Às vezes não é preciso tantas palavras para nada dizer. Basta o silêncio.
Correr uma maratona sem as sapatilhas adequadas, acordar sem ter tido tempo de tirar as pantufas e adormecer sem ter tempo de dizer aqueles de quem se gosta muito, que se gosta, muito! "Gosto muito".
Às vezes o silêncio não basta. É preciso dizer.
Ainda não sei muito bem como vai ser, mas um blogue poderá ser uma transmissão de ideias e pensamentos diários.
quinta-feira, 1 de março de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Emociones
Pelo sim pelo não, não vá as gotas de suor escorrerem pelo rosto pelo esforço despendido entre o que se escreve, o que se lê, igual ao que se pensa e não se diz, diferente do que se sente e se esconde.
O melhor é sentar calmamente e entre o tocar de duas mãos num par de jeans, numa linha icónica difícil de manter, ainda que aconteça naturalmente, num lugar onde não existe perfeição e onde as curvas tomam conta das linha rectas, o melhor é sentar, sentir e apreciar as gotas de água que entretanto substituíram as de suor, salgadas e doces...Somos humanos e estamos vivos. Emociones.
O melhor é sentar calmamente e entre o tocar de duas mãos num par de jeans, numa linha icónica difícil de manter, ainda que aconteça naturalmente, num lugar onde não existe perfeição e onde as curvas tomam conta das linha rectas, o melhor é sentar, sentir e apreciar as gotas de água que entretanto substituíram as de suor, salgadas e doces...Somos humanos e estamos vivos. Emociones.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Exigência
Quando pensam que as palavras que escrevo não fazem sentido, não pensem, sintam-nas!
Enquanto o sol já se põe, desenhando uma linha laranja sobre o mar, apercebo-me que já sinto saudades. Saudades de sentir aquele momento num outro lugar, mas sou engolida pelos meus próprios pensamentos e não há maneira de desmentir as verdades da mudança, verdades como a exigência do mundo. O mundo de hoje é demasiado exigente... uma exigência em que exige do outro, aquilo que não ousa exigir de si próprio.
O mesmo mundo onde às vezes parece que, ser basicamente honesto não chega, é preciso ser-se também honesto basicamente.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
O instante seguinte
Sob aquela luz, parecia índia. Cabelos negros, compridos, lisos, uma beleza difícil de entender para lá da máscara, mas ainda assim perceptível pelas linhas do rosto, ou as curvas do corpo, meio escondido pela indumentária. Tenho a certeza de que já me havia cruzado com ela em algum lugar. Perguntei-lhe o nome, mas a música estava demasiado alto e nem quando mo disse ao ouvido fazendo-me sentir o calor o seu hálito, que me agradou bastante e que me desconcentrou até, não consegui perceber, decidindo ter que voltar a perguntar-lhe noutra ocasião. Assim controlámos a noite, entre as saídas para a pista de dança, ou para o bar. O espaço repleto de gente, parecia-me vazio como se o resto do mundo ali não estivesse. Quando os amigos chegaram, despediu-se de mim. Despedimo-nos como não nos voltássemos a ver e entre a troca de um adeus lá surgiu um papelinho com um número de telefone.
Não esperei meia hora para lhe ligar, não consegui, e ela não conseguiu deixar-me ir. Dei-lhe boleia para casa, vinte minutos de tortura, conversámos, penso que seria sobre algum tema interessante, mas confesso que só me conseguia lembrar da vontade de lhe colocar as mãos sobre os joelhos e de sentir o calor da sua pele, ainda que as colans estivessem no caminho desse desejo. Claro que não o fiz. Deixei-a em casa, um terceiro andar sem elevador. Mas antes de partir convidou-me para subir, com a certeza de que não recusaria. Disse que sim.
Sem aquela luz, sem música, em silêncio, sentá-mo-nos diretamente na cama, mãos nas mãos, braços nos braços, pele na pele (agora já sem os colans), lábios nos lábios...
