terça-feira, 29 de agosto de 2017

Incendios e incendiários

Hoje ouvi uma psicóloga dizer que é errado falar-se em "abertura da época dos incêndios" como se estivesse a falar da "abertura da época balnear". O pior é que infelizmente hoje não se pode considerar exactamente uma época especifica de incêndios, pois eles acontecem muito antes do inicio da época balnear e terminam também algumas vezes depois, por razões demasiadamente faladas desde que me lembro, muito antes do tempo em que a minha avó Helena, me dizia: "lá vem o avião dos fogos", uma frase que não vou explicar nem esmiuçar, muito menos pelas razões e circunstancias em que perdi a minha avó, já lá vão alguns anitos. Por isso e sem querer entrar muito neste tema concreto, ao qual, e por razões pessoais sou particularmente sensível, prefiro debruçar-me sobre outros fogos, mais ardentes ou escaldantes, como a queimura politica, que ganha outra dimensão, consoante se estivermos em épocas de grande calor politico ou não, como é o caso, ou ainda e para os mais românticos, debruçar-me sobre os incendiários do coração. Esses seres eivados de desejo, que ardem fogosamente, mas que não declaram expressivamente a sua paixão, por receio de dar ignição a vontades tardias, dessas duas mãos se entrelaçarem, na união dum projeto comum, que pode ser de amor, sem ser forçosamente amor a dois tempos, a tempo inteiro, ou até a tempo comum, mas que ainda assim... tem tudo para incendiar um faneco do coração.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Esse doce dilema

Por vezes esperamos tanto, de tanta gente e tanta coisa de gente nenhuma, que nos esquecemos do mais importante, dar! Dar um sorriso, uma palavra... oferecer a nossa presença. Num dar e estar sem cobrar, porque a vida é um doce dilema cheio de açúcar, que pode até fazer mal aos dentes, mas que faz muito bem ao coração. 


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Demasiado


Há dias em que nos sentimos engolidos pelo mundo, nesse cantinho, onde o cheiro a queimado não significa necessariamente que as torradinhas, para o café da manhã, viraram queimadinhas, porque nos distraímos com as aparências, que apesar de nada quererem dizer, querem dizer exatamente aquilo que mostram.
O que será que significa e qual a importância de se ser qualquer coisa na vida? Um homem demasiado bêbado de solidão e excessivamente sóbrio para amar.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Quando um não faz sentido, faz todo o sentido


Ás vezes tenho dúvidas... e se tenho tantas. Se estar na moda significa a cor de determinado item colorido fazer "pandân", com a cor de outro! Claro que não são essas as minhas duvidas, mas ainda assim são as únicas certezas sobre as quais me é permitido neste momento escrever. 
Sei que a vida não tem que ser chata ou aborrecida, não tem que ser feita de escolhas, entre o que está certo versus o que está errado... e este é um tempo, "calendariamente" falando, onde tanto teria para escrever, seguramente em anos de catirolices, no seu pleno, pseudónimo quase anonimato o faria sem filtros, mas agora é mais um exercício para quem me acompanha há tantos anos, (e eles sabem quem são) não por aqui, mas num período muito anterior. Na altura em que era uma personagem, mais ou menos com a mesma altura que hoje ainda mantenho, a brincar com as palavras, para um jornal nacional. E seis anos de brincadeira, até parece brincadeira. Alguns ainda terão algumas dessas relíquias guardadas por aí, tal como eu, mas que nem me atrevo a partilhar. Por isso e voltando ao assunto das leituras nas entrelinhas: se pensam que a vida na cidade é agitada, excitante e muito emocionante, experimentem acompanhar as eleições na santa terrinha. É de sublinhar que este post, não se refere apenas à politica, mas a todos os cactos eleitorais, incluindo fashion choices.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Reflexões sobre terrorismo

