sábado, 29 de outubro de 2016

O dilema

Viver é um estranho dilema...
Quando pensamos, que temos tudo controlado, a saída com os amigos, o jantar da tia Mariana na casa da tia Manuela, as despesas, as brincadeiras do gato Pipo e até aqueles "tostões" que escondemos numa gaveta lá em casa, guardados religiosamente para uma "escapadinha" que andamos a planear ainda as férias de verão não tinham começado, lá vem um imprevisto no pacote, para nos "dar no pacote".
Quando temos todo o tempo do mundo para planear, pular, enfim... concretizar, o que normalmente não fazemos porque não temos tempo. Não fazemos nada.
Viver não é um estranho dilema. O dilema é o que colocamos como prioridades nessa vida, onde às vezes o inesperado, o incontrolável é bom, sabe bem e recomenda-se.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A aranha

Quantas vezes nos deixamos apanhar pela teia da vida, queixando-nos deste ou daquele aranhão, quando na realidade muito dos fios que envolvem a teia foram tecidos por nós.
Soltar-nos dessa teia é muito fácil, difícil é ter capacidade de olhar para além daquilo que se vê, e ver que a aranha, aquele ser arrepiante, pesadelo de muitas fobias é afinal nossa amiga.

Nota: Não sou grande fotógrafa mas há muito tempo que aguardava poder captar a artista desta obra.


Texto: Catirolas /Modelo: Aranha






terça-feira, 25 de outubro de 2016

Colo

No faroeste da vida, (todos os dias) # (diariamente), há quem se sente numa cadeira, parando em lugares comuns de pessoas vazias,  lutando por um lugar onde se sentar, sem nunca tirar o rabiosque da cadeira.  
E...
...do outro lado da sala, onde os beirais se enchem de várias camadas e tonalidades de medo. Aí! Sim, nessa solidão... há quem não se sente em lado nenhum e fique à espera, num silêncio doloroso, quase a roçar o eterno, de um lugar, nesse lugar, onde os sentimentos se misturam e sabem a tanto e onde esse tanto sabe a colo.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A genética da avó

Embora de coração eu já o sentisse, está cientificamente provado que a nossa avó materna é a responsável por nos transmitir a maior carga genética, de todos os nossos avós e que essa genética salta de geração, fazendo com que muitos de nós se pareçam com a nossa avó materna. 
Muito mais importante que os traços físicos que dela herdei, como os olhos amendoados, o que mais importa é tudo o que ela me transmitiu enquanto foi viva, entre uma, duas, ou mais canecas de café das borras, que tão bem fazia numa cafeteira ao lume em cima de um tripé, ou das filhoses que amassava com os cotovelos, nessas noites em que me contava as histórias dos nossos antepassados, que registei num caderno e que ainda hoje guardo comigo. 
Tenho tantas saudades da minha avó Helena! Lembro-me dela todos os dias, da sua boa disposição, da pronúncia beirã e da sua habilidade para dizer uma centena de "asneiras", literalmente, numa frase com poucas falas, sem parecer mal. Recordo-me da sua alegria e popularidade, uma simpatia genuína que para onde quer que fosse, não passava despercebida. Depois, sinto falta dos afetos, dos seus abraços, da sua presença que enchia a velha cozinha mascarrada pelo fumo, para além da Boneca, a cadela que guardava o quintal, ou a cabrinha Chica que ia com ela para todo o lado. 
Dizem que lembrar alguém a faz viver de novo. A minha querida avó materna, a Helena, mas também a minha avó paterna, a Maria, já não estão entre nós, mas estão no meu coração todos os dias e não há genética, nem ciência que o justifique, apenas um amor eterno que as faz viver em mim todos os dias.
Foto: Avó Maria e avó Helena

sábado, 15 de outubro de 2016

Aprender

Sentado na esplanada das pedrinhas desse rio que normalmente corre de cima para baixo, mas que por vezes também escoa de baixo para cima, bebendo uma caneca de inteligência emotiva, absorvo e observo: um som pouco audível, uma visão nada coerente e um sentir intenso. Como se fosse vítima de um quadro pintado na minha vida, por um acumular de experiências anteriores.
O desafio é sentar-me com essas memórias, que vão muito para além das pedrinhas do rio, que hoje parece vir de baixo para cima e construir: fazer uma casa de amigos, abraçar um gato, beijar um cão..., ver a vida, uma vez na vida como um dueto. Abraçar essa existência, mais ou menos aquecida por cobertores em dias de inverno, em que os cobertores podem ser alguém e o inverno personifica a saudade.

Para lá desse imaginário que por vezes me consome, há uma consistência, como essa noite que acabou de dia, mesmo depois de incluir um périplo pela introspecção, demasiado longo e penoso. Procurar essa realidade por vezes pode ser demasiado forte! E das palavras que a descrevem podem nascer de sementes demasiado confusas, ilógicas, meio perdidas, onde a única certeza é a visão única que cada um tem da sua vida. Saber que é essa a diferença que faz toda a diferença na hora de viver não é fácil, mas mais difícil é não querer aprender. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A culpa é do comando


Adoro os programas televisivos que ano após ano vão repetindo na televisão, especialmente aqueles em que os concorrentes masculinos, parecem que descendem de uma geração de apicultores, onde foram todos picados pelas abelhas, ou alimentados a sopas de "cavalo cansado" e as concorrentes femininas, sexualmente esfomeadas e histéricas, parecem que foram escolhidas a dedo.  A única coisa que parecem ter todos em comum, é o tamanho da massa cefálica e a estadia num lugar que parece mais um programa pornográfico de um canal aberto, ou o bar de alterne virtual. Qualidade? Da melhor, até porque o que se pretende está largamente conseguido: entretenimento pobre, mas com muita audiência; fórmula ideal para adormecidos e ignorantes, para os que adoram mexericos e histórias da desgraça alheia. 
Só lamento que as pessoas se deixem levar e entreter por programas de lixo, que a tantos convém e que não exista, uma autoridade reguladora decente, que faça realmente um trabalho de triagem sobre o que é transmitido na televisão, porque e apesar das pessoas poderem sempre mudar de canal, a verdade é que nem todos têm essa capacidade... e no fim todos sabemos que a culpa é do comando da televisão.