segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vamos limpar sanitas?

Não há relações eternas, nem amores perfeitos... a frase até pode já vir em qualquer embalagem de comida pré-cozinhada, oferecida por um conhecido desconhecido, ou um desconhecido, desconhecido... na vida que vai e vem como o verão. E o verão, para além do aroma a sardinha assada, (deliciosas, diga-se de passagem), é propício a isso. A esses encontros mais ou menos escaldantes, a dois, a três, ou a quantos couberem na palma da mão e os pés conseguirem calcorrear pelos grãos de areia das emoções, dependendo do tamanho do coração e da capacidade de se amar. Sentimentos que vagueiam entre apeadeiros do ano e do tempo, perdidamente encontrados, ou encontrados perdidamente, entre um nascer e um pôr do sol, num espaço de tempo, temporariamente espacial, (não confundir com especial) que nunca sabe ao mesmo, mas que sabe mesmo bem, nesse suborno de palavras em que dizer sim, quer apenas significar sim e um não, apenas um não. Dizer que se gosta de alguém é fácil, difícil é convidar esse alguém, que afirma, que jura, que garante gostar de nós, convidá-lo para limpar sanitas e essa pessoa aceitar!

domingo, 18 de junho de 2017

Perfeição


Quem não assume qualquer papel na vida, por mais polémico, proibido ou apaixonado que seja. Quem vive nessa constante vontade de fazer alguma coisa, mas que não o faz, só para agradar a todos e não chatear nenhuns, então o melhor é ir ralar cenouras com uma colher de sobremesa e esperar um dia conseguir fazer uma salada. 
Nesta breve vida, onde lutamos para ser perfeitos, não cabe a perfeição. 
Não há pessoas perfeitas e nem todos os momentos são aquilo que desejamos, mas só o simples sentimento de o desejar já o torna belo e único e isso parece-me perfeito!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mãos e pés


Nesse lugar, sentindo os bagos de areia nos dedos, onde as mãos procuram outras mãos para se relacionarem com os anéis, na esperança de abafar a multidão de um só e... onde os pés permanecem descalços sem nada para calçar. Há um mundo para descobrir, num caminho de terra ou de mar, mas sempre por essa estrada que segue direita ao coração.
Na falta de capacidade de ler nas entrelinhas, há pescadores que não conseguem apanhar sardinhas e por isso procuram dias melhores e roupas, vestes que sirvam nesses corpos que nada têm para vestir, mas que ainda assim se encontram povoados de sentimento, onde dizer: Volta! Parece ser muito mais difícil que dizer: Adeus!

domingo, 11 de junho de 2017

Moment


Por vezes encontramos pessoas profusamente vazias! Perdidas nesse monte onde erguem barreiras à sua volta, vestindo cintos de teimosia, desperdiçando a vida com aquilo que não podem fazer, não podem dizer, respirar, ou sequer sentir, e encontramos essas pessoas em nós.
Dizer que se gosta de alguém é tão fácil: do pai, do filho, de um amigo, de um amante, ou até de uma pessoa mais velha que passa na rua, sem sequer a conhecer verdadeiramente, apenas adivinhando aquilo que ela pode ser. 
Lutamos o dia a dia contra nós próprios e com o tempo que temos, para concretizar um projeto, fazer uma viagem, cumprir os objetivos, com tal foco e vontade que por vezes nos esquecemos das coisas simples e do que realmente a vida tem de importante... esse momento de sentir.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

A complexidade da beleza

É quase sempre assim, um pouco antes de entrarmos na Sealy Season e mergulhar nesse desfilar de bronzes, enchem-se os ginásios e as ruas de corredores e desportistas compulsivos, tentando ascender a corpos perfeitos, de uma venustidade comum, exigida por multidões. "Agarrados", por um sentimento de beleza, derivado dessa ideia de putrescibilidade difícil de parar e de superar, quando o que é belo poderá perfeitamente perder-se entre o fragor do quotidiano e o fulgor de um olhar, vestido e despido pelo ritmos dos dias, em que rimos e choramos com as estórias surpreendentes, lidas para lá das entrelinhas, de algumas pessoas e de alguns animais também, que nos dizem uma coisa mas que sentem e acreditam noutra, as pessoas não os animais. E é nesse arroubo, algures entre o que se vê e o que não se vê, que se encontra aquilo que mais próximo se pode definir de belo.

“Talvez demasiado profundo e complexo para um dia como o amanhã”.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A moda das Barbas na perspectiva da Catirolas

Os especialistas de moda dizem: "rapazes as barbas estão ultrapassadas". 
Mais que uma questão de moda, ou de estilo, a verdade é que a maioria das mulheres não gosta de ver os "homens", em modo Talibã.
Pela quantidade de "barbudos", que actualmente coabitam por metro quadrado, Portugal parece que virou, da noite para o dia, um país do estado islâmico.  
Esta tendência masculina não faz sentido, os rostos querem-se lisos e livres de pêlos. Qual é o homem que gosta de passar a mão no pêlo de uma mulher peluda? Pois é, nenhum. No caso das mulheres é igual. Claro que há alguns homens que combinam muito mais com barba do que outros, e em que um pouco de barba, lhes dá até um certo encanto, ou charme, mas são quase sempre sexy symbol. Seja como for e porque não há verdades absolutas, gostar de alguém implica gostar das suas perfeitas imperfeições, com mais ou menos barba, ou então não é amar, é uma falsa verdade, tal como a música do Salvador Sobral, "Amar pelos Dois", pois amar pelos dois, é amar a um só e isso não é amor é solidão.

