quarta-feira, 14 de abril de 2010

Love Letter

Por que é que, culturalmente, nós nos sentimos mais confortáveis vendo dois homens segurando armas do que dando as mãos?”
Ernest Gaines

Querido Pedro!
Não o sei bem o que pensar de um gajo que houve Heavy Metal e lê Fernando Pessoa, mas tenho saudades dos momentos que não vou encontrar, por já não estares no meu caminho, melancolia pelas palavras processadas nas tardes de Domingo, no jardim de um raio de sol, entre a minha imaginação e a realidade do teu olhar. Alguma vez te disse? Tantas vezes, mas tantas vezes em sonhos e tão poucas na tua presença… Eu procurei, mas não achei…o livro de cheques debaixo da minha mesa-de-cabeceira, onde te queria escrever palavras bonitas, com vários zeros, como tu gostas; mas agora as palavras foram-se, molharam-se com a chuva do norte, num grito de incontinência e agora tenho que secá-las com o vento do sul, antes que penses que sou um tipo normal, gordo, careca, sarnoso, que gosta de fazer pouco e de dizer que faz muito, que gosta de ver filmes românticos e de andar de mão dada pela Avenida da Liberdade, apesar dos insultos e dos olhares, numa demonstração clara de afecto. Antes que descubras que choro todos os dias, desde que deixámos de fazer filmes pornográficos no soalho de madeira da sala, da casa da tua mãe, depois de assumirmos a nossa sexualidade ao mundo, sem medos e preconceitos. Antes que aprendas a amar, deixes o outro tipo enfatuado da Quinta do Lago, que te deu tudo o que eu não tinha para te dar, um amor monetário e voltes para mim.
Aquele abraço apertado, João.
P.S. Tenho tantas saudades do teu rabo.

Existe uma ilusão de que os homossexuais fazem sexo e os heterossexuais se apaixonam. É uma completa inverdade. Todo mundo quer ser amado.
Robert Louis Stevenson

Imagem: Internet

3 comentários:

Tulipa disse...

Parece que a paixão não depende do género nem das opções sexuais, somos todos feitos da mesma matéria!!! Abaixo o preconceito, sim!!! kisses

Catarina Reis disse...

É verdade, abaixo os preconceitos.
Bjs Catarina

Raquel disse...

Abaixo os preconceitos e depressa!!!

Bjs

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