terça-feira, 20 de abril de 2010

Hoje cheira a qualquer coisa indefinida

Ladeira após ladeira sem olhar para trás, sem pressentir o sol que tapava momentaneamente a lua como se quisesse deixar uma mensagem, levantou-se.

Todos os dias o fazemos, todos os dias nos cruzamos com alguém em situações diversas, sentimos dúvidas, pregamos certezas. Mundos que correm em paralelo e que nos desprezam ou que nos fixam a atenção, seja pelo cheiro bom a café de cafeteira, feito numa fogueira de lenha, a lembrar os tempos antigos, ou pelo sorriso dos peixinhos amarelos, na loja de animais. Há que seguir em frente.

É preciso coragem para deixar flutuar o ar fresco que se renova a cada manhã, interiorizar a energia que nos faz enfrentar as atrocidades da vida, a perseguição a que estamos sujeitos, os nossos sonhos, as nossas esperanças, e as nossas desilusões, as mudanças que ocorrem a cada segundo, e que não notamos no reflexo do espelho, mas apenas nos retratos de ano após ano. Somos tantas coisas diferentes em tão pouco espaço de tempo. De madrugada somos zombies, de manhã profissionais competentes, ao crepúsculo queremos chegar a casa para sermos amantes e cuidar dos nossos filhos antes de voltarmos a ser zombies de novo.

Todos os dias somos avaliados, no trabalho, na rua, no nosso grupo familiar e social; pelos colegas, amigos, vizinhos, … pelo resto do mundo; com inveja, crítica, carinho ou curiosidade mórbida; como se fosse realmente importante o que vestimos, o que fazemos ou para onde vamos. Somos vítimas de uma constante vigia social e profissional, que pode ou não atingir-nos, depende da importância que isso tem na nossa vida, felizmente a maior parte das vezes, essas pessoas fazem parte da nossa cadeia alimentar, por isso podemos comê-las.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: Internet

4 comentários:

Tulipa disse...

hehheeh Gostei muito do texto e mais ainda do desfecho! kiss

Catarina Reis disse...

Olá Tulipa, obrigada. Bjs Catarina

António Pedro Santos disse...

Tal como a Tulipa...gostei muito do desfecho e concordo plenamente...pegando numa das frases preferidas da minha Carlinha...o que não nos mata fortalece-nos...penso que esta frase personifica aquilo que tentas dizer neste artigo...Bjs Toni

Catarina Reis disse...

É verdade, Toni querido, a Carlinha tem toda a razão. Bjs para os três lá de casa.
Catarina

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