Passamos por eles, ouvimos apregoar por aí, escondidos em tendas, ou casas que parecem tendas, ou em casas que em nada se parecem tendas. Nem todos se vestem dos pés à cabeça, deixam crescer os cabelos, as barbas e os filhos e os filhos dos filhos e nem todos filhos da mesma mãe e muito menos filhos da mãe. Nem todos vivem na clandestinidade, comercializam armas, empunham armas...e se tornam armas. Nem todos atropelam pessoas com o mesmo rigor que lhes atropelam os sentimentos.
O mundo há muito que deixou de ser o que era, não apenas pelo terrorismo, muito presente, mas por culpa da visibilidade dos nossos dias. Somos vaidosos, tudo exibimos, tudo mostramos. Podemos não ser terroristas mas somos repórteres da morte. Usamos fechaduras para segurar os nosso bens, mas não hesitamos em expor as nossas vidas.

domingo, 30 de julho de 2017

Vaiar as vaidades


E o que fazer!!Hoje deu-me para isto!
Se tomamos comprimidos para dormir, pílulas para acordar, vitaminas para andar, cremes para acabar com as rugas, pastilhas para as dores nas costas, cogumelos para o envelhecimento, chás para emagrecer e tantas outras fórmulas milagrosas que nos tornará... mais qualquer coisa, que não percebo bem o quê, será que ainda temos tempo para viver com todas essas perfeitas imperfeições que a vida nos dá?

Vaidades!
Seres correctos no âmago da rua da soberba. Desejos emoldurados na sala de "estares" tu, eu e uma multidão, nas vestes pomposas, dessas linhas traçadas na palma da mão. E é fechando os olhos meus, que te vejo ocultar! E é silabando na vida que te julgo encontrar, diante do espelho, ou do reflexo regressivo, progressivo espampanante de qualquer outro lugar.
Vaias!
Navegações epopeias em barcos de muitos pontos e algumas virgulas, formas de olhar, sentir ou até de pensar, por breves momentos, a vida ávida de desejo por um rasgo de beleza eterna, onde as chicotadas psicológicas acontecem, momento após momento, no mundo pedestre, porque raras são aquelas
pessoas que usam os pés para andar e aquelas que usam o espelho para se olharem, realmente.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Vamos clonar a Catirolas?

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...quando as noticias ... são exactamente o que precisamos.
Li há dias que os chineses criaram o primeiro cão clonado com manipulação genética. Sinceramente não sei bem o que pensar sobre o assunto, mas parece-me que hoje em dia, a exigência é tão grande que, a simples clonagem, já não chega. Agora o que queremos é um cão com mais músculos, melhor olfacto e mais capacidade para correr, é este o objectivo da clonagem com manipulação genética: escolher.
Por mais que pense o quanto me daria jeito ter mais de mim, a realidade é que tenho consciência que, ter mais de mim, não seria assim tão bom, nem para mim, nem para os outros. Muito menos se tivesse a oportunidade de escolher ser alta, bela,... entre outros atributos físicos e psíquicos que não interessam nada, muito menos revelar.
São as imperfeições que nos tornam únicos e não há nada mais perfeito que essa realidade.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Meninos homens



Há dias em que me demoro a pensar mais do que me devia naquilo que vou escrever, com a consciência de ter que o fazer, por vezes de forma indirecta, apenas para aqueles que me conhecem e “me” conseguem ler nas entrelinhas, onde tudo o resto são palavras apenas, com o significado que o dicionário lhes deu

Um dia não muito distante entrei num lugar cheio de promessas, onde as flores rompiam os telhados de zinco e o mar entrelaçava-se entre as rochas, fundindo-se com o céu, em momentos de ondulação quase perfeita, tal como a simplicidade de quem oferece um sorriso e apenas isso e nada mais. Um sorriso e «chãos», onde os rostos negros se misturam com a areia quente de um abraço apertado, em crianças que não tiveram tempo de o ser. Um mundo onde a humildade não aumenta proporcionalmente ao envelhecimento, um mundo muito perto daquele por onde passamos diariamente e nada fazemos e eu também. Prisioneiros de uma sociedade que construímos, escondidos atrás dessa janela onde os meninos homens, olham os homens, os homens, olham para os meninos e nesse cruzar e descruzar de gerações é impossível distingui-los uns dos outros. 
As crianças também precisam de fotografias que não se imprimem ou publicam em lugar algum, amor!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Saudades


