perceberam a minha pretensão de voar para o beirado da tua beira.
Perdi-me novamente.
A dimensão do universo tem o tempo que levou o presente da minha alma ao seu canto mais secreto.
Imploro-te!
Revela-me os segredos da geleia de névoa, antes que o fumo me consuma o resto do cansaço na estação em que te perdi.
Peço-te!
Se me amas,
diz que me amas,
se não me amas, deixa-me ir.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: Internet

quinta-feira, 22 de abril de 2010

No dia Mundial da Cannabis

Em San Diego - Califórnia, um empresário estatal acaba de lançar um novo conceito de férias: O turismo cannábico.
Dennis Peron, um famoso líder do movimento da marijuana no estado californiano, inaugurou em Los Angeles, no dia 20 de Abril, Dia Mundial da Cannabis, (mas será possível que até a Cannabis tem um dia?) um hotel preparado para os fumadores desta droga.
A sede do Imóvel é o legendário Hotel Normandia,  uma luxuosa residência dos anos 20.
O hotel, que levou um Face Lift, está longe de estar completamente renovado, havendo ainda muitos quartos para restaurar, no entanto isso não impediu, com susesso, a sua reabertura.
Procurando manter os traços essenciais, os visitantes poderão contar com quartos rústicos e hippies e salões de fumo. O único requisito para o uso do hotel, é trazer “charros” em quantidade e vontade de fumar.
O preço de duas noites, num pacote promocional, ronda os 320 euros.
Segundo palavras de Peron, o responsável pela ideia, “Não se pode ser mais social do que com a marijuana, o hotel é apenas uma extensão disso”
A Califórnia é um dos 14 estados Norte Americanos que permitem a cannabis para uso medicinal, principalmente para apaziguar a dor de algumas doenças e abrir o apetite dos pacientes, no entanto o seu uso, como é normal, mesmo em locais onde é permitido, é sempre alvo de controvérsia.




Fonte da Noticia: Los Angeles Times
Imagens: Internet

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Linhagem

Era ela, tinha a certeza, mas na dúvida... era ela, a mulher mais bela que alguma vez tinha visto. Olhos claros, pele enrugada, barriga flácida e umas pernas esguias que não escondiam a passagem da idade, apesar do bom estado de conservação. Retratos de um caminho percorrido, nem sempre brando no passeio da idade, como um carrossel que anda às voltas, às voltas, e que ao contrário do que se pensa, nem sempre acaba no mesmo lugar. Assim era a vida de Karol, correndo de um lado para o outro, tendo apenas como porto de abrigo, o quartinho no número vinte e sete, do sexto andar, da Pensão do Martim Moniz, sem elevador.
Tanto tempo à sua procura e agora ali estava ela, seria possível?!
Meio receoso e com o rosto suado de tanta emoção dirigiu-se a ela, e, com a coragem que o momento requer, lá disse a palavra de três letras, MÃE!
Ela, espantada, olhou para ele inicialmente num silêncio abrupto, mas logo prontamente lhe disse que estava enganado, que nunca tinha tido filhos e que não era a mulher que procurava.
Afinal como poderia ser? Tanto sofrimento ultrapassado, e agora ali estava ele, fruto do único homem que amou na vida e que cedo a desgraçou, como se atreveria a querer estragar-lhe a vida.
Desanimado, pouco convencido mas rendido à sua repulsa, virou-lhe costas e continuou o seu caminho.

Era ela, tinha a certeza, a mulher mais bela que alguma vez tinha visto, mas na dúvida… não podia ser, afinal, a única semelhança entre eles era a tonalidade de olhos, a rugosidade da pele, a barriga flácida, as pernas esguias e até o bar onde trabalhava todas as noites, vendendo o corpo a copos de prazer, não era muito diferente da esquina onde ela parava, por isso tinha a certeza que não era ela, mas na dúvida... como poderia não ser?

Na minha sonolenta solidão de hoje.
Tão longe como a distância da estrela a quem pedi um desejo esta noite,
estou pensando em ti,
Se querer amar-te é assim tão errado,
então meu coração não me deixa fazer o que está correcto.
"Catarina Reis"

Imagem: Internet

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hoje cheira a qualquer coisa indefinida

Ladeira após ladeira sem olhar para trás, sem pressentir o sol que tapava momentaneamente a lua como se quisesse deixar uma mensagem, levantou-se.

Todos os dias o fazemos, todos os dias nos cruzamos com alguém em situações diversas, sentimos dúvidas, pregamos certezas. Mundos que correm em paralelo e que nos desprezam ou que nos fixam a atenção, seja pelo cheiro bom a café de cafeteira, feito numa fogueira de lenha, a lembrar os tempos antigos, ou pelo sorriso dos peixinhos amarelos, na loja de animais. Há que seguir em frente.

