quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Ladeira

Ladeira após ladeira sem olhar para trás, sem pressentir o sol que tapava momentaneamente a lua como se quisesse deixar uma mensagem, levantou-se um ar... talvez o vento. 

Todos os dias sentimos dúvidas e pregamos certezas.
É preciso muita coragem para enfrentar as imperfeições e as desilusões. 
Porque somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo? De madrugada somos zombies, de manhã profissionais (in)competentes, ao crepúsculo queremos chegar a casa para sermos amantes e cuidar dos nossos filhos, um pouco antes de voltarmos a ser zombies novamente.
Porque não somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo? Avaliados diariamente com inveja, crítica, carinho ou curiosidade mórbida, vítimas e criminosos de um constante big brother, que pode ou não atingir-nos. Felizmente, a maior parte das vezes, tudo isso faz parte da nossa cadeia alimentar, onde podemos comer e vomitar a seguir, ou então optar simplesmente por fazer dieta, a diferença está naquilo que damos importância e que nos pode ou não realmente afetar. Aconteça o que acontecer, seguir em frente é sempre opção, seguir caminho sem esquecer que os "pés" também podem pedir desculpa e dizer obrigado. 
Desculpem esta ausência, obrigada por ainda estarem aí. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Considerações: Ano Novo! Ano Velho!



O ano novo caminha a passos largos. Daqui sensivelmente a três dias, quatro para alguns, dois para outros, depende do lugar onde se está física e espiritualmente, lá estaremos em 2017. Em jeito de balanço, 2016 foi um bom ano?

Tendo em conta o tempo que se teve, ou que não teve para realizar a vida, (parvoíce, pois temos exactamente o mesmo, essa sensação de ter ou não ter depende apenas do que escolhemos fazer). 
Querer, projectar e agir de acordo, são as esperanças, que ano após ano, depositamos no novo ano, normalmente apenas lembradas a poucos dias desse fim que antecede o inicio.
O meu ano, que ainda não acabou, foi um ano de construção, mas creio que tem sido assim sempre. Mudar, construir, começar. Nada fácil, uma luta constante entre o que desejo, com o que posso, ou realmente consigo. 
Tantas vezes me apetece desistir! Principalmente quando olho para a frente e o caminho apresenta-se sempre cheio de buracos... e nem sempre a vontade de os tapar é constante e consistente.
Se gostava que o virar de mais uma página do calendário, não fosse uma superstição, que houvesse realmente magia? Claro que Sim!
Mas tal como esse ambiente festivo onde se carrega o realizar de todas as promessas, onde se renova a vontade, eu sei que o segredo para a receita dessa magia, é sobretudo viver e agir de acordo com o acreditamos, uns dias melhor, outros pior, nessa vontade que vive em nós, independentemente do dia ou da época do ano. 
Conseguir?! Nunca se sabe onde e como fica o amanhã.
Tentar? Sim. Todos os dias. 





quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O que fizemos nós ao Natal?

O que fizemos nós ao Natal?
A poucos dias da noite da consoada, dessa reunião com os amigos e familiares mais queridos, que todos os anos nos garantem a renovação da gaveta onde mora a roupa interior:, cuecas, meias e pijamas. (Que até adoro receber, apesar da ironia).
Em contagem decrescente também o mundo parece cada vez entrar numa ordem decrescente ou decadente... cada vez mais.
Um camião que atropela pessoas, um lunático que dispara por entre a multidão, um suicida que se faz explodir... Enfim, a lista é extensa, complexa e não vale o protagonismo, mas ainda assim e no meio de tanta barbaridade, custa-me admitir e reconhecer que o mais doloroso, o que me assombra o coração por estes dias e noites, é sentir!
O que mais me magoa, não é esses danos físicos e sim o que vai diretamente a tudo aquilo com o qual não concordamos, que vivenciamos e que nada podemos fazer. O que parece difícil de apagar, ou de esquecer, são as atitudes, as ações e as vontades. O fazer o mal olhando a quem... E a poucos dias do Natal é essa imagem que fica no meu coração e que me tem feito chorar bastante, todos os dias! Muito difícil de esquecer!
Sejam bons para os outros que serão, seguramente, muito melhor para vocês!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nuverinhando

