quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Pensamentos

Já não é 2017 «A» algum tempo (não confundir com: há algum tempo).
Vivo uma despreocupada preocupação dessas que preenche as terras por cultivar, as casas por habitar e os corações para sarar. Não é preciso destruir para construir, aposto mais no instruir.
Tenho consciência que oiço o meu próprio ruído e nessa barulheira infernal procuro tornar o ruído em música, com consciência do que a música, não é música para qualquer um, ou para qualquer lugar.
Não estou à procura de ajuda externa, procuro essencialmente força interna.
Acredito na amizade em quaisquer circunstâncias, independente do tempo ou do espaço de uma relação e amo muito os animais, muito mais que as pessoas, admiro a sua capacidade simplista de serem apenas aquilo que são. Leais e verdadeiros.
Já é 2018 «A» algum tempo (não confundir com: há algum tempo).

domingo, 14 de janeiro de 2018

Assédio

Quando buscamos companhia, mas não queremos ser acompanhados.
Parece invulgar, inquietante, incompreensível, talvez porque isto não seja mesmo para leigos. O dizer, sentir ou postar coisas apenas entendidas pelo próprio autor, e tantas vezes assim me sinto, assim me defino, assim me leio... Apaixonada por hipérboles de uma realidade pouco institucionalizada, movimentando-me aqui ali através das palavras, nem sempre na dimensão do mesmo movimento, muito menos numa orientação, orientada, não necessariamente para comunicar, mas satisfazer esse desejo de prazer que o nosso cérebro tanto busca. Eu encontro a beleza nos sons da escrita, audível, silenciosa, tímida, atrevida, onde por vezes nem tudo faz sentido, ou sentido sequer algum, mas onde tudo tem lugar.

sábado, 6 de janeiro de 2018

As malditas passas

Pode ser uma questão cultural, ou nem sequer questão nenhuma, mas será que se tiver comido as 12 passas sem pedir nenhum desejo, os desejos se realizam? 
Não entendo como é possível mesmo depois de tantos anos de experiência, a passar de um anos para o outro, ainda assim me esqueci de desejar qualquer coisinha. E a primeira semana do ano que não foi nada fácil, com tantos dias em que a vontade de tomar três comprimidos de paciência e uma dúzia de pílulas de coragem excederam todas as perspectivas astrológicas. 
A vida é um pouco como esse vestidinho que podes ou não vestir, seja por vergonha do teu corpo, por frio, ou até pela ocasião, ou a tua maneira de ser, que te o diz para não o fazeres, embora tivesses muita vontade de um dia fazê-lo. 
"In” ou "Out", triste o feliz, a questão não é saber como vestes hoje os teus sentires, mas sim como lidas com isso. 
Oh Catirolas! Mas por que razão não pediste os desejos quando comeste as passas?

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Realidades

A indumentária não é de gala, a refeição não é gourmet e a decoração não entra em nenhuma revista de luxo. Para dar as boas vindas ao novo ano, às vezes não é preciso tanto, por vezes basta um copo de vinho, uma travessa de iscas e umas sardinhas em molho de escabeche, empurrados por um cacete de alguns dias e alguém para partilhar o momento. Um momento onde reside muito do que penso sobre tanta coisa. 
Não sei o que me espera no próximo ano, mas acredito que se olhar para algumas realidades menos “virtuais” talvez encontre outras mais “virtuosas”. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Revelações de reveillon

O ano podia terminar já amanhã, ou depois de amanhã, ou depois de depois de amanhã... pouco importa. Balançar fazer balanços, não fazer nada. Agora escolha.
Um ano a acabar e tantas perguntas por responder.
Será que podemos ser amigos daqueles que têm olheiras?
Se somos o que comemos, o que somos afinal se não comermos nada?
O ano podia terminar já aqui...porque é tudo igual, é tudo mentira isso do novo ano, novo apenas no número, ou no calendário. Lembrado no dia seguinte por muitos, como uma enorme ressaca pelas bebedeiras resultantes de estranhas misturas, já que parece haver cada vez menos euros para gastar em bebidas verdadeiras.
Para quem faz questão de usar cuecas azuis, vermelhas, verdes, ou de outra cor, o melhor é pensar melhor e não usar nada, pois o amanhã é sempre uma incerteza que os meteorologistas até podem prever, mas nem sempre acertar, mesmo se estivermos a usar a cueca acertada na cor certa...



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Peripécias no Centro de Saúde

São perto das 11 da manha, Madalena chega na hora marcada. Apesar da pontualidade, o burburinho na sala de espera do Centro de Saúde fazia prever algumas horas de espera.
No primeiro dia em que o calendário diz que é inverno e às portas do Natal, são muitos aqueles que desejam ter uma prenda de saúde no sapatinho.
Voltando à sala de espera, as experiências repetem-se, as cadeiras de plástico, os conselhos de vacinação, da diabetes, ou até de pedologia vestem algumas das paredes tornando menos pálidas as cores do lugar, mas não a sensação de frio, esse gelo que contrasta com o calor do sufoco de quem espera e desespera pela sua vez.
Por entre os corredores há quem tente furar o sistema tentando uma consulta que não tinha marcado.
No balcão de atendimento uma voz sobressai por entre o burburinho "a agenda para o próximo ano ainda não está aberta", diz a funcionária continuando "não estamos abertos na segunda feira, porque é feriado, nem na terça por causa da tolerância de ponto".
Não há dúvida... afinal parece que a doença também tira férias.

