Portugal, é um país com paisagens dignas de qualquer postal ilustrado.
À medida que se aproxima o Verão, pelo menos no calendário, é natural que nas zonas de veraneio se comece a preparar "as barracas" e a repor os stocks, para a afluência de gente, que durante os meses de Junho a Setembro triplicam a população e dinamizam a economia local.
Nazaré é uma terra bonita de paisagens idílicas, com um mar insolente, num misto de calmo e bravo, que em dias de céu limpo, apresenta uma tonalidade estonteante! Uma terra com recantos únicos e de tradição histórico-cultural invejável, com tasquinhas e restaurantes, onde se come bem a um preço razoável. Lugar de gente afável e divertida, que se esforça para receber com orgulho, quem a visita, quebrando todas barreiras linguísticas com a linguagem gestual, como é o caso das peixeiras, que têm o costume de "enfiar ", as tabuletas de "aluga-se..." por quem lá passa de uma forma peculiar, como não se vê, em nenhum outro lugar.
Infelizmente a Nazaré não é apenas uma terra bonita....
É uma terra de becos e de ruas estreitas que, sem se perceber bem porquê, cheiram demasiado a águas domésticas e a peixe podre. Com uma inexplicável falta de "brio" para receber o turismo com requinte e dignidade, com uma visível escassez de infraestruturas, ao longo do imenso areal que compõe a sua praia, apesar de algumas melhorias notórias e com excepção do local onde é erguida, com mérito, a bandeira azul.
É a terra da Lenda de Dom. Fuas Roupinho, agora em concorrência directa com a "Lenda da Onda Gigante", que levam muitos curiosos ao farol (que normalmente não está visitável, mas que poderia e deveria estar), por uma estrada apertada e sem estacionamento adequado, bermas, ou passagem para peões, onde é possível apreciar a vista fantástica sobre a Nazaré e o seu "Canhão", agora, simultaneamente com outra vista demasiado deprimente e desleal: a multidão em peregrinação ao local e o lixo e a poluição que advém dela.
Cuidar do património de todos, deveria ser, para cada um de nós, a única forma de ser e de estar na vida.