Pela beira da estrada, nessa terra que parece inteira, mas que é repartida entre dois concelhos, outrora ligados por uma memória burlesca, uma velha arrumada ao seu bordão de ouro passa devagarinho. O arrastar dos passos não faz, ao contrário do que se poderia pensar, (a)divinhar a sua idade, nem o bordão de ouro que vai nuverinhando a sua passagem, a condição de mulher. Pobre? ou rica?
Ricos são aqueles que partiram e me deixaram aqui? Vai murmurando por entre um ladear de palavras pouco meladas. "Os ricos", no tremor da sua voz, são os parentes que vieram buscar tudo o que de valor a "velha" tinha... há muitos anos. Tantos que já se esqueceu do tempo e dos tempos das coisas. Não há dias contados, não existe Páscoa e muito menos Natal. A vida (des)enrola-se como se estivesse presa a uma bebedeira de dor eterna, onde o sossego, o silêncio da tarde quase noite e o vento que não pára por ali hoje torna mais real a sua solidão... e o vento não passa por ali há tanto tempo.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Encontros de Natal


Assim como quem espera pelas renas e pelos presentes no sapatinho, algures entre o 35 e o 36, estamos quase no fim do ano, mas antes de lá chegarmos há o Natal... 
...o que mais gosto nesta quadra,  é poder provar a quiche da Sofia, a tarte de pastel de nata e farófias de forno com leite creme da Carla, o bacalhau com natas da Sandra, o vinho da Mafalda, o frango especial da Sarita, o pão caseiro da Mena e tantas outras iguarias, de tantos amigos que me enchem o estômago de amor e me fazem subir o termómetro do açúcar, já bem adocicado pelos abraços e miminhos desta amizade, que não tem descrição... 
...o que mais amo no Natal são os encontros, com quem infelizmente ao longo do ano não me é possível estar com a frequência que desejaria e de me sentir tão amada, tão divertida... de me sentir tão especial e isso acontece sempre que estamos juntos e não apenas porque é Natal.



Kikinha em modo de festa de Natal










quinta-feira, 17 de novembro de 2016

American Dream


“Todos os homens são criados iguais" com direito a "vida, liberdade, propriedade e a busca pela felicidade”. O American Dream vive assim enraizado na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, o mesmo sonho que muitos dizem agora desfeito, após a eleição de Donald Trump, como presidente de uma das nações mais poderosas do mundo. Mas a maior surpresa, ao contrário do que se poderia pensar, não foi do bilionário ter sido eleito presidente dos EUA, contra a mais que provável vitória de Hillary Clinton, mas sim esse resultado ter vencido comentadores, celebridades, opinion makers, media internacional e nacional e todo o tipo de sondagens. Eu também achava que ele ia perder, sem saber muito bem, pelo menos aprofundadamente se isso era positivo ou não, e sinceramente continuo sem saber.

A América de hoje pode não ser, seguramente, a de ontem, mas a verdade é que, a de ontem mostrou que existe democracia e que funciona e é essa realidade que convém guardar para (o)amanhã. 
Imagem: Internet

Sonhos...

Onde os caminhos de cabras acabam e as auto-estradas começam, onde o ar me arranca os botões da camisa e o silêncio, a paz, me lava as obscenidades da alma, existe um mundo diferente daquele em que estamos acostumados a viver - estupidamente mágico e belo - Sonho todos os dias acordado com esse lugar, com medo dos meus sonhos se desvanecerem enquanto durmo. Não é um sonho azul, nem verde, nem cor de rosa, não é um sonho com as claridades do verão planando lagos sobre o barulho das gaivotas, ou a calmaria de uma cama levitando no espaço, com os lençóis manchados de café. São apenas momentos escorrendo em forma de estalagmites numa mina de ouro, diamantes feitos de uma luz muito cintilante. São a alegria e a amizade, o caminho dos miminhos no som das palavras que me embalam no berço da vida até adormecer. Agora o sonho desvaneceu-se. Foi-se por entre a nesga de uma nuvem que, no desabrochar de um relâmpago, parece marcar o momento da ruptura, e pelo passeio da solidão onde os buracos parecem cada vez maiores. Estou furioso, por isso desafogo o cabelo loiro entrelaçado e começo a ler ininterruptamente um pergaminho escrito em papel higiénico, só para me torturar. O grito eleva-se dentro de mim e a dor não tem sentido, mas as lâminas invisíveis acertam sempre no lugar onde escondi o coração e as lágrimas não param de me molhar a barba.