sábado, 29 de abril de 2017

Para os meus amigos em Menopausa Relacional parte 2

O tempo passa.... como o tempo passa. Mas parece que a partir de uma certa idade passa cada vez mais apressado, ou será que somos nós que o garantimos, presos nessa loucura em que queremos que os dias se transformem em noites, para irmos para a cama descansar mas quando estamos deitados não conseguimos dormir a pensar no que temos que fazer quando tivermos que acordar. O que se passa afinal? 
Porque ligo para esses números, que ainda guardo na agenda em formato papel, pensando que os números que lá estão escritos me encaminham para vocês, que primeiro eram um, que depois passaram a dois e quando estavam quase a ser três, voltaram a ser só um numa casa feita para três. Almas perdidas nesse sentimento que amuou, se desuniu e desentrelaçou perante essa ausência de cabeceira física, lembrando que a psíquica já há muito se mudou de malas e bagagens, para outras paragens, que não pararam por ali. 
Ficar ou partir nem sempre é uma decisão fácil, mas a felicidade começa nesse ponto em que assume que a vida é apenas de quem a vive, e isso não é um acto de egoísmo ou egocentrismo, mas sim um principio de sobrevivência...e eu, bem eu cá estou e estarei de braços abertos para abraçar quem escolha o calor dos meus abraços de braços pequenos, mas por favor, só para não complicar apareçam um de cada vez.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Vítima


Ilusão de quem vive pensando que a Internet é uma USB para relações, apesar das conexões, mais ou menos vibrantes, falta-lhe o cheiro, o sentimento... falta-lhe a humanização. 

Mudar a vida de alguém contando a sua história, num combate ao esquecimento, nesse testemunho comum com tanto valor, não é fácil, pois não se trata apenas de contar mais uma história na forma escrita, mas de uma forma honesta, como a sentiu no momento em que a registou. Como o episódio daquela mulher, que desde que aqui cheguei, nunca cheguei a ver,  chamava-se Vitima. Dizem as más línguas, que a Vítima, um dia resolveu colocar dez ganchos de borboletas no cabelo e voar para outras paragens, foi encontrar-se com a estátua do veado, na descida para o Farol da Nazaré e..., nada aconteceu. Segundo relatos de quem ouviu dizer, de alguém que viu, mas que não tem a certeza, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha. Reza a lenda, que a partir daí nunca mais ninguém viu a Vítima. Diz o pai, do primo, que é tio avô, de alguém que partiu há muito tempo para a pesca do bacalhau que a tal senhora, a Vítima dos ganchos de borboleta, terá sobrevivido à queda, presa na tal rocha pela originalidade e graciosidade das suas sete saias, mas que terá então morrido de vergonha.

Imagem: Internet


terça-feira, 11 de abril de 2017

O colo

Até parece que estamos no verão, não por causa desse tempo fora do tempo, mas porque toda a gente está de férias! Um privilégio que pelo que vou testemunhando, aqui e ali, muitos parecem estar a usufruir. Todos, menos a Catirolas. Bem se querem mesmo saber, as minhas férias são quase diárias (agora roam-se de inveja!): uma estrada sem transito, tirando os tractores e os papa reformas, claramente em excesso de velocidade; beber uma "birra" na praia, na serra, ou no centro histórico, já que o melhor dos 3 mundos fica a 6 de distância e principalmente ter a melhor companhia do mundo, todos os dias, aquela que me espera de olhos esbugalhados, como se quisesse dizer num só miado, essa linguagem que poucos conseguem entender e muito menos decifrar. Então quando é que desligas da corrente e me dás esse colo merecido?
"Kikinha é já depois deste "delírio"!



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sentir

Como um órgão de reprodução de um texto, que nasce da tecelagem feita pelas aranhas, as palavras! As certas ou as erradas, nem sempre é fácil acertar com elas, dar-lhes um ritmo, vesti-las de sentimentos, senti-las. 
Umas carregadas de tristeza, outras de alegria, tantas de ternura, na verdade tudo depende, tal como a vida, do que fazemos com elas e esse texto em reprodução, vai depender muito da forma como a caneta se enrola no papel através dos dedos, colados à mão. Depende muito da forma e cor da escrita, da leitura e uma vez mais, do sentimento que se coloca quando se escreve. 
Mais ou menos diretas, podem estar repletas de significados e/ou de nadas, podendo dizer pouco com tanto e tanto com nada e para complicar ainda há as letras, que se envolvem e desenvolvem para fazer sentido, nesse amor que nasce do coração nem sempre compreendido, muito menos decifrável, mas que é o que é, porque é real e é ele que dá verdade a essas palavras originando esse texto que muitos ou poucos hão de ler… mas os que o fizerem seguramente terão o privilégio de experimentar um valioso tesouro dos nossos dias, sentir!  


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Futebo(to)lices

Hoje vou recuperar uma crónica que escrevei para um jornal nacional em 1999,  (assim depressa só se passaram 18 anos), o que é mais surpreendente é que depois de o reler, parece que foi escrito sobre os acontecimentos de hoje.

Futebo(to)lices

Os jogos de futebol de domingo à tarde lembram caracóis a pastar num prado viçoso sem grama.
Mundo difícil esse que se enfrenta, frágil como o discurso caótico de um homem vestido de negro, tentando justificar o injustificável perante uma multidão que já o condenou. Será que estamos todos corrompidos? Políticos, carpinteiros, crianças, cidadãos comuns, árbitros (por amor de Deus carpinteiros e crianças???), (...), ninguém parece realmente escapar. Tudo se compra, todos se vendem, e depois esquece-se o que se estava ali a fazer. E para quê?!
No fundo, a vida é como esse jogo de futebol, onde se quer tanto ganhar, seja a que preço for, que se esquece o verdadeiro sentido da disputa, metido nos balneários, ao lado da roupa suja, à espera que venha alguém tirá-lo de lá.
Decididamente a tradição já não é o que era. O futebol de hoje lembra muito mais que uma porção considerável de atletas a correr atrás de uma bola, com as pernas musculadas, algumas depiladas, bem visíveis a olho nu. Agora, o verdadeiro jogo é feito fora das quatro linhas, entre os dirigentes, (ir)responsáveis por esta modalidade e adeptos. De facto, luta-se não pela cor do clube, ou pelo amor à camisola, mas pela cor do dinheiro e pelo amor ao poder, muito mais frutuoso e emocionante.
No meio de toda esta salada mística, sem sabor definido, estão os árbitros, que são normalmente os culpados da polémica que assombra os estádios de futebol; amaldiçoados pela falta mal assinalada, pelo golo anulado, pela grande penalidade inexistente, pela agressão ignorada, enfim... por uma batelada de lances duvidosos. Erros que até poderão ter sido cometidos de forma inocente, mas que nem vale a pena fundamentar, porque os adeptos já estão em fúria, os dirigentes indignados, os jogadores apoquentados e os jornalistas contentíssimos, por terem noticias para mais umas quantas semanas.
Enquanto isso, os pobres homens de negro poderão ter as suas razões, poderão até excogitar provas fortes, mas ninguém quer saber. Para quê, não é noticia!? São o conflito e a polémica que dão vida e revigoram a alma. É disso que muitos gostam neste desporto-rei, sem rei nem roque, nesse reinado cada vez mais duvidoso, "porque afinal ser filho de um homem ilustre não é bem a mesma coisa que se ser ilustre"... Ou será que é?