quarta-feira, 21 de março de 2018

A poeta Catirolas

Porque hoje é o dia da poesia. (apesar de detestar dias instituídos).
Resolvi soltar a poeta que há em mim, ou havia, partilhando três poemas do fundo do meu baú.
16 de maio de 1998


17 fevereiro de 1996
18 de janeiro de 1998









sábado, 10 de março de 2018

Voos de inverno

Se me perder por aí... talvez encontre outros caminhos que a nenhum lugar irão dar. Mas pelo menos não podem dizer que não tentei. É inverno, está frio e apetece pantufar... e se me perder por aí?
"Cuidado com o chão", o alerta vermelho, alerta para que se fuja dos pingos da chuva e há tanta gene que o faz, mesmo em dias em que não chove sequer. Foge sem nunca ter apreciado, sentido a água gelada que cai dos céus. "Umas gotas mais ou menos fortes, uma vez por outra, sabe bem, sabe-me bem" e até mesmo o vento que nos despenteia o cabelo, parece arejar as ideias e as lágrimas que causa aos olhos parece devolver-lhes um pouco de brilho.
Já me perdi por ai e muitos abraços dei. Abracei uma multidão, abracei-os com o meu sorriso, com a minha amizade, com a minha maneira de ser, mais ou menos apreciada, dificilmente perfeita, ou fácil de gostar. Mas na realidade não foram muitos aqueles que me apeteceu voltar a abraçar realmente... e isso não é perder-me por aí, é achar-me!

Foto: Catirolas

quinta-feira, 8 de março de 2018

O dia...

Sobre dias instituídos.

Não, não adianta tirar mestrados, conversar com os amigos, com os amigos dos nossos amigos, com os nossos namorados, com aqueles que aspiravam a ser, mas nunca foram... apesar de terem dito a meio mundo que os nossos beijos eram os melhores que já provaram. 
Não adianta tentarem vestirem-se de nós no "Carnaval", ou noutro dia qualquer quando não estamos a ver. Sim também temos os nossos dias e as nossas fantasias, que queremos que descubram ou que simplesmente perguntem quais são? 
Não adianta ler sobre a matéria ou tentar perceber o que vai na nossa cabeça. Somos super simples, e sim às vezes também somos simplesmente complicadas. Na realidade somos apenas o que mostramos e tudo o que queremos, descomplicada mente não é mais do que que qualquer ser humano, independentemente do sexo. Que se esforcem e se interessem por nós, pelo nosso corpo, pela nossa maneira de ser, pela nossa alma. Que si interessem, ponto. Todos os, minutos, horas, todos os dias do ano, mas se esse interesse vier acompanhado com um ramo de flores, também não faz mal. Aliás faz muito bem. 





quarta-feira, 7 de março de 2018

Espíritos inertes


Um dia somos excelentes, outro, nada valemos. Piripiri!
Tal como essa toalha de renda de bilros estacionada em cima de uma mesa farta de ociosidade, onde abunda a comida e sobra a vontade de comer.
Experimenta vestir umas calças de tecido grosseiro, atadas nos joelhos com cordéis e procurar, buscar amor, companhia, e em última instância comida, alimento. Essa comida cheia de nutrientes e de outras coisas, que não se encontra em nenhum restaurante famoso, mas em alguém que saiba conjugar com temperos de amor, os alimentos da amizade, da solidariedade... da humanidade.
Um dia, num desses em que as ondas desmaiam de jubilo, os ventos suspiram, as estrelas fogem, as areias movem-se e as aves marinhas brindam o mar com os seus cantos, talvez tudo seja diferente. Talvez esses seres "pobres" acordem longe dessa sociedade corrupta, escrevam um livro, enriqueçam alguém a quem não falta dinheiro, poder, nobreza, mas onde falta tudo o resto. Pobreza. Pobreza!?
Pobreza é acordar todas as manhãs num palácio onde se tem tudo e descobrir que, afinal, não se tem nada, apenas esse espírito inerte.

