sexta-feira, 4 de março de 2011

O poder da sexta-feira

Hoje é sexta-feira e como tal, não vou falar de juros, nem de encontros mais ou menos escaldantes entre uma Alemã formada em Física e um português quase formado em Engenharia política. (acabei de o fazer).
Foi uma semana um pouco atribulada pelos encontros mais ou menos casuais via telefone, como aqueles miminhos da mãe recheados de comida caseira, as palavras reconfortantes de uma amizade que vaporiza o coração, ou a busca interior do prazer exterior.
Enquanto olhamos orgulhosamente para o umbigo de uma barriga mais ou menos cheia, muitos são aqueles que se esquecem que a qualidade de vida, não é o dinheiro que se tem na carteira, ou o tempo que se demora a chegar ao local do trabalho, um carro e uma casa extravagantes, ou o status profissional. A qualidade de vida é essencialmente estar próximo de alguém a quem efectivamente se pode dar um abraço sentido, numa cumplicidade e proximidade capazes de silenciar o silêncio.
Resumindo, é sexta-feira e a única coisa que importa, é sentir, quantos amigos já abraçaste, verdadeiramente hoje, de preferência sóbrio pois claro.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vida selvagem

Somos um pouco como outros seres, gostamos de estar ambientalmente integrados:
No nosso trabalho, gostamos de ter um espaço onde o colega não esteja sempre a meter o nariz na nossa secretária, minuciosamente desarrumada, e a ouvir as conversas que temos ao telefone, mesmo quando é suposto falarmos com um cliente, em Inglês fluente (conforme consta no nosso CV), e só nos sai expressões tais como: aaaaaaaaaaaa...ok e nada mais.
Em casa, gostamos daquele canto do sofá, em que atiramos os sapatos para o ar, sem grandes preocupações gravitacionais e nos estendemos horas a fio a ver programas do tipo, pipoca, sem grande conteúdo ou valor, apenas pelo prazer da distracção, antes de alguém chegar a casa, 5 minutos depois, e nos perguntar, o que é o jantar?
Na vida social, queremos ser convidados para as melhores festas, estar sempre em cima do acontecimento, queremos estar presentes, apesar de para grande parte de muita gente, isso se resumir a ter uma página no facebook, ou em todas as que existem, pertencer a várias salas de chat, e vestir-se a rigor para aparecer "bem" à frente do computador.
Somos um pouco como outros seres, tal como este Panda, rebolando na neve artificial, criada no Zoo San Diego na Califórnia, que procura proporcionar a estes animais, condições idênticas às que teriam no seu habitat natural, neste caso da China, de forma a melhorar a sua felicidade e integração.


Foto: Karl Drilling do Panda Su Li 

terça-feira, 1 de março de 2011

To my best friend

Há amizades que são feitas de copos, de borgas e de saídas, e outras que são feitas de partilhas de risos, de dores, de cumplicidade e carinho, onde ambas podem conviver, mas não se podem comparar. Um amigo só se torna realmente importante, quando mesmo na sua ausência, longe dos nossos olhos, somos capazes de o sentir presente, e de ter a certeza que a qualquer hora do dia, ou da noite, ele estará lá sempre para nós, assim como nós também estaremos para ele. Afinal as amizades não são mais do que pequenos nadas em que cinco minutos valem mais que uma vida inteira.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A febre de 3D

Primeiro vieram os filmes em 3D, depois vieram as televisões e os óculos para ver em 3D, agora existe uma empresa espanhola "Por tudo o que vivemos"  que foi mais longe, e organiza funeráis em 3D. Arrepiante? Eu explico.
Então o "futuro morto" só tem que escolher, o caixão, as decorações, as flores, a música, e até uma mensagem para deixar pós-morte no Facebook aos seus "amigos".
Depois da escolha destes e de outros pormenores a empresa elabora um vídeo em 3D para ser visualizado pelo cliente, antes de morrer, assim esperemos claro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Como impulsionar a economia

Pois bem, depois de uma análise exaustiva a tudo o que é catálogos, contendo flores, acessórios e ferramentas de jardim, daqueles cuidadosamente depositados na caixa de correio e que só servem para reciclar qualquer coisa, ou para colocar os dejectos da Kikinha.
Depois de vários fins-de-semana passados em roteiros de lojas, longos e cansativos percursos procurando, comparando preços, investigando, analisando: eficazes sistemas de rega, gota a gota, proteínas ecológicas para plantas, mobiliário de exterior e ferramentas, resmas e resmas de ferramentas para estas e outras obras do tipo "faça você mesmo, força que é capaz", chegou-se à conclusão que afinal o trabalho, vai ser adjudicado a quem realmente diz perceber do assunto:  "Ao homem das obras".
Agora só falta pedir ajuda a um especialista em arrumação de garagens, para colocar em exposição, todo o material e ferramentas compradas na altura do "Faça você mesmo".

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O cumplice do Kadafi

Os portugueses pela Turquia estão de regresso a casa pelo tempo que "Alá" decidir. Dizem os especialistas em catastrofobias.
Depois de um almoço ocasional com um Libanês, num restaurante Americano, servido por um Francês e acompanhado por um vinho Português, surge a noticia que estão a roubar tampas de saneamento em Chaves, (30 no espaço de duas semanas) fontes próximas indicam que esta acção é o culminar de uma estratégia entre Muammar Kadafi e José Sócrates, que visa, entre outras coisas, exportar as tampas para a Líbia com o intuito de servirem de escudo ao ditador e aos seus apoiantes no confronto com os manifestantes.

