quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Estórias # Histórias

Tenho saudades do tempo em que descia as escadas, da velhinha casa, da minha avó Helena, daquelas casas tipicamente beirãs, com a adega e a loja por baixo, onde as arcas de madeira, cheias de sal, faziam as vezes do frigorífico. Naquele lugar em que os dias outonais mostravam todo o poder das folhas, que se amontoavam, como se estivessem reunidas para um comício, interrompido pelo som sibilante de uma tarde de setembro e das tuas lenga lengas, que herdei de ti com muito carinho.
Já passaram alguns anos, querida avó, desde o tempo em que me contavas as histórias dos nossos antepassados e que eu as registei num caderno para perpetuar essa memória, uns rabiscos que guardo comigo...tenho saudades de ti, desses momentos e desse lugar!
Certo dia voltei lá... a água das fontes continua fresca, as montanhas aborrecidas com o musgo que as envolve, mas o pobre sobreiro está agora ligado aos fios da civilização, por estradas serpenteadas em ziguezagues teimoso e os ribeiros, outrora atravessados por pontes velhas, são apenas lembranças em museus de aldeias...
A casa está vazia, mas na cozinha de pedra, o ar parece impregnado pelo cheiro a café de pão, acabados de fazer. Por um momento, quase que consigo ver-te sentada ao lume num dos bancos de madeira tosca, a retirar a cafeteira mascarrada e a deitar o café no púcaro de esmalte... ao mesmo tempo que me dizias: "Cuidado menina que está quente"!




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Geração do Limbo

Quase 20 dias depois de ter escrito o último texto (nem parece meu), e depois de ter absorvido uma série de matérias eis que me sai disto.
Não sei precisar exactamente quantos anos de vivência tenho (# de anos de vida), mas sei que pertenço a uma geração, essa que primeiro foi rasca, que viu e cresceu a ouvir contar histórias dos sacrifícios de seus pais e dos seus avós, que nunca saíram para lado nenhum, (alguns nem nunca viram o mar, apesar de viverem a 5km da costa) e que pensou "a minha vida vai ser diferente".
E foi realmente...
Uma geração que estudou muito... foi até ao fim da carreira, em idade em que a palavra fim, só tem significado quando não acaba, (como noites sem fim)
Um punhado de gente que primeiro dominou o português, depois o inglês, o francês e finalmente o "computalês". Os mesmos que foram cobaias e pioneiros no mundo das tecnologias, tudo, bips, telemóveis, tablets, e por aí fora. 
Que arranjou o primeiro emprego cedo, logo recrutados há porta da faculdade com o pensamento "somos bons!" E que quando os anos passaram começou a dar conta que, aquele primeiro emprego, em que ganhavam mal (aqueles que tiveram a sorte de ganhar alguma coisa), passou depois para o segundo e para o terceiro e assim por aí fora. 
Uma geração que passou quase 20 anos a fazer praticamente o mesmo, mas a ganhar menos do que quando começou, com a diferença de ter mais encargos, (aqueles que não tiveram juízo e saíram de casa dos pais) mais idade, menos vontade de aturar entretanto os colegas, aqueles que já poderiam estar reformados e que por causa das leis, não estão e os que entraram agora e que acham que por serem mais novos, mais giros e mais... (nós quando éramos da idade deles), podem passar por cima de todos (e podem realmente). Tudo isso com menos dinheiro no bolso, (dos poucos fatos de marca que ainda não colocámos à venda numa plataforma de venda online),  uma parte gasto nas despesas familiares e o restante com vitaminas e antidepressivos, "drogas", para quem está a atravessar uma idade em que o o teu corpo te diz: já não és um miúdo e a cabeça te impele precisamente para o contrário.

Foto: Internet






domingo, 3 de janeiro de 2016

O tal calendário

Vladimir Putin, o presidente russo que, entre outras coisas, adora tirar fotografias resolveu brindar os seus fãs mais fervorosos com um calendário para 2016. Neste calendário, de emissão limitada o presidente aparece todos os meses do ano em diversas variantes: Vladimir Putin com criancinhas, a pescar, a fazer exercício, sem camisa fazendo festas a um cão, entre outras. Produzido pela revista russa Estrelas e Conselho, o calendário que vem acompanhado de mensagens, mostra o lado mais duro de Putin, mas também o seu lado mais doce.
Já imaginaram se o nosso e ainda atual presidente da República Portuguesa se tivesse lembrado de fazer o mesmo, que imagens e mensagens integrariam esse calendário?
O melhor é nem pensar nisso!

Foto: internet

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tentar

Ok! E parece que lá chegámos a 2016, mais ou menos sóbrios de vida.
Afinal porque comemoramos tão efusivamente uma passagem de um ano para o outro quando no dia seguinte nada muda? Talvez pela possibilidade de renovar qualquer coisa.
Começar de novo nem sempre é fácil, mas significa sobretudo mais uma oportunidade, até porque os problemas e as alegrias não desaparecem por passarmos a fasquia de mais um ano.
Mas o que importa desejar não é tudo aquilo que embora genuinamente se ambicione, paz, dinheiro, saúde, enfim...mas sim sentir que quando acaba o ano, ou mais um dia, estamos bem e felizes com aquilo que concretizamos naquele momento!
Muito difícil, dada a velocidade e muitas vezes a importância, ou a falta dela, com que vivemos cada momento da nossa vida.
Por isso na passagem para 2016 não comi as 12 passas, não pedi desejos nem fiz promessas.
Ser melhor como pessoa, profissional, amiga..., ser um ser, em todos... em cada um dos detalhes da nossa vida, dos mais perfeitos ou imperfeitos, nos atropelos que fazemos aos outros e a nós próprios, não é algo que se possa ousadamente aspirar... mas temos pelo menos mais 365 dias para tentar!