Imagem: Internet 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O presente dos presentes


Ao longo da história tem se assistido a ditadores que procuraram governar o mundo pela força. 
Em épocas mais modernas e civilizadas, hoje. Essa hegemonia, o desejo pelo poder, materializa-se naquele que consegue agarrar primeiro a última caixa de bombos (não confundir com bombons, ou bobos, mas poderia ser a mesma coisa), na prateleira do supermercado. 
Uma visão simplista do Natal, concretizada pelo poder económico, social, politico, ou pelo poder simplesmente, num mundo democrático, em que a democracia se mede pelo número de amizades conquistadas num mundo paralelo ao que vivemos... ou talvez não (não o número de amizades mas o mundo). 
Nos meus desejos mais recônditos, no Natal e no resto dos dias, o que quero não são presentes, mas sentir-me presente!
Feliz Natal.




quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Esperança

Estava abandonada há mais de 50 anos, o cenário era de partir o coração, uma fachada desgastada, dificuldade em manter-se de pé e tudo o que ainda não tinha sido roído ou corroído fora roubado e jamais possível de repor. A vontade inicial de muitos em voltar a erguê-la, mostrava-se afinal a vontade de poucos, e mesmo essa minoria sentia pouca vontade em matérias que não era da sua competência e em matérias de solidez a legislação indica que se deve seguir os protocolos, antes que os pro-to-colos lhes caiam em cima. Recuperar do modo mais fiel possível ao original, transparecendo ainda assim as diferenças que o tempo foi acautelando não é fácil. Mas torna-se muito mais difícil quando ninguém quer saber. E afinal há alguém que queira realmente saber? A segurança social, os vizinhos, os amigos, os filhos, os irmãos, os pais (bem esses não, que esses já morreram, aos 90 anos não resta muita coisa). O silêncio diz tudo, abandonada aos 90 anos, com a fachada do rosto desgastada, com as pernas cansadas causando-lhe dificuldade em manter-se de pé, naquela casa onde o tempo envelheceu o lugar e o que não definhou fora levado por aqueles a quem durante muitos anos chamou de família. Essa realidade que lhe provocou um pranto de lágrimas secas foi interrompido por um ladrar intenso, sincero, amigo e muito afectuoso.... afinal ainda há esperança, para a linda Esperança de 90 anos.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

As meias e os seus buracos

Há dias assim... mesmo quando estás sempre a ouvir dizer que quantidade não significa qualidade que menos é mais, ainda assim vale a pena arriscar e aproveitar os delírios criativos, porque hoje parece que subitamente a caneta começou a ter um caso # acaso, com as palavras através do papel, nessas entrelinhas onde, o que escrevo, ainda que de forma sentida não faz sequer sentido. E não, não faz realmente... é simplesmente o fluxo do pensamento a expressar-se numa orgia de ideias sem nexo que terminam nesses buracos de meias concubinas.
Talvez as meias e os seus buracos, revelem afinal que, os meus pés tenham estado no sitio errado na hora certa. Perhaps.
Os dedos não encaixam nessa peça de vestuário mas servem perfeitamente nos seus buracos... talvez por isso me gelem tanto os pés.

Memorizando



Sempre me perguntei porque temos memória curta sobre umas coisas e longa sobre outras, mas por mais que saiba a resposta, a sensatez impele-me a não revelá-lo. A verdade é que, e agora esmiuçando entendidos na matéria, aqueles que muitas horas dedicaram ao assunto, dizem que temos mais tendência a fixar os períodos frios que os quentes, meteorológicos e neurológicos, "logicamente" falando. E é verdade! Se colocarmos num dos pratos da balança da memória uma catástrofe e no outro uma boa noticia, aquela que vamos recordar mais rapidamente é a da desgraça e isto acontece porque lembrar o que está mal, torna-nos mais atentos, dá-nos mais defesas, é uma forma de nos protegermos. Não sou eu que o digo, é a ciência.
Agora, com ou sem qualquer lógica, com ou sem ciência confesso que… há dias em que me apetecia mesmo ter memória curta, só para dedicar mais tempo à lembrança longa e prolongada de dias quentes... hoje é um desses dias.

domingo, 3 de dezembro de 2017

O que fizemos nós do Natal


O que fizemos nós do Natal? 
Centros comerciais repletos de gente, sacos para aqui, sacos para ali. Um espaço onde se apela massivamente ao consumo e onde as prateleiras estão cheias de ricas prendas e prendas ricas, para ricas pessoas.
Eu também sou enganada pelo Natal, mas quando abro o coração, descubro, para além dos encontros de quem me desencontrei o resto do ano, que esta quadra traz-me quase sempre um presente enlaçado de nostalgia e de saudade, de quem me lembro eternamente.
Foi no dia 26 de dezembro que a vi pela última vez, eu vestida com um fato que parecia um astronauta e ela ali... com aquele ar de sempre e uma pronuncia beirã, nessa capacidade de dizer uma centena de chalaças e de palavrões, numa frase curta e sem parecer muito mal. Esse foi o nosso último momento, mas foi apenas um, o pior do melhor, de uma vida recheada de tantas coisas nossas. Recordo muitas vezes do frio e do calor, da intensidade dessa fogueira, onde a frigideira mascarrada, rendida ao lume em cima de um tripé banhava a massa, amassada horas antes com os cotovelos, até encharcar a roupa interior, para depois cair num óleo escaldante e numa dança harmoniosa transformar-se em filhoses. Lembras-te do que partilhávamos nesses momentos? Eu jamais esqueço...
..as recordações por vezes magoam, mas também servem para nos guiar para o que realmente é importante e o que realmente importa não está nessa caixinha brilhante e cheia de lacinhos que provavelmente irão receber no Natal... está sim na vontade de nos dar.
O que vamos fazer no Natal?

Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...