sexta-feira, 16 de abril de 2010

Confidências

Está vento na rua, uma ventania de arrancar os cabelos aos ciganos que cedo se puseram a montar as barracas, mesmo à porta do escritório onde trabalho…Disse bom dia às aranhas do canto direito, e às baratas do esquerdo, mas surpresa! Elas ficaram caladas, penso que estavam preocupadas com o encerramento do espaço aéreo, devido aquele vulcão na Islândia com um nome estranho.

São 9h52 tempo para “cafeinar”, antes de começar a analisar os papéis que tenho em cima da secretária, monocórdicos, aborrecidos, inúteis; espero um pouco mais, tão devagar quanto me é possível nesta terra sem stresse; ligo-me ao outro cantinho do mundo para falar um pouco com os colegas que ficaram para trás no caminho da vida, tenho saudades da presença deles, um abraço virtual não substituí um abraço carnal, ilusão de quem acha que a internet é uma porta para relações, mas falta-lhe o cheiro, o sentimento, a vibração, falta-lhe a humanização.

O relógio andou mais uns minutos numa melodia crónica, o telefone anseia tocar a todo o momento, peço à minha secretária para ver a minha agenda para hoje, mas desde que aqui estou nunca a cheguei a ver, mais uma Fashion Victim. Dizem as más-línguas, que um dia resolveu colocar dez ganchos de borboleta no cabelo e voar para outras paragens, foi até ao Promontório e… não aconteceu nada, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha, desde esse dia nunca mais ninguém a viu, diz-se que não morreu da queda mas que morreu da vergonha.

Bastantes minutos depois, olho novamente para os papéis, assim meio de lado e discretamente, não vão eles quererem dizer-me algo, concreto e preocupante. Tanta coisa para resolver numa sexta-feira, que não me apetece, mas tenho que começar por algum lado, então vejamos: 12h30 aula de Hidroginástica, 21h00 jantar na “Tasquinha”, depois, Submarinos (não os do Portas) mas os do bar da praia …. E não é que o dia corre logo melhor.
Bom fim-de-semana e até segunda-feira.

Glossário: Desenganem-se aqueles que achavam que um submarino era aquela bebida em que se metia um copo pequeno de tequilha dentro de outro maior com imperial e se bebia de penálti, Nada disso. O verdadeiro Submarino é uma bebida quente tradicional da Argentina e do Uruguai, feita com chocolate e leite.

Imagem: Internet

8 comentários:

António Pedro Santos disse...

Grande Caty,
Mais uma vez conseguiste-me atingir com mais um artigo maravilhoso, parece-me um reflexo do que vai no teu subsconsciente, por vezes também me sinto assim no meu local de trabalho...só que depois penso nos amigos que a vida separou geograficamente, mas não ao nível da alma e do pensamento...e penso também em tudo o que tenho para fazer depois do trabalho...Este artigo é de uma profundidade tal que só quem te conhece como eu consegue ver a sua mensagem subliminar...e é por perceber essa mensagem que eu nunca me vou esquecer de ti minha pequena grande amiga...e irei estar sempre ao teu lado...nem que seja aqui no teu blog...um grande beijo Toni

Catarina Reis disse...

Obrigado Toni, realmente é verdade tu conheces-me e também já partilhámos alguns Submarinos, mas sempre ao mais alto nível sem meter água. Os amigos verdadeiros são sempre nossos amigos.
Bjs Caty

Tulipa disse...

Bonita reflexão sobre esta sexta-feira cinza e de cinzas. O meu dia está a custar a passar e não vislumbro grandes mudanças até ao final...mas amanhã é sábado ;)
No meu tempo (hehehe) os submarinos eram copos de cerveja mas com um shot de bagaço lá dentro! Ui! até me dói o estômago só de lembrar. Kisses e bom fim-de-semana!

Catarina Reis disse...

Olá Tulipa, está a custar a passar mesmo, pois é agora que falas nisso, eu também bebi desses Submarinos, como é que não me lembrei!!!EH!EH! Muito mau.
Bjs Catarina

Berdades disse...

Uma vez mais cito o adágio: "HÁ DIAS DE MANHÃ QUE UMA PESSOA À TARDE NÃO PODE SAIR DE CASA À NOITE".
Bom Fim de Semana!

Catarina Reis disse...

Isso é verdade "Berdades" ainda mais com este tempo... SOCORRO!!
Bjs Catarina

Lala disse...

Pois é Caty, minha querida, a verdade é que por vezes a falta que nos fazem as pessoas de outrora não pode mesmo substituir-se por alguns bytes escarrapachados nos monitores dos pc's. Mas descansa que agora que vou tirar a carta de condução TUDO VAI MUDAR. Sem problemas e sempre que houver oportunidade estarei perto daqueles de quem tenho saudadinha!
*
O tempo está louco. As pessoas ora animam, ora desanimam. Ora calço as galochas, ora descalço as galochas. Ora isto, ora aquilo...
*
Tenho cá a impressão que essa que decidiu colocar os ganchos de borboleta no cabelo e voar para (...) o Promontório, não morreu nada... ela deve é ter alguma coisa a ver com esta instabilidade notória do nosso amigo S. Pedro...
não sei porquê... ;D

Mais uma vez uma reflexão magnífica. Só podia mesmo partir da pontinha dos teus dedos!

Beijinho grande, querida

Catarina Reis disse...

Lala querida, vê se tiras a carta, ou apanhas o Bus e vens aqui passar um fim de semana comigo mais a tua filhota, à Nazaré... na minha casinha.
bjs Catarina

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