sábado, 3 de dezembro de 2016

Encontros de Natal


Assim como quem espera pelas renas e pelos presentes no sapatinho, algures entre o 35 e o 36, estamos quase no fim do ano, mas antes de lá chegarmos há o Natal... 
...o que mais gosto nesta quadra,  é poder provar a quiche da Sofia, a tarte de pastel de nata e farófias de forno com leite creme da Carla, o bacalhau com natas da Sandra, o vinho da Mafalda, o frango especial da Sarita, o pão caseiro da Mena e tantas outras iguarias, de tantos amigos que me enchem o estômago de amor e me fazem subir o termómetro do açúcar, já bem adocicado pelos abraços e miminhos desta amizade, que não tem descrição... 
...o que mais amo no Natal são os encontros, com quem infelizmente ao longo do ano não me é possível estar com a frequência que desejaria e de me sentir tão amada, tão divertida... de me sentir tão especial e isso acontece sempre que estamos juntos e não apenas porque é Natal.



Kikinha em modo de festa de Natal










quinta-feira, 17 de novembro de 2016

American Dream


“Todos os homens são criados iguais" com direito a "vida, liberdade, propriedade e a busca pela felicidade”. O American Dream vive assim enraizado na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, o mesmo sonho que muitos dizem agora desfeito, após a eleição de Donald Trump, como presidente de uma das nações mais poderosas do mundo. Mas a maior surpresa, ao contrário do que se poderia pensar, não foi do bilionário ter sido eleito presidente dos EUA, contra a mais que provável vitória de Hillary Clinton, mas sim esse resultado ter vencido comentadores, celebridades, opinion makers, media internacional e nacional e todo o tipo de sondagens. Eu também achava que ele ia perder, sem saber muito bem, pelo menos aprofundadamente se isso era positivo ou não, e sinceramente continuo sem saber.

A América de hoje pode não ser, seguramente, a de ontem, mas a verdade é que, a de ontem mostrou que existe democracia e que funciona e é essa realidade que convém guardar para (o)amanhã. 
Imagem: Internet

Sonhos...

Onde os caminhos de cabras acabam e as auto-estradas começam, onde o ar me arranca os botões da camisa e o silêncio, a paz, me lava as obscenidades da alma, existe um mundo diferente daquele em que estamos acostumados a viver - estupidamente mágico e belo - Sonho todos os dias acordado com esse lugar, com medo dos meus sonhos se desvanecerem enquanto durmo. Não é um sonho azul, nem verde, nem cor de rosa, não é um sonho com as claridades do verão planando lagos sobre o barulho das gaivotas, ou a calmaria de uma cama levitando no espaço, com os lençóis manchados de café. São apenas momentos escorrendo em forma de estalagmites numa mina de ouro, diamantes feitos de uma luz muito cintilante. São a alegria e a amizade, o caminho dos miminhos no som das palavras que me embalam no berço da vida até adormecer. Agora o sonho desvaneceu-se. Foi-se por entre a nesga de uma nuvem que, no desabrochar de um relâmpago, parece marcar o momento da ruptura, e pelo passeio da solidão onde os buracos parecem cada vez maiores. Estou furioso, por isso desafogo o cabelo loiro entrelaçado e começo a ler ininterruptamente um pergaminho escrito em papel higiénico, só para me torturar. O grito eleva-se dentro de mim e a dor não tem sentido, mas as lâminas invisíveis acertam sempre no lugar onde escondi o coração e as lágrimas não param de me molhar a barba.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sentir

É tão bom vir à Internet. 
Aqui tudo é perfeito, as pessoas são lindas, extraordinárias, calorosas e os melhores em tudo.
Aqui não faltam amigos, palavras amigas, fotos perfeitas e relações sem grumos. 
Mão há maior solidão do que viver na ideia, de combater a solidão, com a companhia virtual, porque o mundo lá fora, até pode por vezes ser demasiado duro e difícil de enfrentar, mas é um mundo real, para os bons e maus momentos, onde um abraço é um abraço e não há nada que supere esse sentimento de sentir.


Pipinho e os seus famosos abraços


sábado, 29 de outubro de 2016

O dilema

Viver é um estranho dilema...
Quando pensamos, que temos tudo controlado, a saída com os amigos, o jantar da tia Mariana na casa da tia Manuela, as despesas, as brincadeiras do gato Pipo e até aqueles "tostões" que escondemos numa gaveta lá em casa, guardados religiosamente para uma "escapadinha" que andamos a planear ainda as férias de verão não tinham começado, lá vem um imprevisto no pacote, para nos "dar no pacote".
Quando temos todo o tempo do mundo para planear, pular, enfim... concretizar, o que normalmente não fazemos porque não temos tempo. Não fazemos nada.
Viver não é um estranho dilema. O dilema é o que colocamos como prioridades nessa vida, onde às vezes o inesperado, o incontrolável é bom, sabe bem e recomenda-se.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A aranha

Quantas vezes nos deixamos apanhar pela teia da vida, queixando-nos deste ou daquele aranhão, quando na realidade muito dos fios que envolvem a teia foram tecidos por nós.
Soltar-nos dessa teia é muito fácil, difícil é ter capacidade de olhar para além daquilo que se vê, e ver que a aranha, aquele ser arrepiante, pesadelo de muitas fobias é afinal nossa amiga.

Nota: Não sou grande fotógrafa mas há muito tempo que aguardava poder captar a artista desta obra.


Texto: Catirolas /Modelo: Aranha






terça-feira, 25 de outubro de 2016

Colo

No faroeste da vida, (todos os dias) # (diariamente), há quem se sente numa cadeira, parando em lugares comuns de pessoas vazias,  lutando por um lugar onde se sentar, sem nunca tirar o rabiosque da cadeira.  
E...
...do outro lado da sala, onde os beirais se enchem de várias camadas e tonalidades de medo. Aí! Sim, nessa solidão... há quem não se sente em lado nenhum e fique à espera, num silêncio doloroso, quase a roçar o eterno, de um lugar, nesse lugar, onde os sentimentos se misturam e sabem a tanto e onde esse tanto sabe a colo.