domingo, 4 de março de 2018

Louvor

Eram seis da manhã quando o despertador, demasiado violento, mas ainda assim bastante eficiente, fez o seu trabalho. Despertou!
Alice levantou-se, tomou banho, vestiu-se, preparou a marmita para o seu Tomé levar para o trabalho, uma receita da sua avó angolana, Moamba de Peixe. Vestiu as crianças e saiu para o trabalho. Um edifício de dez andares no centro de Lisboa.
Depressa Alice e a sua colega de trabalho, Margarida, picam o ponto, pegam nos baldes, na esfregona no pano de pó e varrem, despejam o lixo. Limpam o espaço. Perto das nove da manhã começam a chegar os "fatos", como as duas mulheres de 40 anos, lhes chamam. Para eles, elas são invisíveis. Não existe um sorriso, um bom dia, nem sequer um obrigado, a não ser quando é preciso limpar o café que alguém entornou, ou despejar um caixote de lixo. "Se ao menos aquelas pretas fizessem o seu trabalho", ouviram no outro dia alguém comentar, queixando-se do nada que havia para queixar. Alice ganha três euros à hora e trabalha no turno da manhã, que termina perto da uma da tarde.
Antes de ter tempo de engolir a sandes que carrega na sacola, vai a correr para outro trabalho, umas horas que faz na casa de uma ministra, "um terceiro andar muito chique, em Campo de Ourique", diz com emoção, por gostarem tanto do seu trabalho. Apesar de ter a quarta classe também ela se considera uma ministra, a ministra das limpezas.
É já perto das sete da tarde que regressa a casa. Filhos para tratar, roupas para lavar, jantares e almoços para preparar. O tempo passa a correr e antes de ver a sua novela favorita adormece no sofá. É o barulho do Tomé que a acorda, o marido chega finalmente a casa. O cheiro a álcool e a tabaco lembram Alice que hoje foi noite de voltar a sair com os amigos, ou para os braços da amante. Um hoje, de todos os dias. E ela que esteve ali à sua espera acabou por nem jantar...Enquanto ele foi desmaiar para a cama extremamente alcoolizado, ela deixou-se ficar ali um pouco mais, sozinha no sofá. Gostava da quietude, do silêncio daquele momento que anunciava o fim de mais um dia.... a novela estava quase a terminar.

Trazer o amor às pessoas, aquilo que se dá, é que nos diferencia.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Saiu para a rua

Decidida, animada, cheia de pujança, saiu para a rua, talvez regresse de madrugada, ou já manhã cedo. A noite tomará conta dela e ela tomará a noite nos braços, pode ser que a sorte lhe sorria e os copos se sentem na sua companhia bebendo um conhecido Pontapé na Con...(consciência). "Aqui não fazemos fiado", grita uma voz dentro do bar, lembrando que trabalho é trabalho e o conhaque só mais tarde poderá juntar-se à festa.
Saiu mesmo para a rua e a rua não a largou. Depressa, de braço dado com um homem mais velho, logo depois com um mais novo e logo outro de idade mal resolvida. Com um sorriso mergulhado nesse vermelho garrido que o baton lhe emprestou, com os seus longos cabelos encaracolados, presos ao cheiro de um Cohiba, (o charro viria depois), encostou-se à parede, logo depois de ter saído para a rua de braço dado com esse homem de idade mal resolvida, que lhe meteu a mão no rabo e logo depois na con... (consciência). Sem pudor... com o suor a molhar-lhe do rosto, à medida que as leggings se tornavam num obstáculo difícil de encarar, nessa perspectiva de que uma saia é sempre a melhor opção, deu-lhe tudo o que quatro notas de dez, lhe dava direito.
Acordou na rua ainda de noite, disputando a companhia de um bocado de látex vazio e uma carteira de notas sujas, coladas a números de telefone de homens sem rosto e sem nome.
Saiu para a rua, saiu mesmo para a rua, encostou-se à parede, acordou na rua e saiu da rua. Voltou ao número 13, um quarto dividido em dois, alugado a tantas como ela, que não conhecia, mas que no final do mês compensava. Poupanças que foi aprendendo no departamento financeiro da UV (universidade da vida).
Acordou na rua e saiu da rua, ainda mal tinha pousado a mala e despido as leggings, recebeu um telefonema. Mudou de cuecas mas não voltou a vestir as leggings, optou por uma saia. Reforçou nos lábios o baton e penteou o cabelo, depois, decidida, animada, cheia de pujança saiu de novo para a rua. Afinal esta até podia ser uma Pu...(puta) de vida, mas era sexta feira... a sua melhor noite da semana.  

Imagem: Retirada da Internet



Muito...

