quinta-feira, 23 de julho de 2015

A teorizar sobre as férias

Verão é tempo de férias... férias... férias e férias...
Mas afinal o que são as férias?
Para muitos será certamente dias de calor, de papo para o ar, em praias apinhadas de gente, a mais de 1000 milhas do local onde se vive, onde subitamente se repara, que ao lado da nossa toalha está alguém que se conhece e que naquele momento não gostaríamos de ver ou de ser visto, em fato de banho.
É dizer que se vai descansar uns dias e levar o portátil, o telemóvel, o tablet... entre outros aparelhos que nos mantém ligados all day long, numa altura onde a prioridade deveria ser desligar.

Nestas férias... Não quero pensar, quero apenas estar.
Não me interessa para onde vou... interessa-me com quem vou e com quem vou estar.
Partilhar estrelas com as minhas estrelas!
Deliciar-me com conversas banais.
Dar abraços, cobrar amaços e respirar esse tempo de qualidade, que o tempo de férias me dá.
Foto: Alguém em período de férias... by Catrirolas


 





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Turista acidental

Estávamos definitivamente no verão. O calor invadia a sala, melancólica de abrigar tantos rostos suados e moles. Os papéis estendidos em cima da mesa pareciam querer cair dali abaixo. "Se ou menos houvesse uma ventoinha". As cadeiras colavam-se às pernas  bronzeadas, em corpos que traduziam sessões de praia ao fim de semana. Na mente, nesses pequenos momentos em que estamos mais para lá do que para cá, persistia apenas uma ideia: Férias! 
Foi então que por momentos, esqueci as birras no trabalho, as tarefas rotineiras, as hora de ponta, a voz de alguém a zumbir no ouvido, os vizinhos mal educados e parti rumo à aventura.
Imaginei-me um turista acidental perdido num paraíso, com a mochilinha às costas, os calções a t-shirt, os chinelos, a tenda, o saco-cama, o cantil de água, a máquina fotográfica, o mapa, o repelente para os insectos e a caixa de preservativos. 
Carregado com toda esta tralha, com aquele ar de boneco desorientado estampado no rosto, passeava por entre as paisagens idílicas que me trespassavam a mente, visitava monumentos e lugares históricos, praias de areia branca, onde me embalava à noite a ver o pôr do sol e a beber uns cocktails exóticos, com gente exótica e colorida, numa mistura de frutas com vários sabores. Depois dançava numa discoteca ao ar livre, fazia amor com desconhecidas, apanhava um escaldão e gastava, em duas semanas de férias, todo o dinheiro ganho em 365 dias.
A alegria era contagiante, as fotografias ilustravam tudo: convívio, cor, amor, aventura, essa quimera de poder viver a sensação de não fazer nada, nada e nada, ainda que só por dois décimos de segundo, o tempo que dura um turista imaginário a acordar do seu sonho quando confrontado com a sensação desagradável de dor, sentida ao cair na cadeira naquela bela tarde de verão, descobrindo que afinal, férias, férias, só mesmo para o ano...

Texto: Catirolas
Foto: Internet

sábado, 11 de julho de 2015

Férias para todos

Em época de férias há milhares de pessoas em transição:
Há os de cá, que estão lá e que querem vir para cá; há os de lá que simplesmente querem vir até cá; há os de cá que querem ir para lá; e há ainda os de cá que querem ir para qualquer lugar, mas que face às dificuldades económicos não saem nem de lá para cá, nem de cá para lá, que é como quem diz não vão a lado nenhum.