Adormeci. Acordei horas depois, a luz do sol não entrava pela janela do quarto, presumindo que ainda fosse de noite. Ela estava deitada e eu apressei-me a vestir, enquanto me vestia, ia tentando processar o que tinha acabado de acontecer, lembrava-me de tudo através de uma sucessão de imagens, que não tinha bem a certeza de serem minhas, agarrando-me ao que sentia, mas tudo o que o meu corpo recordava era desse sabor que não era meu, um gosto que a minha boca, o meu paladar, não tinha a certeza ao que sabia, mas que não era desagradável.
De regresso a casa, pensei que afinal tinha acabado por não saber o seu nome, não lho perguntei segunda vez, lembrei-me então do papelinho que tinha no bolso com o número de telefone, tirei-o e li-o uma, duas, três vezes e volto a ler novamente. Para lá do número de telefone estava afinal seu nome, Ismael João. Foi então que subitamente para mim tudo fez sentido, ela afinal era ele, descoberta que em vez de me deixar furioso, só aumentou o tamanho do meu sorriso.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
O disfarce
Coloca a máscara, tira a máscara. Na rua, no trabalho, na vida,
nas relações, nas ralações. O Carnaval não são por aí três dias, são na verdade
muitos mais. Se pensarmos nas personagens mais ou menos reais, que nos surgem
no caminho, que tiram e colocam a máscara... “o melhor é nem pensar”.
Siga «pó» baile!
Com tantos disfarces,
artimanhas, perucas e maquilhagens mais ou menos bem conseguidas. Quando forem
brincar ao Carnaval, se forem brincar ao Carnaval, tenham cuidado. Nunca se
sabe o que se pode encontrar por detrás da máscara e se o mascarado não é na verdade
alguém que anda disfarçado todos os dias do ano, menos no Carnaval.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Solidão hipotecada
O quotidiano era o de sempre, ritualizado. O de um homem de quarenta anos, "um quarentão charmoso", aclamavam por aí, que todas as manhãs saia para tomar o seu café perto de sua casa, nessa cidade situada algures entre os anos 50 e 60. O café era preto, mas as emoções nunca foram tão claras e tudo turvou com a sua entrada. Uma boneca, que ao simples esboçar de um sorriso o perturbava. Queria-a! Desejava-a! Com toda a força desse sentimento de alguém, que gosta de outro alguém. Um amante, que mendiga ao pequeno almoço, almoço e jantar, pela sua atenção.
O amor é simples, mas não o mundo e faltava-lhe ainda esse carácter ecléctico de quem domina o que sente. Mas também não era essa a sua vontade. Atraia-lhe muito mais essa forma de estar, hipotecado de solidão, muito mais que o sonho de um homem evasivo obcecado pelo amor de alguém, que não tem a certeza de ser correspondido.... "Se ao menos o seu sorriso se transformasse em palavras, nas palavras que os seus ouvidos queriam escutar". Mas não sabe, nunca soube e jamais saberá, enquanto lhe faltar a coragem de a surpreender, com tudo o que mais nela o cativa. Não o seu corpo como objecto de desejo: as curvas, os lábios, os olhos, as mãos... embora isso também. Mas muito mais o seu ser, ainda desconhecido para si. Um amor capaz de pagar a hipoteca da sua solidão.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Medo
Ás vezes tenho medo! Temor do faço, do que não faço, da
pessoa que sou e muito pavor do que sinto e que não queria sentir, mas o medo que
tenho de mim, não se compara ao terror daquilo que vejo tantas vezes, em tantos
momentos - a pobreza - Pessoas pobres, de poucos recursos, não no sentido material
da palavra, mas pobres por aquilo que fazem os outros sentir. Uma pobreza
de espírito inigualável, onde aqueles que "conhecemos" e aqueles que
"desconhecemos" não são quem imaginamos, mas são exatamente
aquilo que conhecemos como medo. E não há como tirar esse sentimento coração.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Liberdade consciente ou inconsciente
Liberdade consciente ou inconsciente? Já lá dizia o meu amigo Virgílio Ferreira "Aquilo que «actua» sobre mim só actua porque eu o escolhi como actuante. Não é porque alguém me ofenda que eu reajo violentamente, mas sim porque escolho tal ofensa como «móbil» da minha reacção. Tal escolha, porém, de um móbil, posso não reconhecê-la senão depois de se manifestar", dessa forma são normalmente as ações que dizem sobre o que realmente sou, o que escolhi sobre essa liberdade, que posso ter ou não ter. Porque a liberdade, tal como a vivemos, (e agora no pensamento de Catirolas), não é tão tão clara, ou tão de cada um, como somos levados a pensar. Somos livres, mas essa liberdade, é muitas vezes condicionada, de forma mais ou menos consciente.
