Ainda não sei muito bem como vai ser, mas um blogue poderá ser uma transmissão de ideias e pensamentos diários.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
A complexidade da beleza
É
quase sempre assim, um pouco antes de entrarmos na Sealy Season e mergulhar nesse desfilar de bronzes, enchem-se os
ginásios e as ruas de corredores e desportistas compulsivos, tentando ascender
a corpos perfeitos, de uma venustidade comum, exigida por multidões.
"Agarrados", por um sentimento de beleza, derivado dessa ideia de
putrescibilidade difícil de parar e de superar, quando o que é belo poderá
perfeitamente perder-se entre o fragor do quotidiano e o fulgor de um olhar,
vestido e despido pelo ritmos dos dias, em que rimos e choramos com as estórias
surpreendentes, lidas para lá das entrelinhas, de algumas pessoas e de alguns
animais também, que nos dizem uma coisa mas que sentem e acreditam noutra, as
pessoas não os animais. E é nesse arroubo, algures entre o que se vê e o que
não se vê, que se encontra aquilo que mais próximo se pode definir de belo.
“Talvez demasiado
profundo e complexo para um dia como o amanhã”.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
A moda das Barbas na perspectiva da Catirolas
Os especialistas de moda dizem: "rapazes as barbas estão
ultrapassadas".
Mais que uma questão de moda, ou de estilo, a verdade é que a
maioria das mulheres não gosta de ver os "homens", em modo Talibã.
Pela quantidade de "barbudos", que actualmente coabitam
por metro quadrado, Portugal parece que virou, da noite para o dia, um país do
estado islâmico.
Esta tendência masculina não faz sentido, os rostos querem-se
lisos e livres de pêlos. Qual é o homem que gosta de passar a mão no pêlo de
uma mulher peluda? Pois é, nenhum. No caso das mulheres é igual. Claro que há
alguns homens que combinam muito mais com barba do que outros, e em que um
pouco de barba, lhes dá até um certo encanto, ou charme, mas são quase sempre sexy symbol. Seja como for
e porque não há verdades absolutas, gostar de alguém implica gostar das suas
perfeitas imperfeições, com mais ou menos barba, ou então não é amar, é uma
falsa verdade, tal como a música do Salvador Sobral, "Amar pelos
Dois", pois amar pelos dois, é amar a um só e isso não é amor é solidão.
E agora digam lá se este artigo não deu água pela barba?
Modo de sobrevivência
Gargalhadas de pés na areia perante um palco vazio invadem as parafinas dos sonhos. Ao fundo, esse cenário inóspito de um processo democrático demasiado burocrático para se esperar por ele.
Aos olhos dos Tukanos tudo é simples, social e espiritual...Estes animais frugívoros, só querem continuar a comer fruta, indiferentes ao aquecimento global, ou há desflorestação do seu habitat. Com eles tudo é natural, não entram em birras ou desavenças, do "pata aqui pata acolá".
Enquanto o mundo discute o que pode ou não continuar a poluir e a destruir, como se houvesse dúvidas em relação a isso, enquanto se aguarda pela "Lei de Trump" e tantas outras "Trumpalhadas" nada muda.
Reféns de mundo impiedoso e egoísta dessa sociedade suicida, estamos em modo de sobrevivência...
Aos olhos dos Tukanos tudo é simples, social e espiritual...Estes animais frugívoros, só querem continuar a comer fruta, indiferentes ao aquecimento global, ou há desflorestação do seu habitat. Com eles tudo é natural, não entram em birras ou desavenças, do "pata aqui pata acolá".
Enquanto o mundo discute o que pode ou não continuar a poluir e a destruir, como se houvesse dúvidas em relação a isso, enquanto se aguarda pela "Lei de Trump" e tantas outras "Trumpalhadas" nada muda.
Reféns de mundo impiedoso e egoísta dessa sociedade suicida, estamos em modo de sobrevivência...
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Criançada
As crianças de hoje crescem cedo demais.
Já não há brincadeiras na rua, pernas esfoladas e roupa suja e rasgada. Mas há telemóveis, jogos de computador e distracções à mesa do jantar.
Não há sol na pele, vento na cara... muitos dias de brincadeira, nesses onde os dias passavam devagar, naturalmente.
Agora as crianças levantam-se cedo demais, nessa longa jornada, onde cada vez menos, há espaço para brincar.
Como podemos ensinar as crianças a serem felizes, se não conseguimos aceitar, essa felicidade de ser criança toda a vida?
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Lisboa dos meus (re)cantos
Aviso à navegação bloguista: Vou escrever este "delírio", com consciência de que nos próximos dias não o vou fazer.