E agora digam lá se este artigo não deu água pela barba?

Modo de sobrevivência

Gargalhadas de pés na areia perante um palco vazio invadem as parafinas dos sonhos. Ao fundo, esse cenário inóspito de um processo democrático demasiado burocrático para se esperar por ele.
Aos olhos dos Tukanos tudo é simples, social e espiritual...Estes animais frugívoros, só querem continuar a comer fruta, indiferentes ao aquecimento global, ou há desflorestação do seu habitat. Com eles tudo é natural, não entram em birras ou desavenças, do "pata aqui pata acolá".
Enquanto o mundo discute o que pode ou não continuar a poluir e a destruir, como se houvesse dúvidas em relação a isso, enquanto se aguarda pela "Lei de Trump" e tantas outras "Trumpalhadas" nada muda.
Reféns de mundo impiedoso e egoísta dessa sociedade suicida, estamos em modo de sobrevivência...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Criançada


As crianças de hoje crescem cedo demais. 
Já não há brincadeiras na rua, pernas esfoladas e roupa suja e rasgada. Mas há telemóveis, jogos de computador e distracções à mesa do jantar.
Não há sol na pele, vento na cara... muitos dias de brincadeira, nesses onde os dias passavam devagar, naturalmente. 
Agora as crianças levantam-se cedo demais, nessa longa jornada, onde cada vez menos, há espaço para brincar. 
Como podemos ensinar as crianças a serem felizes, se não conseguimos aceitar, essa felicidade de ser criança toda a vida?




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lisboa dos meus (re)cantos

Aviso à navegação bloguista: Vou escrever este "delírio", com consciência de que nos próximos dias não o vou fazer.

Sentados nos bancos do jardim a jogar à bisca, ou à sueca, indiferentes a essa agitação turística, (que passa bem perto da bainha das suas calças, feitas por medida, numa dessas alfaiatarias antigas, onde não se corta forte nem feio), ou talvez não, a avaliar pelo olhar guloso, mas sem malícia, que o senhor, ao lado das Chapelarias Azevedo, "uma das minhas lojas preferidas da baixa", lança às turistas de sotaque Inglês, de pele vermelha, olhos e cabelos claros e de perna longa, enquanto um pouco mais à frente, procuram a Ginginha do Rossio, sem reparar que fica ali mesmo, actualizada, bem diferente daquela, onde a ginginha era servida em copos de vidro, enxaguados na torneira, depois da ultima utilização, até vir a ASAE e exigir os copos de plástico, descartáveis, "mas garanto-vos que o néctar tinha outro sabor quando vinha nos tais famosos copos de vidro". O que me faz lembrar igualmente, essas noites icónicas da capital, como o Foxtrot, o Pavilhão Chinês ou o Procópio, da década de 70, e ainda de portas abertas. Lugares apaixonantes, a cheirar a aconchego, daqueles onde é possível dar beijinhos à media luz. Onde se tem que tocar à campainha para entrar, onde a música faz parte do espaço, sem o esmagar e onde nos sentimos como se estivéssemos em casa, sem lá estar, porque estamos num bar e o ambiente está lá. Re(cantos) que nasceram para serem descobertos e vividos por cada um à sua maneira... 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Esta mãe é para todos

16 dias depois do tal dia estipulado, essencialmente pelo comércio. Eis a minha homenagem às mães como sinto que deve ser, umas vezes mais ou menos declarada, mas todos os dias sentida.

Rica, pobre, branca, preta, amarela, magra, gorda e assim assim, moderna ou antiquada. Os adjetivos são "imensos", palavra que uso e abuso, não por ser tia, apesar de o ser de três belos sobrinho, mas por ser a melhor que define, o ter um coração capaz de albergar tal sentimento mastodôntico, que resumindo significa que uma mãe é  mãe em qualquer parte do mundo, apenas variando pelo perfil dos retratos e pela descrição, tão vasta quanto esse amor, que torna tudo único e verdadeiro. Uma mulher que nos recebe de braços abertos e de coração cheio, que nos enche de comida, de miminhos e que nunca nos deixa ficar tristes...que nunca nos deixa (ponto).




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Voltar a casa

Saciando paixões de histórias reais, ultrapassando todas as regras e limites. Assim me sinto quando volto a casa, ao lar onde cresci, uma casa onde o quarto ainda guarda o cheiro a juventude, a primeiros encontros e a noitadas de estudo. Onde os móveis permanecem bronzeados por essa temperatura, que tantas noites me aqueceu e arrefeceu a alma, enquanto desenhava a vida, sem saber que a estava a desenhar.
Longe da fereza da brutalidade da partida, vem-me à memória a nostalgia desses dias. E que aperto de saudade!
Não sei quando me tornei emotiva...mas é nesse lugar, longe e perto, rendida à realidade dos dias, que me veste e me despe uma necessidade pura e recatada, da doçura de um abraço.


Publicação em destaque

Outono

Incrível!! Ainda ontem o cair da noite banhava lentamente (a passo de caracol) os nenúfares que boiavam no charco verde de águas cálidas, ...