quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Vítima


Ilusão de quem vive pensando que a Internet é uma USB para relações, apesar das conexões, mais ou menos vibrantes, falta-lhe o cheiro, o sentimento... falta-lhe a humanização. 

Mudar a vida de alguém contando a sua história, num combate ao esquecimento, nesse testemunho comum com tanto valor, não é fácil, pois não se trata apenas de contar mais uma história na forma escrita, mas de uma forma honesta, como a sentiu no momento em que a registou. Como o episódio daquela mulher, que desde que aqui cheguei, nunca cheguei a ver,  chamava-se Vitima. Dizem as más línguas, que a Vítima, um dia resolveu colocar dez ganchos de borboletas no cabelo e voar para outras paragens, foi encontrar-se com a estátua do veado, na descida para o Farol da Nazaré e..., nada aconteceu. Segundo relatos de quem ouviu dizer, de alguém que viu, mas que não tem a certeza, as sete saias fizeram um balão e ficou presa numa rocha. Reza a lenda, que a partir daí nunca mais ninguém viu a Vítima. Diz o pai, do primo, que é tio avô, de alguém que partiu há muito tempo para a pesca do bacalhau que a tal senhora, a Vítima dos ganchos de borboleta, terá sobrevivido à queda, presa na tal rocha pela originalidade e graciosidade das suas sete saias, mas que terá então morrido de vergonha.

Imagem: Internet


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