Sentados nos bancos do jardim a jogar à bisca, ou à sueca, indiferentes a essa agitação turística, (que passa bem perto da bainha das suas calças, feitas por medida, numa dessas alfaiatarias antigas, onde não se corta forte nem feio), ou talvez não, a avaliar pelo olhar guloso, mas sem malícia, que o senhor, ao lado das Chapelarias Azevedo, "uma das minhas lojas preferidas da baixa", lança às turistas de sotaque Inglês, de pele vermelha, olhos e cabelos claros e de perna longa, enquanto um pouco mais à frente, procuram a Ginginha do Rossio, sem reparar que fica ali mesmo, actualizada, bem diferente daquela, onde a ginginha era servida em copos de vidro, enxaguados na torneira, depois da ultima utilização, até vir a ASAE e exigir os copos de plástico, descartáveis, "mas garanto-vos que o néctar tinha outro sabor quando vinha nos tais famosos copos de vidro". O que me faz lembrar igualmente, essas noites icónicas da capital, como o Foxtrot, o Pavilhão Chinês ou o Procópio, da década de 70, e ainda de portas abertas. Lugares apaixonantes, a cheirar a aconchego, daqueles onde é possível dar beijinhos à media luz. Onde se tem que tocar à campainha para entrar, onde a música faz parte do espaço, sem o esmagar e onde nos sentimos como se estivéssemos em casa, sem lá estar, porque estamos num bar e o ambiente está lá. Re(cantos) que nasceram para serem descobertos e vividos por cada um à sua maneira...
terça-feira, 23 de maio de 2017
Esta mãe é para todos
16 dias depois do tal dia estipulado, essencialmente pelo comércio. Eis a minha homenagem às mães como sinto que deve ser, umas vezes mais ou menos declarada, mas todos os dias sentida.
Rica, pobre, branca, preta, amarela, magra, gorda e assim assim, moderna ou antiquada. Os adjetivos são "imensos", palavra que uso e abuso, não por ser tia, apesar de o ser de três belos sobrinho, mas por ser a melhor que define, o ter um coração capaz de albergar tal sentimento mastodôntico, que resumindo significa que uma mãe é mãe em qualquer parte do mundo, apenas variando pelo perfil dos retratos e pela descrição, tão vasta quanto esse amor, que torna tudo único e verdadeiro. Uma mulher que nos recebe de braços abertos e de coração cheio, que nos enche de comida, de miminhos e que nunca nos deixa ficar tristes...que nunca nos deixa (ponto).
Rica, pobre, branca, preta, amarela, magra, gorda e assim assim, moderna ou antiquada. Os adjetivos são "imensos", palavra que uso e abuso, não por ser tia, apesar de o ser de três belos sobrinho, mas por ser a melhor que define, o ter um coração capaz de albergar tal sentimento mastodôntico, que resumindo significa que uma mãe é mãe em qualquer parte do mundo, apenas variando pelo perfil dos retratos e pela descrição, tão vasta quanto esse amor, que torna tudo único e verdadeiro. Uma mulher que nos recebe de braços abertos e de coração cheio, que nos enche de comida, de miminhos e que nunca nos deixa ficar tristes...que nunca nos deixa (ponto).
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Voltar a casa
Saciando paixões de histórias reais, ultrapassando todas as regras e limites. Assim me sinto quando volto a casa, ao lar onde cresci, uma casa onde o quarto ainda guarda o cheiro a juventude, a primeiros encontros e a noitadas de estudo. Onde os móveis permanecem bronzeados por essa temperatura, que tantas noites me aqueceu e arrefeceu a alma, enquanto desenhava a vida, sem saber que a estava a desenhar.
Longe da fereza da brutalidade da partida, vem-me à memória a nostalgia desses dias. E que aperto de saudade!
Não sei quando me tornei emotiva...mas é nesse lugar, longe e perto, rendida à realidade dos dias, que me veste e me despe uma necessidade pura e recatada, da doçura de um abraço.
Longe da fereza da brutalidade da partida, vem-me à memória a nostalgia desses dias. E que aperto de saudade!
Não sei quando me tornei emotiva...mas é nesse lugar, longe e perto, rendida à realidade dos dias, que me veste e me despe uma necessidade pura e recatada, da doçura de um abraço.
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Essa gente que encontro por aí
Há dias em que os apertos de mão sabem a rododendros e as emoções se misturam com: "essa não é a minha tarefa" ou um "não tomo conta de ti".
Nesse mundo de tantos desafectos, desapegos e intolerância, estamos mais preocupados com os vírus que invadem os nossos mundos informáticos, que os que invadem a nossa vida real.