Nota: Informo que a parte do texto referente à exportação das tampas é apenas ironia, pura e dura... mas nunca se sabe se a moda pega.


"Não deixarei a Líbia. Morrerei como um mártir"

Imagem: Internet





segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A geração 3D sem óculos

Primeiro éramos a geração rasca, agora somos a geração à rasca... Resolvemos sair, em tempo certo da casa dos pais, mas continuamos a usufruir dos vales de desconto para a gasolina, das caixas de comida pré-cozinhada, e até de algum apoio financeiro, se tivermos sorte, de alguém que maioritariamente, estudou menos que nós, que trabalhou muito, é verdade, mas que conseguiu reformar-se na idade certa, e que apesar de tudo ainda consegue ter um ordenado superior ao nosso.
É duro, mas neste momento a nossa vida profissional é uma caixinha de surpresas a várias dimensões e perspectivas, mas acho que a culpa não é bem da crise, esta serve apenas para justificar a incompetência, basta olhar para os carros, casas e restaurantes onde o luxo impera, e curiosamente, estes são os mesmos seres que no final do mês nos pedem sacrifícios que declaram falências, e que adiam os pagamentos e que enganam e torturam-nos com palavras mansas. Uma realidade ilusória que muda assim que mudam as vontades, porque os tempos, os tempos é desta maioria que à rasca ou não, consegue fazer o que outros se recusam, afinal a única coisa que sabemos fazer. Lutar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Em desacordo com o acordo

Apesar de andar preocupada com a horta no quintal, que lá vai dando umas couves para comer às lagartas e de andar atarefada com as teses pessoais que sou "obrigada" a elaborar diariamente por força da ocupação profissional, ainda assim, descobri através da leitura mais atenta de um artigo do jornal "Expresso", que quando em 2015 a transição para o novo acordo ortográfico estiver concluída, terei que voltar a ter aulas de português, porque não saberei mais como escrever, e simultaneamente agendar várias consultas de psiquiatria porque na minha cabeça, vai ser difícil introduzir mudanças tais como: dececionante, autorrádio, comboio e tantas outras.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O desafio

Por vezes estamos tão compenetrados a tentar satisfazer os devaneios da vaidade do nosso umbigo, que nos esquecemos que a única coisa que nos mantém à tona, é essa jangada de vontade e de força permanente que por mais que o mar a embale violentamente nos seus braços de espuma, e as rochas lhe beijem as “Mimburras” permanecerá para sempre em terra firme, sem comprimidos para o enjoo.

Glossário:
A jangada é feita, tipicamente, com 6 paus: 2 no centro (chamados de "meios"), 2 seguintes, dispostos simetricamente (chamados "mimburas", palavra de origem tupi), e 2 externos, chamados de "bordos". Os 4 paus mais centrais (meios e mimburas) são unidos por cavilhas de madeira mais dura que a desses paus. Já os paus de bordo são encavilhados nos mimburas, de modo a ficarem um pouco mais elevados.






segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O dia

É incontornável, por mais que se queira livrar dele hoje, é quase impossível.
É a rádio e as músicas românticas dos "Silencio quatro" e da "Rita dos sapatos vermelhos"; são as montras das lojas apelativas, com chuvas e chuvas de corações, os passatempos, as charadas, as reportagens e os programas temáticos, sempre iguais ano após ano; os restaurantes e os hotéis com as repetitivas ementas e programas mais ou menos picantes. Enfim, é o caos porque se fizermos uma análise racional, o dia de São Valentim, é o pior dia para se sair, com uma invasão extraterrestre de casais, que enchem os espaços vazios de momentos lúdicos e que curiosamente só parecem ter um dia especial, a dois, uma vez por ano.
Mas e para não dizerem que eu sou sempre a mesma criatura do contra e anti-dias instituídos deixo-vos uma receita especial para um dia diferente.

Cobra Frita:
Ingredientes:
1 Cobra preferencialmente preta (escarapão)
5 Dentes de alho médios
Sumo de limão ou vinagre q.b.
Farinha q.b.
Sal q.b.
Azeite q.b.

Corta-se a cabeça e a ponta do rabo e esfola-se a cobra. Limpa-se, corta-se aos pedaços e tempera-se com alho picado, sumo de limão ou vinagre e sal.
Depois de algum tempo temperadas, passam-se as postas por farinha e fritam-se em azeite
Bom apetite.

Nota: Receita e imagem tirada do livro "Marvão à mesa com a tradição"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mulher encontrada morta em casa 9 anos depois.

Estamos presente em todo o lado, através da internet e das redes sociais, através de mapas virtuais, através de telemóveis, da televisão, e de outras tecnologias ao dispor de um dedo... temos tantos amigos, tantos, quanto o nosso servidor pode aguentar, e sei que não depende do servidor, e simultaneamente vivemos num mundo onde morremos lentamente, onde somos factualmente esquecidos e onde esquecemos facilmente; os seres de carne e osso, a família, os amigos, os vizinhos, a sociedade, a realidade. Adormecemos num sono fictício e quando acordamos para a vida, estamos provavelmente rodeados da pior morte que se pode desejar a um ser humano, a solidão. Somos esquecidos durante nove anos, e ficamos ali caídos, sem que quase ninguém dê pela nossa falta, apenas com a companhia de um amigo, leal, que morre também, talvez de fome, provavelmente de amizade e dedicação, certamente de solidão e esquecimento também. Somos presumivelmente o ser humano mais desumano que existe, mas também sei que nem sempre é assim, e nem todos o somos, porque ainda há quem acredite e se importe realmente, e nessa vontade reside a esperança.

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...