sábado, 19 de março de 2016

Dia do pai para sempre

Quando… o dia do pai é todos os dias

Quando isso acontece, dá-se uma reacção química muito estranha. A insignificância de um significado preso numa palavra, com três letras, para explicar ao mundo algo que não tem explicação. Sem conotações comerciais, sem publicidade, ou apelo ao consumismo. Coisas simples que geram relações complicadas. Mas não interessa, porque na verdade o que importa saber, é que na maior parte das vezes, um abraço, é simplesmente um abraço...
Todos deveríamos ter um pai, mas essa utopia só seria realizável se não fossemos todos seres humanos, logo susceptíveis de amar e de magoar, de errar e de perdoar...

Um lugar estranho

A vida é um lugar estranho, é não é?
Um lugar de mil cheiros, sabores e cores, muitas vezes indefinidas, mas que conseguimos identificar perfeitamente, tal como as pessoas, se tivermos coragem de olhar para além daquilo que os nosso olhos nos mostram, onde há muito mais para ver e para sentir, numa linguagem não verbalizada onde verbalizamos cada letra.
Um lugar onde brotam e se perdem oportunidades # escolhas, tal como, amizades # amigos.
Onde a solidão não é um cliché e sim aquele lugar cheio de gente, onde nos perdemos e não sabemos com quem falar, falar com o coração e não falar só no sentido de abrir a boca e vomitar palavras para fazer conversas...da treta.
Tem manhãs, tardes e noites em que me apetecia fumar um longo e demorado charro... não no sentido literal da palavra, mas empiricamente, só pela vontade de ficar num estado Zen.... Para não identificar, olhar, ler, sentir, analisar... não ser aquilo que sou... para o bem e para o mal, demasiadas vezes.
Há dias em que deterioro as palavras, para não deixar que me leiam nas entrelinhas... e o que é mais estranho, é que isso não é para mim, um lugar estranho!


Sofia Copola, Lost in Translation, um dos meus filmes de eleição

terça-feira, 8 de março de 2016

Toda a verdade sobre as mulheres.

Para quem acha que os dias instituídos apenas servem para lembrar, por um momento, consciências mais adormecidas e apesar deste dia ter um significado especial na minha vida pessoal.


Gostaria de dizer a todos os homens que nos amam, que não adianta tirar cursos, conversar com os amigos sobre o assunto, vestirem-se de "nós" no Carnaval, ou tentar perceber o que se passa na nossa cabeça, é tempo inútil e desnecessário... somos aquilo que somos à nossa maneira e de uma forma clara, ou de outra  mais complicada, tudo o que queremos, não é mais do que o que qualquer ser humano quer. Que se esforcem e que se interessem por nós e por aquilo que fazemos com tanto carinho e dedicação... todos os dias do ano, mas se esse interesse vier acompanhado com um ramo de flores, também não faz mal.

sábado, 5 de março de 2016

O tal anuncio


No mundo em que vivemos, há cada vez mais uma maior exigência e critério na selecção de profissionais para determinados cargos...principalmente da esfera politica e financeira:

Profissional, galã e que não se importe de correr o risco de viajar entre alguns processos judiciais, podendo vir a passar alguns dias numa prisão, para meditar ou escrever um livro
Habilitações literárias: Licenciado ou que saiba falsificar o certificado de habilitações que lhe confine tal grau académico, podendo também servir plágios e afins.
Principais competências: Mestre em desviar fundos e corrupção activa. 
Experiência profissional: Não é relevante, vai aprender com os melhores.


Boa Fortuna


Boa Fortuna tem três filhos que correm descalços pelo asfalto para verem o pai chegar, depois de mais um dia de trabalho.  Sua esposa, a Cremilde dos Dias Melhores morreu de uma doença estranha, algures entre a Malária e a Sida. Seus filhos com nomes normais, Pedro de 14 anos, o João de 8 e o Manuel de 5, vivem entre a caridade da associação do bairro e os trabalhos precários e pouco incertos que o pai lá vai arranjando. 
Boa fortuna nunca foi à escola, nunca viu o mar, nunca saiu do bairro.
No ano passado recebeu a visita de uns senhores engravatados com umas bandeirinhas coloridas, vieram discursar sobre um milagre, o “Rendimento mínimo qualquer coisa”. Boa Fortuna não percebeu nada, não é instruído, cresceu demasiado depressa para isso. O presidente do Bairro disse-lhe que ia receber dinheiro e incentivou-o a assinar uns papéis, mas passaram-se meses e nada. Entretanto o presidente mudou de casa, de carro e foi-se embora, mas Boa Fortuna viu-o no outro dia na televisão de um café onde foi recolher o lixo..., o presidente foi levado pela policia. Que pena, era tão boa pessoa!
Boa Fortuna passa fome. Todos os dias por volta das 23h00, aguarda à porta das traseiras de um restaurante da cidade, ao lado do seu bairro. Fica à espera que lhe dêem os restos de comida e eles dão. Para ele, é a primeira e única refeição do dia. Com os sacos cheios de comida boa, regressa a casa. Os filhos estão à sua espera a dormir, algures entre as ratazanas, as baratas e outros bichos de estimação pouco visíveis a olho nu. Boa Fortuna está cansado, por vezes apetece-lhe desistir destes dias longos e duros, acabar com a má sorte que a vida lhe deu... mas quando regressa finalmente a casa e os seus meninos o abraçam cheios de ternura e felicidade, tudo desaparece: a tristeza, o cansaço, a vontade de desistir…
Com três crianças tão belas, Boa Fortuna, só poderia ser um homem afortunado.