Quando não sabemos como nem onde o que procurar, mas sabemos o que procurar... não andamos perdidos? Talvez porque a vida, ao contrário de muitos acordares, remelosos, preguiçosos, ou mais enérgicos ou alegres...Não! A vida não é hostil logo pela manhã, basta olhar para os lábios dessa boca, o ex-líbris do corpo, em que parecem escorrer beijos proibidos... e não sempre esses os melhores e os piores? Tal como um olhar, esse cartão-de-visita, onde se pode ver e sentir tudo e ainda assim nada revelar.
Uma ilusão que matou milhões de corações, libertinos libertadores, tal como estar diante de uma pessoa que queria ir dormir sem adormecer, na impertinência de um fogo incompleto, escondido no saiote dessa saia, que à mínima brisa sacode uma pessoa fascinante, nem sempre fascinável à primeira vista, mas facilmente detectável pelo barómetro do coração.
É tão difícil conjugar uma alma sensível, com a beleza de alguém, porque não há maneira de saber o que se fazer com essa beleza, esconder-lhe ou dizer-lhe? Para os mais sonhadores, provar! Degustar esses lábios que parecem escorrer beijos, adormecer nesses olhos pintados de mel, sem pensar em tocar... podendo os dedos começarem a arder, (in) suficiente para um ancorar de saudades, nascidas nesse acaso, que persiste em tornar-se num para sempre.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Onde os caminhos de cabra começam...

Onde as auto estradas acabam e os caminhos de cabras começam já não zumbem as abelhas. Perderam o seu lar, o lugar onde poisar e o ar puro para respirar.
Há mais de duas semanas que só se houve falar em tragédia, morte, flagelo e fogo. FOGO! Que começa e acaba quase sempre da mesma maneira, uma ignição que depressa inflama com teorias, análises, comentários, criticas, debates e outros blá, blá blás. Dias mais tarde extinto na inércia de muitas palavras e poucas acções, repetindo-se o ciclo, anos após ano, seja em Pedrogão, Vila de Rei, ou Monchique.Ainda se lembram?
O que fazemos na terra, fica na terra. E essas gentes que vivem nesses lugares por onde agora, nem as cabras podem calcorrear. Por mais ajuda, mais solidariedade que recebam, não chega... pois não há quem apague esse negro da alma e lhes una as cinzas do coração.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vamos limpar sanitas?

Não há relações eternas, nem amores perfeitos... a frase até pode já vir em qualquer embalagem de comida pré-cozinhada, oferecida por um conhecido desconhecido, ou um desconhecido, desconhecido... na vida que vai e vem como o verão. E o verão, para além do aroma a sardinha assada, (deliciosas, diga-se de passagem), é propício a isso. A esses encontros mais ou menos escaldantes, a dois, a três, ou a quantos couberem na palma da mão e os pés conseguirem calcorrear pelos grãos de areia das emoções, dependendo do tamanho do coração e da capacidade de se amar. Sentimentos que vagueiam entre apeadeiros do ano e do tempo, perdidamente encontrados, ou encontrados perdidamente, entre um nascer e um pôr do sol, num espaço de tempo, temporariamente espacial, (não confundir com especial) que nunca sabe ao mesmo, mas que sabe mesmo bem, nesse suborno de palavras em que dizer sim, quer apenas significar sim e um não, apenas um não. Dizer que se gosta de alguém é fácil, difícil é convidar esse alguém, que afirma, que jura, que garante gostar de nós, convidá-lo para limpar sanitas e essa pessoa aceitar!

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...