Qualquer um é livre de ler o que acabei de escrever, concordando ou não, mas então e se eu nunca mais escrever?
| Foto: Catirolas |
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Pensamentos
Já não é 2017 «A» algum tempo (não confundir com: há algum tempo).
Vivo uma despreocupada preocupação dessas que preenche as terras por cultivar, as casas por habitar e os corações para sarar. Não é preciso destruir para construir, aposto mais no instruir.
Tenho consciência que oiço o meu próprio ruído e nessa barulheira infernal procuro tornar o ruído em música, com consciência do que a música, não é música para qualquer um, ou para qualquer lugar.
Não estou à procura de ajuda externa, procuro essencialmente força interna.
Acredito na amizade em quaisquer circunstâncias, independente do tempo ou do espaço de uma relação e amo muito os animais, muito mais que as pessoas, admiro a sua capacidade simplista de serem apenas aquilo que são. Leais e verdadeiros.
Já é 2018 «A» algum tempo (não confundir com: há algum tempo).
domingo, 14 de janeiro de 2018
Assédio
Quando buscamos companhia, mas não queremos ser acompanhados.
Parece invulgar, inquietante, incompreensível, talvez porque isto não seja mesmo para leigos. O dizer, sentir ou postar coisas apenas entendidas pelo próprio autor, e tantas vezes assim me sinto, assim me defino, assim me leio... Apaixonada por hipérboles de uma realidade pouco institucionalizada, movimentando-me aqui ali através das palavras, nem sempre na dimensão do mesmo movimento, muito menos numa orientação, orientada, não necessariamente para comunicar, mas satisfazer esse desejo de prazer que o nosso cérebro tanto busca. Eu encontro a beleza nos sons da escrita, audível, silenciosa, tímida, atrevida, onde por vezes nem tudo faz sentido, ou sentido sequer algum, mas onde tudo tem lugar.
sábado, 6 de janeiro de 2018
As malditas passas
Pode ser uma questão cultural, ou nem sequer questão nenhuma,
mas será que se tiver comido as 12 passas sem pedir nenhum desejo, os desejos se
realizam?
Não entendo como é possível mesmo depois de tantos anos de
experiência, a passar de um anos para o outro, ainda assim me esqueci de desejar
qualquer coisinha. E a primeira semana do ano que não foi nada fácil, com
tantos dias em que a vontade de tomar três comprimidos de paciência e uma dúzia
de pílulas de coragem excederam todas as perspectivas astrológicas.
A vida é um
pouco como esse vestidinho que podes ou não vestir, seja por vergonha do teu
corpo, por frio, ou até pela ocasião, ou a tua maneira de ser, que te o diz para
não o fazeres, embora tivesses muita vontade de um dia fazê-lo.
"In” ou "Out",
triste o feliz, a questão não é saber como vestes hoje os teus sentires, mas sim como
lidas com isso.
Oh Catirolas! Mas por que razão não pediste os desejos quando
comeste as passas?
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Publicação em destaque
Outono
Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...