Pela beira da estrada, nessa terra que parece inteira, mas que é repartida entre dois concelhos, outrora ligados por uma memória burlesca, uma velha arrumada ao seu bordão de ouro passa devagarinho. O arrastar dos passos não faz, ao contrário do que se poderia pensar, (a)divinhar a sua idade, nem o bordão de ouro que vai nuverinhando a sua passagem, a condição de mulher. Pobre? ou rica?
Ricos são aqueles que partiram e me deixaram aqui? Vai murmurando por entre um ladear de palavras pouco meladas. "Os ricos", no tremor da sua voz, são os parentes que vieram buscar tudo o que de valor a "velha" tinha... há muitos anos. Tantos que já se esqueceu do tempo e dos tempos das coisas. Não há dias contados, não existe Páscoa e muito menos Natal. A vida (des)enrola-se como se estivesse presa a uma bebedeira de dor eterna, onde o sossego, o silêncio da tarde quase noite e o vento que não pára por ali hoje torna mais real a sua solidão... e o vento não passa por ali há tanto tempo.
Ainda não sei muito bem como vai ser, mas um blogue poderá ser uma transmissão de ideias e pensamentos diários.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
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