segunda-feira, 13 de maio de 2013

A forasteira

Num fim-de-semana dedicado a eventos locais, quermesses, gincanas piqueniques e passeios, é engraçado observar como nestes dias, as pessoas, na festinha da aldeia, onde a comunidade está largamente envolvida para o Santo Padroeiro da terra, ainda se vestem, (na visão de uma citadina), como se fossem um casamento: Com o melhor vestido, a melhor fatiota, o penteado mais aprumado,  mas com uma cor, uma postura corporal e uma imagem, que faz transparecer que a maioria daquela gente, é do campo, ou que tem fortes ligações à terra.
É intrigante ver a forma genuína,  pura e calorosa como nos recebem, "os forasteiros", apesar de muitos manifestarem olhares curiosos, fazendo transparecer que apesar de ali estarmos, "não pertencemos ali". E que até nos vestimos de, "fato de treino",  perfeitamente desadequados ao dia e ao momento.
A Festa de Santo Estevão - Ribeira de Baixo em Porto de Mós, é mesmo uma festinha de aldeia... muito parecida com o lugar onde vivo.
Por vezes esqueço-me que já não estou na cidade, que vivo no campo e que a cidade é apenas uma projecção da minha cabeça, uma vivência, uma experiência de vida acumulada, que faz de mim aquilo que  sou, numa ou noutra terra, onde e ainda que de uma forma positiva, mais ou menos integrada, serei sempre uma forasteira.


3 comentários:

somaijum disse...

Somos muito do que a vida faz de nós. A experiência, as vivências acumuladas, valem tanto, ou mais, que o património genético que herdámos. xD

JP disse...

As pessoas vivem, no campo, um ano para a festa da aldeia....em todo o lado. e hão ser sempre assim....

São as tradições que temos e, no seu conjunto, fazemos o povo que somos.

Beijinho e boa semana

A Tulipa Azul disse...

é bom ainda haver essas tradições, a minha avó ao domingo veste sempre a melhor fatiota para ir à missa.:)

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