Às vezes não é preciso tantas palavras para nada dizer. Basta o silêncio.
Correr uma maratona sem as sapatilhas adequadas, acordar sem ter tido tempo de tirar as pantufas e adormecer sem ter tempo de dizer aqueles de quem se gosta muito, que se gosta, muito! "Gosto muito".
Às vezes o silêncio não basta. É preciso dizer.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Emociones

Pelo sim pelo não, não vá as gotas de suor escorrerem pelo rosto pelo esforço despendido entre o que se escreve, o que se lê, igual ao que se pensa e não se diz, diferente do que se sente e se esconde.
O melhor é sentar calmamente e entre o tocar de duas mãos num par de jeans, numa linha icónica difícil de manter, ainda que aconteça naturalmente, num lugar onde não existe perfeição e onde  as curvas tomam conta das linha rectas, o melhor é sentar, sentir e apreciar as gotas de água que entretanto substituíram as de suor, salgadas e doces...Somos humanos e estamos vivos. Emociones.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Exigência

Quando pensam que as palavras que escrevo não fazem sentido, não pensem, sintam-nas!
Enquanto o sol já se põe, desenhando uma linha laranja sobre o mar, apercebo-me que já sinto saudades. Saudades de sentir aquele momento num outro lugar, mas sou engolida pelos meus próprios pensamentos e não há maneira de desmentir as verdades da mudança, verdades como a exigência do mundo. O mundo de hoje é demasiado exigente... uma exigência em que exige do outro, aquilo que não ousa exigir de si próprio. 
O mesmo mundo onde às vezes parece que, ser basicamente honesto não chega, é preciso ser-se também honesto basicamente. 


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O instante seguinte

Sob aquela luz, parecia índia. Cabelos negros, compridos, lisos, uma beleza difícil de entender para lá da máscara, mas ainda assim perceptível pelas linhas do rosto, ou as curvas do corpo, meio escondido pela indumentária. Tenho a certeza de que já me havia cruzado com ela em algum lugar. Perguntei-lhe o nome, mas a música estava demasiado alto e nem quando mo disse ao ouvido fazendo-me sentir o calor o seu hálito, que me agradou bastante e que me desconcentrou até, não consegui perceber, decidindo ter que voltar a perguntar-lhe noutra ocasião. Assim controlámos a noite, entre as saídas para a pista de dança, ou para o bar. O espaço repleto de gente, parecia-me vazio como se o resto do mundo ali não estivesse. Quando os amigos chegaram, despediu-se de mim. Despedimo-nos como não nos voltássemos a ver e entre a troca de um adeus lá surgiu um papelinho com um número de telefone.
Não esperei meia hora para lhe ligar, não consegui, e ela não conseguiu deixar-me ir. Dei-lhe boleia para casa, vinte minutos de tortura, conversámos, penso que seria sobre algum tema interessante, mas confesso que só me conseguia lembrar da vontade de lhe colocar as mãos sobre os joelhos e de sentir o calor da sua pele, ainda que as colans estivessem no caminho desse desejo. Claro que não o fiz. Deixei-a em casa, um terceiro andar sem elevador. Mas antes de partir convidou-me para subir, com a certeza de que não recusaria. Disse que sim.
Sem aquela luz, sem música, em silêncio, sentá-mo-nos diretamente na cama, mãos nas mãos, braços nos braços, pele na pele (agora já sem os colans),  lábios nos lábios...
Adormeci. Acordei horas depois, a luz do sol não entrava pela janela do quarto, presumindo que ainda fosse de noite. Ela estava deitada e eu apressei-me a vestir, enquanto me vestia, ia tentando processar o que tinha acabado de acontecer, lembrava-me de tudo através de uma sucessão de imagens, que não tinha bem a certeza de serem minhas, agarrando-me ao que sentia, mas tudo o que o meu corpo recordava era desse sabor que não era meu, um gosto que a minha boca, o meu paladar, não tinha a certeza ao que sabia, mas que não era desagradável.
De regresso a casa, pensei que afinal tinha acabado por não saber o seu nome, não lho perguntei segunda vez, lembrei-me então do papelinho que tinha no bolso com o número de telefone, tirei-o e li-o uma, duas, três vezes e volto a ler novamente. Para lá do número de telefone estava afinal seu nome, Ismael João. Foi então que subitamente para mim tudo fez sentido, ela afinal era ele, descoberta que em vez de me deixar furioso, só aumentou o tamanho do meu sorriso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O disfarce


Coloca a máscara, tira a máscara. Na rua, no trabalho, na vida, nas relações, nas ralações. O Carnaval não são por aí três dias, são na verdade muitos mais. Se pensarmos nas personagens mais ou menos reais, que nos surgem no caminho, que tiram e colocam a máscara... “o melhor é nem pensar”. 
Siga «pó» baile! 
Com tantos disfarces, artimanhas, perucas e maquilhagens mais ou menos bem conseguidas. Quando forem brincar ao Carnaval, se forem brincar ao Carnaval, tenham cuidado. Nunca se sabe o que se pode encontrar por detrás da máscara e se o mascarado não é na verdade alguém que anda disfarçado todos os dias do ano, menos no Carnaval.

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Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...