Não conheço nenhuma vida, e já tenho conhecido algumas, que viva sem a amizade, o amor, ou carinho de alguém, um só que seja. E há tantas vidas assim. Histórias de abandono, de malvadez, de não vidas e de mundos cintilantes, daqueles que parecem feitos de estrelas, mas que desaparecem no céu, mal nasce o sol e o sol nasce todos os dias.
Qual é a dúvida?
Se alguém contigo fala, é porque tem algo para dizer... sentimentos perdidos nesse mundo, onde saber escutar, pedir desculpa, ou preocupar-se realmente com alguém, honesta e sinceramente, parece ser cada vez mais uma quimera... e ainda jogamos no euromilhões, ou na raspadinha, quando o verdadeiro tesouro está no cruzar de um olhar, de um sorriso, ou apenas na capacidade de se dizer bom dia e obrigado... É tão simples não é?
quarta-feira, 17 de maio de 2017
A declaração do dia
Bruno Carvalho, presidente do Sporting Clube de Portugal veio ao facebook dizer que: "não vem mais ao facebook". Uma declaração que lhe valeu mais seguidores e gostos, que toda a época de jogos e resultados do sporting, convenhamos que isso também não foi muito difícil.
Apesar de o episódio ser muito engraçado, desenganem-se aqueles que pensam que isto não é um assunto sério.
Nas eleições presidenciais americanas, Donald Trump, utilizou de forma eficaz o FB, o Twitter e o Instragam com publicações diárias, mantendo e reforçando a força dos seus discursos e a ligação a todos os que o seguiam, e agora que foi eleito como presidente continua a fazê-lo. Claro com a ajuda de uma grande máquina de comunicação, uma equipa de profissionais que capta imagens e escreve o que convém, apesar de Donald ser também um "tubarão" do assunto, nada comparado com o que se vive em Portugal, onde muitas figuras publicas, mantêm perfis, muitas vezes pessoais, com "amigos" em vez de fãs ou seguidores, caminhando nesse terreno pantanoso e incontrolável, onde as emoções tornam-se difíceis de gerir.
No mundo virtual é muito complicado discernir quando a fronteira do pessoal, passa para a praça publica, que é no imediato.
No meio de toda esta reflexão a pergunta que importa...
Quanto tempo será que Bruno Carvalho vai demorar até regressar ao único campo em que teve mais gostos?
...e seja o que a noite quiser
À porta da taberna, nessa aldeia onde o betão parece adormecido e a tarde já vai alta, não se vai à missa, não se canta o fado, nem se veste a camisa do capitalismo, mas bebe-se um copo de vinho, ou dois, ou quantos se conseguir, enquanto se mordisca umas iscas com elas, mas sem elas e se comenta o jogo da bola.
Por detrás do balcão está um homem, com idade para não ser pai, nem filho da mãe, mas que o é, literalmente, por tanto mal ter feito a tanta gente.
A realidade parece ser demasiado violenta, mas é o que é. Aqui não há cenários burlescos, nem vidas cosmopolitas e as cadeiras não estão forradas de cetim vermelho perfumado, mas a esse forte odor a masculinidades, que a ténue luz não deixa escapar.
O tempo vai passando, enquanto a maior parte da acção se desenrola num dançar de copos: ora cheios, ora vazios e entra nesses corpos: ora soltos, ora apertados de almas: ora vestidas, ora despidas de preconceitos e de dinheiro, a respirar o chão e a amparar candeeiros que não existem, tal não é o tamanho da bebedeira.
Quando a embriaguez se transforma nessa personagem libertina que não consegue chegar a tempo à casa de banho, é hora de sair porta fora e enfrentar a noite... e seja o que a noite quiser.
terça-feira, 9 de maio de 2017
A fé dos carteiristas
É um assunto incontornável, Portugal prepara-se para receber o Papa Francisco e subitamente passamos de uma população maioritariamente católica, para outra esmagadoramente católica. Poderá ser apenas uma questão de semântica, mas a verdade é que se a fé de cada um, é inquestionável, questionável é no entanto o negócio que se vive à volta dos que acreditam, e eu acredito que Fátima vai encher-se de uma multidão movida pelo carisma do Papa Chico, pela força da fé e de toda esse mistério em torno de um amor gigante, difícil de explicar, muito complicado de desmontar, mas estrondosamente forte de sentir.
Fátima vai vestir-se de fé mas também de carteiristas: os carteiristas dos hotéis, dos restaurantes, dos pagadores de promessas, dos comerciantes de objectos de fé... e de tantos outros, vendidos como necessidades, que necessitamos necessariamente de saciar, enquanto saciamos essa outra vontade de amor, que o Santuário de Fátima encerra, porque seja fácil ou difícil de acreditar, já não é a ocasião que faz o ladrão, mas sim o espertalhão!
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