É preciso coragem para deixar flutuar o ar fresco que se renova a cada manhã, interiorizar a energia que nos faz enfrentar as atrocidades da vida, a perseguição a que estamos sujeitos, os nossos sonhos, as nossas esperanças, e as nossas desilusões, as mudanças que ocorrem a cada segundo, e que não notamos no reflexo do espelho, mas apenas nos retratos de ano após ano. Somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo. De madrugada somos zombies, de manhã profissionais competentes, ao crepúsculo queremos chegar a casa para sermos amantes e cuidar dos nossos filhos antes de voltarmos a ser zombies de novo.

Todos os dias somos avaliados, no trabalho, na rua, no nosso grupo familiar e social; pelos colegas, amigos, vizinhos, … pelo resto do mundo; com inveja, crítica, carinho ou curiosidade mórbida; como se fosse realmente importante o que vestimos, o que fazemos ou para onde vamos. Somos vítimas de uma constante vigia social e profissional, que pode ou não atingir-nos, depende da importância que isso tem na nossa vida, felizmente a maior parte das vezes, essas pessoas fazem parte da nossa cadeia alimentar, por isso podemos comê-las.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: Internet

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Em Directo do Vulcão

Pensamento positivo sobre o encerramento do espaço aéreo:
A vida é uma infinita corrente de possibilidades, ontem apanhámos um avião para as férias de sonho e hoje prolongámos essas férias devido à erupção de um Vulcão na Inslândia. Obrigado mãe Natureza.

Em Portugal, uma hora a mais que na Islândia, já é possível acompanhar em directo a evolução do Vulcão Eyjafjallajökul.
Através deste site, (http://eldgos.mila.is/eyjafjallajokull-fra-valahnjuk/), e dependendo das condições atmosféricas, podemos acompanhar com uma visualização perfeita a sua actividade; são três webcams em três localizações diferentes. Clicando no lado esquerdo do site é possível alternar entre elas, por vezes a única dificuldade é o elevado número de visitantes, para contrastar com o escasso tráfego aéreo, que circula no ar por estes dias e que está a deixar as companhias aéreas em completo histerismo financeiro e os viajantes em aborrecimento crónico.
É incrível, mas hoje em dia estamos com tanta pressa de chegar ao nosso destino, que já não conseguimos programar a vida de outra forma, e quando surgem problemas deste tipo, ficamos perdidos, desorientados, como se fosse preciso ir a pé ou de carroça para casa, como se não houvesse amanhã, e amanhã para quê!? Se o que importa é o hoje, e hoje, a Natureza, segundo a perspectiva de Aristóteles, diz que, tem para tudo o seu objectivo.

Imagem: De uma das cameras próximas do vulcão









sexta-feira, 16 de abril de 2010

Confidências

Está vento na rua, uma ventania de arrancar os cabelos aos ciganos que cedo se puseram a montar as barracas, mesmo à porta do escritório onde trabalho…Disse bom dia às aranhas do canto direito, e às baratas do esquerdo, mas surpresa! Elas ficaram caladas, penso que estavam preocupadas com o encerramento do espaço aéreo, devido aquele vulcão na Islândia com um nome estranho.

São 9h52 tempo para “cafeinar”, antes de começar a analisar os papéis que tenho em cima da secretária, monocórdicos, aborrecidos, inúteis; espero um pouco mais, tão devagar quanto me é possível nesta terra sem stresse; ligo-me ao outro cantinho do mundo para falar um pouco com os colegas que ficaram para trás no caminho da vida, tenho saudades da presença deles, um abraço virtual não substituí um abraço carnal, ilusão de quem acha que a internet é uma porta para relações, mas falta-lhe o cheiro, o sentimento, a vibração, falta-lhe a humanização.

O relógio andou mais uns minutos numa melodia crónica, o telefone anseia tocar a todo o momento, peço à minha secretária para ver a minha agenda para hoje, mas desde que aqui estou nunca a cheguei a ver, mais uma Fashion Victim. Dizem as más-línguas, que um dia resolveu colocar dez ganchos de borboleta no cabelo e voar para outras paragens, foi até ao Promontório e… não aconteceu nada, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha, desde esse dia nunca mais ninguém a viu, diz-se que não morreu da queda mas que morreu da vergonha.

Bastantes minutos depois, olho novamente para os papéis, assim meio de lado e discretamente, não vão eles quererem dizer-me algo, concreto e preocupante. Tanta coisa para resolver numa sexta-feira, que não me apetece, mas tenho que começar por algum lado, então vejamos: 12h30 aula de Hidroginástica, 21h00 jantar na “Tasquinha”, depois, Submarinos (não os do Portas) mas os do bar da praia …. E não é que o dia corre logo melhor.
Bom fim-de-semana e até segunda-feira.

Glossário: Desenganem-se aqueles que achavam que um submarino era aquela bebida em que se metia um copo pequeno de tequilha dentro de outro maior com imperial e se bebia de penálti, Nada disso. O verdadeiro Submarino é uma bebida quente tradicional da Argentina e do Uruguai, feita com chocolate e leite.

Imagem: Internet

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...